Momentos-chave
- O que se passou até agora
- Israel estará a preparar um ataque às infraestruturas nucleares do Irão, noticia a CNN
- Trump anuncia a "Golden Dome", um novo sistema de defesa inspirado na Iron Dome israelita
- Congresso espanhol aprova embargo à venda de equipamento militar a Israel
- ONU avisa que ajuda humanitária ainda não foi distribuída devido a imposições por parte de Israel
- Negociações em Doha sem frutos. Netanyahu ordena parte da comitiva a regressar a Israel
- União Europeia vai rever acordo de associação com Israel, considerando a situação em Gaza "catastrófica"
- Paulo Rangel diz que Portugal está em sintonia com medidas sancionatórias a Israel, incluindo a revisão do acordo de associação da UE
- Países Baixos exigem levantamento total do bloqueio a Gaza e pedem posição a Bruxelas
- Israel reage a interrupção das negociações comerciais por parte do Reino Unido dizendo que "a pressão externa não vai desviar" o país
- Suécia pede sanções da União Europeia contra “certos ministros israelitas”
- Reino Unido suspende negociações sobre comércio com Israel devido ao bloqueio humanitário em Gaza e aplica sanções a colonos israelitas
- Ministro israelita critica entrada de ajuda em Gaza: "um erro grave, que atrasa a nossa vitória"
- Soldado israelita morto em Gaza por "fogo amigo", admitem IDF
- ONU receia morte de 14 mil bebés em Gaza nas próximas 48 horas
- Israel autoriza entrada em Gaza de uma centena de camiões com ajuda humanitária
- Negociações para cessar-fogo em Gaza não resultaram num acordo, diz primeiro-ministro do Qatar
- Líder supremo do Irão duvida que negociações com os EUA venham a ter sucesso
- Netanyahu defende que o exército israelita "é o mais moral do mundo"
- Um morto e vários feridos em ataque israelita no sul do Líbano
- Ministro extremista de Israel acusa países ocidentais de "alinharem" com o Hamas
- França apoia revisão do acordo de associação entre União Europeia e Israel
- Primeiro-ministro israelita quer equipa negocial em Gaza durante mais um dia
Histórico de atualizações
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Bom dia. Este liveblog fica arquivado, mas o Observador já abriu um novo para continuar a acompanhar os desenvolvimentos da guerra no Médio Oriente ao longo desta quarta-feira. Pode segui-lo aqui.
Netanyahu assume que permitiu o financiamento do Hamas para dividir palestinianos
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O que se passou até agora
- Israel estará a preparar um ataque às infraestruturas nucleares do Irão, de acordo com a CNN, citando fontes próximas das informações militares norte-americanas. A possibilidade de tal ataque aumentou significativamente nos últimos meses, embora ainda não seja claro quando poderia ocorrer ou se os líderes israelitas decidirão mesmo avançar com a operação.
- A intensificação do conflito na Faixa de Gaza tem levado diversos países e organizações a manifestarem-se contra as ações de Israel. O Reino Unido suspendeu negociações comerciais e aplicou sanções a colonos israelitas em protesto contra o bloqueio humanitário em Gaza. A Suécia anunciou a intenção de pedir sanções da União Europeia contra ministros israelitas que apoiam a colonização ilegal.
- A União Europeia pretende rever o acordo de associação com Israel devido ao bloqueio de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e ao bombardeamento do enclave palestiniano. A alta-representante da UE, Kaja Kallas, destacou a gravidade da situação humanitária em Gaza, considerando a ajuda atualmente permitida como insuficiente face às necessidades urgentes da população. Portugal apoiou esta revisão, alinhando-se com outros membros da UE na condenação da situação.
- O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a criação da Golden Dome, um novo sistema de defesa aérea contra mísseis nos Estados Unidos, inspirado no sistema israelita Iron Dome. Este projeto, com um custo estimado de cerca de 155 mil milhões de euros, deverá estar concluído em até três anos ou até ao fim do mandato de Trump em 2029.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 1.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
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Brasil volta a repatriar cidadãos de Gaza após intensificação do conflito
O Governo brasileiro repatriou hoje um grupo de 12 pessoas que estavam na Faixa de Gaza diante da intensificação da ofensiva israelita, no que representa um regresso das operações da retirada dos seus nacionais.
O grupo, que inclui brasileiros, familiares diretos e seis menores de idade, chegou esta tarde à Jordânia, de onde seguirá para o Brasil em voo comercial na quarta-feira, indicou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado.
O Ministério das Relações Exteriores providenciou transporte e acomodação, bem como uma escolta durante a viagem de Gaza para a Jordânia.
Desde outubro de 2023, quando Israel lançou a ofensiva em resposta aos ataques terroristas do Hamas, o Brasil retirou um total de 127 pessoas de Gaza, com centenas de outras repatriadas da Cisjordânia e de Israel.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, condenou os ataques do Hamas e apelou à libertação dos reféns, mas depois intensificou as suas críticas a Israel à medida que se intensificava a ofensiva, que já matou mais de 55 000 pessoas no território palestiniano.
Lula da Silva chegou a comparar o bombardeamento israelita de Gaza ao Holocausto nazi, o que abriu uma crise diplomática com Israel que ainda não foi resolvida.
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Israel estará a preparar um ataque às infraestruturas nucleares do Irão, noticia a CNN
Israel estará a preparar um ataque às infraestruturas nucleares iranianas, noticia a CNN, citando várias fontes próximas das informações militares norte-americanas.
Segundo uma das fontes, “a probabilidade de um ataque israelita a uma instalação nuclear iraniana aumentou significativamente nos últimos meses”.
Ainda não é claro quando seria o timing do ataque ou se os líderes israelitas tenham definido que o bombardeamento iria mesmo acontecer, lê-se ainda na notícia da CNN.
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Trump anuncia a "Golden Dome", um novo sistema de defesa inspirado na Iron Dome israelita
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a criação da Golden Dome, um novo sistema de defesa aéreo contra mísseis nos Estados Unidos inspirado pelo sistema israelita Iron Dome.
Falando na Casa Branca, o Presidente norte-americano disse que estava “feliz” por apresentar “uma arquitetura para o sistema de ponta que implantará tecnologias da próxima geração em terra, no mar e no espaço, incluindo sensores e interceptores baseados no espaço”.
De acordo com Trump, o projeto custará “cerca de 155 mil milhões de euros” e esperam que esteja completado “entre dois e meio a três anos” ou, pelo menos, até ao fim do mandato de Trump em 2029.
Questionado sobre de quem tinha partido a ideia, o Presidente norte-americano disse que foi ele a “sugerir”. “E eles disseram todos, adoramos a ideia, senhor”, acrescentou.
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Congresso espanhol aprova embargo à venda de equipamento militar a Israel
O Congresso dos Deputados, câmara baixa do parlamento espanhol, aprovou um embargo à compra e venda de equipamento militar a Israel, noticia a TVE.
O projeto, segundo a televisão estatal espanhola, permite a proibição de envio de “todos os recursos utilizados para reforçar o exército israelita na sua ofensiva contra o povo palestiniano, incluindo equipamento de controlo de motins e combustível militar”.
A iniciativa legislativa dos partidos da esquerda espanhola (Sumar e Podemos) e das esquerdas nacionalistas basca e catalã foi aprovada com os votos a favor do principal partido do governo, o PSOE e dos independentistas catalães do partido Junts.
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Rubio admite reinstalação “voluntária” de civis de Gaza noutros países, mas rejeita plano de transferi-los para a Líbia
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou esta tarde que os EUA perguntaram abertamente a outros países da região se estariam dispostos a aceitar palestinianos que queiram deslocar-se voluntariamente.
Ao Comité de Relações Externas do Senado dos EUA, Rubio afirmou que essa política está a ser prosseguida pelo governo norte-americano, mas que tal não consiste em apoiar políticas de deportação forçada.
“Perguntámos preliminarmente aos países se estariam abertos a aceitar pessoas, não como uma solução permanente, mas como uma ponte para a reconstrução” em Gaza, disse, citado pela Associated Press.
A este respeito, porém, Rubio rejeitou ter conhecimento de um plano revelado pelo canal NBC, de que o governo norte-americano estaria interessado em transferir um milhão de palestinianos para a Líbia, em troca de milhares de milhões de dólares em fundos de ajuda que tinham sido congelados ao país africano.
Rubio reclamou ainda para os EUA a responsabilidade de ter entrado ajuda humanitária esta terça-feira na Faixa de Gaza. “Não teríamos assistido aos acontecimentos dos últimos dias sem o nosso empenho. Israel continua a ser um forte aliado, apoiamos e compreendemos porque é que o Hamas não pode existir para a sua segurança. Também estamos muito satisfeitos por ver que permitiram que a ajuda começasse a fluir e esperamos que isso continue”, declarou.
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ONU avisa que ajuda humanitária ainda não foi distribuída devido a imposições por parte de Israel
Stéphane Dujarric, porta-voz da ONU, fez saber esta tarde que entraram em Gaza esta terça-feira quatro camiões de alimentos para bebés e algumas dezenas de camiões com farinha, medicamentos, produtos alimentares e outros artigos básicos.
No entanto, segundo Dujarric, não obstante esta tratar-se da primeira vez em 11 semanas que entra ajuda humanitária no território, esta ainda não serviu para aplacar a situação desastrosa que se vive em Gaza porque ainda não chegou aos seus habitantes devido a imposições israelitas.
“As autoridades israelitas exigem-nos que descarreguemos os fornecimentos do lado palestiniano da passagem de Kerem Shalom e que os recarreguemos separadamente assim que assegurem o acesso da nossa equipa a partir do interior da Faixa de Gaza”, disse aos jornalistas, citado pela Reuters.
Segundo o porta-voz, uma das equipas da ONU “esperou várias horas pela luz verde israelita para aceder à zona de Kerem Shalom e recolher os produtos alimentares” mas, “infelizmente, não conseguiram trazer esses produtos para o nosso armazém”.
Não houve, para já, comentários de Telavive a esta situação, a não ser o comunicado do Ministério da Defesa israelita que dá conta da entrada de 93 camiões com ajuda humanitária na Faixa de Gaza, sendo esta entregue “na sequência da recomendação de funcionários profissionais das IDF e de acordo com a diretiva das esferas políticas”.
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União Europeia levanta restantes sanções à Síria
Os chefes da diplomacia da União Europeia (UE) concordaram hoje com o levantamento das restantes sanções à Síria, que tinham sido impostas durante o regime repressivo de Bashar al-Assad, deposto em dezembro por uma coligação de inspiração islamita.
Em conferência de imprensa, a alta-representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, justificou a decisão como uma contribuição para “construir uma Síria nova, inclusiva e pacífica”.
Kallas reconheceu que nem tudo é ideal na Síria, mas insistiu na necessidade de um compromisso com a reconstrução do país, devastado por quase 14 anos de guerra civil, e de “uma oportunidade” para o povo sírio, agora sob liderança de um Governo de transição que emergiu dos rebeldes.
“Não pode haver paz sem um caminho para a recuperação económica. Todos queremos a paz”, expressou a chefe da diplomacia do bloco europeu, uma semana após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado o fim das sanções de Washington a Damasco.
A suspensão hoje anunciada por Bruxelas não afeta, no entanto, as medidas dirigidas aos responsáveis da repressão durante o regime de Al-Assad, que fugiu para a Rússia, e pelas violações dos direitos humanos ainda em vigor.
O acordo para levantar as sanções económicas conclui uma decisão inicial dos 27 do bloco europeu, que já tinham levantado as restrições aos setores da energia e dos transportes em janeiro, como primeira resposta à queda do regime.
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Negociações em Doha sem frutos. Netanyahu ordena parte da comitiva a regressar a Israel
Iniciadas este fim de semana em Doha, no Qatar, as negociações entre Israel e o Hamas para um novo cessar-fogo em Gaza e para a libertação dos restantes reféns não tiveram avanços significativos até à data e podem sair goradas.
Em comunicado citado pelo Times of Israel, o Hamas diz que o encontro não teve substância, tratando-se, no seu entender de uma “tentativa flagrante” de Netanyahu de “enganar a opinião pública mundial”.
O mesmo órgão noticiou também que o primeiro-ministro israelita já decidiu fazer regressar parte da delegação em Doha por acreditar que todos os esforços de entendimento já tinham sido esgotados. Apenas ficam alguns representantes, ao passo que os oficiais seniores regressam a Israel
Em comunicado, Netanyahu acusa o Hamas de inviabilizar um novo acordo. “Israel concorda com a proposta americana para o regresso dos reféns, que se baseia no quadro Witkoff”, afirma, referindo-se à proposta do enviado dos EUA Steve Witkoff de um cessar-fogo a curto prazo em troca de cerca de metade dos reféns vivos detidos pelo Hamas em Gaza.
“Esta proposta foi recentemente transmitida ao Hamas através dos mediadores, mas, até à data, o Hamas continua a manter a sua recusa”, aponta o governante israelita.
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União Europeia vai rever acordo de associação com Israel, considerando a situação em Gaza "catastrófica"
A UE vai rever o acordo de associação com Israel, por bloquear há mais de dois meses a entrada de comida e ajuda humanitária na Faixa de Gaza e pelos bombardeamentos no enclave. O anúncio foi feito por Kaja Kallas, a alta-representante da UE para os Negócios Estrangeiros, no final de uma reunião dos chefes da diplomacia dos 27, em Bruxelas.
“Há uma maioria a favor de fazer uma revisão do artigo [sobre o respeito pelos direitos humanos] do nosso acordo de associação com Israel”, anunciou. Como já tinha sido confirmado por Paulo Rangel, Portugal é um dos países que constitui essa maioria.
Kallas considerou que é o momento de “avançar para esse exercício”, depois de os Países Baixos terem apresentado uma proposta nesse sentido na reunião.
Citada pela Reuters, Kallas diz que “a situação em Gaza é catastrófica”, sendo que “a ajuda que Israel autorizou a entrar é bem-vinda, mas é uma gota no oceano”. “A ajuda deve fluir imediatamente, sem obstruções e em grande escala, porque é isso que é necessário”, afirmou”.
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Mais de 28.000 mulheres mortas na guerra em Gaza
Mais de 28 mil mulheres e raparigas morreram em Gaza em ataques israelitas desde o início da guerra, em outubro de 2023, equivalendo a duas mortes por hora, estimou hoje a organização ONU Mulheres.
A organização salientou que milhares destas mulheres mortas eram mães, o que significa que deixaram órfãs “famílias devastadas”, o que só serve para sublinhar o custo humano deste conflito.
Além disso, a ONU Mulheres lembrou que a situação atual se agravou muito depois de nove semanas consecutivas de bloqueio humanitário por parte de Israel, o que significa que as mulheres e as raparigas de Gaza, tal como os homens, estão a sofrer níveis catastróficos de fome e de deslocações forçadas constantes.
A esta situação acrescem problemas específicos das mulheres, como a total falta de mecanismos de proteção e segurança e o aumento das taxas de mortalidade materna, indicou.
A agência da ONU sublinhou que continua a trabalhar com organizações da sociedade civil lideradas por mulheres de Gaza para prestar serviços essenciais, mas “a magnitude do sofrimento excede em muito recursos e capacidades” da organização.
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Balanço de mortes nas últimas 24 horas sobe para 87, segundo fontes de Gaza
O Ministério da Saúde de Gaza declarou numa publicação na rede social Telegram — citado pelo The Guardian — que pelo menos 87 pessoas foram mortas pelos ataques israelitas nas últimas 24 horas e 290 ficaram feridas.
“Ainda há muitas vítimas sob os escombros e nas estradas, as ambulâncias e as equipas de defesa civil não conseguem chegar até elas”, terá sido escrito ainda.
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Paulo Rangel diz que Portugal está em sintonia com medidas sancionatórias a Israel, incluindo a revisão do acordo de associação da UE
Junto ao Conselho da União Europeia, em Bruxelas, onde os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros do bloco comunitário se reúnem hoje, o representante português fez saber que Portugal apoia “todos os sinais que se possam dar no sentido de parar esta situação que pode agravar-se muito nos próximos dias”, referindo-se ao bloqueio humanitário imposto por Israel na Faixa de Gaza.
Na sequência do adiantado por vários parceiros europeus — como França, Alemanha e Países Baixos — quanto à necessidade de avaliar se Israel está a cumprir o acordo de associação com a União Europeia (UE) devido à suspeitas de violação dos direitos humanos, Paulo Rangel posicionou-se em igual sentido, defendendo que tal processo de revisão “deve ser aberto quanto antes”.
O ministro português realçou, contudo, que tal pedido não obriga à suspensão deste tratado — algo que, por exemplo a Irlanda e Espanha já defenderam —, até porque, para tal, é preciso total consenso entre todos os estados membros, ao contrário da abertura da revisão, que só precisa de uma maioria simples.
Segundo Rangel, Portugal não só assinou “a declaração que o Reino Unido, a França e a Alemanha propuseram dos estados doadores da ajuda humanitária, também a condenar fortemente este bloqueio”, como adiantou estar em sintonia com a proposta da Suécia para “a aplicação de sanções individuais a certos ministros do governo israelita”. O ministro, contudo, não quis adiantar nomes, porque a sua escolha “não é completamente pacífica” no seio da UE.
Instado a comentar a atual situação na Faixa de Gaza, Paulo Rangel afirou que “a situação humanitária tem-se vindo a degradar para níveis muito mais graves do que aqueles que já existiam antes disso” e que “já eram graves”, frisando a ameaça de fome que paira sobre “dezenas de milhares” de crianças que “pode ser fatal”.
Não querendo subscrever a tese de que Israel está a levar a cabo um genocídio sobre a população de Gaza por necessidade de cautela pela palavra ter “implicações jurídicas muito sérias”, Rangel afirmou ainda assim que “não precisamos de estar a fazer uma qualificação desse tipo para considerar que essa situação é intolerável”.
Face a algumas críticas de que tem sido alvo dos partidos de esquerda, Rangel lembrou ainda que este governo “foi o único que até agora cancelou o fornecimento de qualquer armamento a Israel”, ao contrário do anterior.
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Mais de 100 organizações pedem ação urgente para evitar catástrofe humanitária no Iémen
Um conjunto de 116 organizações que operam no Iémen pediu hoje à comunidade internacional medidas urgentes para evitar uma catástrofe humanitária sem precedentes num país que enfrenta conflitos, crises económicas e desastres climáticos há mais de uma década.
Numa declaração conjunta, várias agências das Nações Unidas e organizações não-governamentais (ONG) locais e internacionais apelaram a que seja adotada uma ação imediata na quarta-feira, durante a VII reunião de líderes humanitários (SOM VII, na sigla em inglês), que irá decorrer em Bruxelas.
“A população iemenita enfrenta, em 2025, o seu ano mais difícil até à data, com as necessidades a crescer e a ajuda internacional a diminuir devido aos severos cortes de financiamento”, afirmaram as organizações, no comunicado.
A população iemenita enfrenta uma série de fatores que dificultam a ajuda humanitária, incluindo mais de 10 anos de um conflito armado que já provocou centenas de vítimas civis e danificou infraestruturas críticas, lembram as entidades.
Além disso, o Iémen também vive um colapso económico e condições meteorológicas extremas, que estão a agravar as dificuldades de milhões de pessoas.
“Mais de cinco meses depois do início deste ano, o Plano de Resposta e Necessidades Humanitárias do Iémen recebeu menos de 10% dos fundos pedidos, limitando severamente a prestação de ajuda vital”, alertaram as organizações.
As agências da ONU e as ONG internacionais e locais referiram que, apesar de enfrentarem insegurança, restrições de acesso e detenções de trabalhadores humanitários, continuam a prestar assistência essencial em matéria de proteção, educação, abrigo e água potável.
Por outro lado, destacaram “o papel fundamental” das ONG locais e da sociedade civil, que “atuam como os primeiros e, muitas vezes, os únicos socorristas em áreas remotas, conquistando a confiança das comunidades em vários anos de trabalho”.
Perante esta situação, as organizações signatárias instaram a que a reunião da SOM VII seja utilizada para aumentar a ajuda ao desenvolvimento, garantir o acesso a serviços essenciais e gerar oportunidades económicas.
As ONG pediram ainda que se torne possível um aumento significativo dos esforços para travar o conflito armado e proteger os civis, em conformidade com o direito internacional humanitário.
“Agora, mais do que nunca, é crucial um apoio rápido e decisivo para evitar que o Iémen mergulhe ainda mais na crise e para que consiga caminhar para uma paz duradoura”, concluíram as organizações.
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Países Baixos exigem levantamento total do bloqueio a Gaza e pedem posição a Bruxelas
O Governo dos Países Baixos exigiu hoje que Israel “levante completamente o bloqueio humanitário” imposto a Gaza e reiterou a necessidade de Bruxelas avaliar se Telavive está a cumprir o acordo de associação com a União Europeia (UE).
Numa declaração à imprensa após a sua chegada ao Conselho da União Europeia, em Bruxelas, onde os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros do bloco comunitário se reúnem hoje, o chefe da diplomacia dos Países Baixos, Caspar Veldkamp, referiu que “a iniciativa neerlandesa de pedir uma análise ao cumprimento do artigo 2.º — sobre o respeito pelo direito internacional humanitário – do acordo UE-Israel começou a ganhar apoio” e que “vários Estados-membros já a apoiam”.
O pedido dos Países Baixos foi apresentado na semana passada, numa carta enviada à Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, na qual Veldkamp defende uma análise para determinar se o bloqueio por Israel da ajuda humanitária a Gaza viola o acordo de associação e especificamente aquele artigo.
“Ainda não sabemos exatamente quantos [Estados apoiam], mas esta iniciativa já enviou um sinal muito claro, tanto para a Europa como para Israel, de que estamos profundamente preocupados com a situação humanitária na Faixa de Gaza”, afirmou o diplomata.
“Queremos que o bloqueio humanitário seja completamente levantado e estamos profundamente preocupados com a intensificação da ofensiva militar israelita”, acrescentou.
Veldkamp reconheceu que a UE é uma “amiga de Israel”, mas reiterou que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve ordenar uma investigação para saber se Israel ainda reúne as condições de associação ao bloco dos 27.
“Também me considero um amigo de Israel. Mas acredito que também é importante que a Europa envie agora um sinal claro a Israel sobre as preocupações que existem na Europa, tanto nas nossas sociedades como a nível político, em relação à situação humanitária em Gaza e à crescente ofensiva israelita”, alertou o ministro dos Negócios Estrangeiros.
Altos diplomatas europeus confirmaram hoje à rádio pública neerlandesa NOS que pelo menos 11 dos 27 países da UE são favoráveis à investigação sobre se o comportamento de Israel em Gaza está em conformidade com os princípios democráticos e de direitos humanos exigidos pelo acordo de associação.
No entanto, é necessário o apoio de pelo menos 14 países para forçar uma resposta da Comissão, seja no sentido de iniciar um procedimento de investigação ou para explicar porque não o faz.
Amesterdão não está a pedir o fim do acordo de associação com Israel, nem a suspensão do diálogo com o Estado hebraico, mas uma investigação sobre o respeito dos princípios defendidos.
A Irlanda e a Espanha já propuseram suspender o tratado, em outubro passado, mas isso requer o apoio de todos os 27, e a Hungria, um importante parceiro israelita, não hesitará em utilizar o seu veto.
Ao flexibilizar o objetivo, o Governo dos Países Baixos espera que “este não seja considerado um passo demasiado grande por alguns Estados-membros” e consiga, por isso, mais apoio.
O ministro neerlandês observou ainda que estas preocupações também estão a crescer na sociedade, nas forças de segurança e até nos serviços de informação de Israel.
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EUA avisam que Síria pode estar a poucas semanas de uma guerra civil
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, avisou hoje que a Síria pode estar a semanas de uma “guerra civil em grande escala”, dias depois de se ter reunido com líderes do regime de transição.
“Na verdade, acreditamos que, francamente, a autoridade de transição, dados os desafios que enfrenta, está a semanas, se não meses, de um possível colapso e de uma guerra civil em grande escala, o que significa a desintegração do país”, disse Rubio, perante o Comité de Relações Externas do Senado.
O comentário do chefe da diplomacia norte-americana surge após uma série de ataques sangrentos contra as minorias alauitas e drusas na Síria, onde combatentes islamitas derrubaram o regime do ex-Presidente Bashar al-Assad em dezembro.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, surpreendeu na semana passada ao anunciar, a partir de Riade, que iria levantar as sanções dos EUA contra a Síria, quando se reuniu com o Presidente interino sírio, Ahmad al-Shareh.
Rubio defendeu que os Estados Unidos se devem envolver com a situação na Síria, alegando que as autoridades de transição estão a “enfrentar uma profunda desconfiança interna no país”, explicando que o regime deposto de Al-Assad “dividiu deliberadamente” a sociedade síria.
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Israel reage a interrupção das negociações comerciais por parte do Reino Unido dizendo que "a pressão externa não vai desviar" o país
O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita reagiu oficialmente esta tarde ao anúncio por parte do Reino Unido de que iria interromper as negociações sobre um acordo de comércio livre entre as duas partes devido à guerra em Gaza e da aplicação de novas sanções aos colonos na Cisjordânia ocupada.
“Se, devido a uma obsessão anti-israelita e a considerações políticas internas, o governo britânico está disposto a prejudicar a economia britânica, isso é uma prerrogativa sua”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, Oren Marmorstein, em comunicado, segundo a Agence France-Presse (AFP), citada pelo The Guardian.
“O Mandato Britânico terminou há exatamente 77 anos. A pressão externa não desviará Israel do seu caminho de defesa pela sua existência e segurança contra os inimigos que procuram a sua destruição”, atirou.
Já segundo declarações citadas pelo Times of Israel, o gabinete israelita lamenta que o Reino Unido não tenha previamente informado desta decisão, considerando ainda que as sanções sobre os colonos — descritos como “residentes de Judeia e Samária” — são “injustificadas”.
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Suécia pede sanções da União Europeia contra “certos ministros israelitas”
A Suécia vai pedir sanções da UE contra “certos ministros israelitas” por não terem melhorado a situação dos civis em Gaza, defendeu hoje a ministra dos Negócios Estrangeiros sueca, Maria Malmer Stenergard.
“A Suécia é amiga de Israel, mas […] temos agora de levantar ainda mais a nossa voz. Vamos defender sanções europeias contra certos ministros israelitas que apoiam uma política de colonização ilegal e se opõem ativamente a uma futura solução de dois Estados”, escreveu Stenergard citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).
A lista de pessoas visadas deve ser discutida entre os 27, cujos chefes da diplomacia vão estar reunidos, durante o dia, em Bruxelas, indicou.
Na mensagem, Stenergard sublinhou que Estocolmo “encara com a maior seriedade a forma como o Governo israelita continua a agravar a situação, tanto através de declarações como de ações”.
“Há muito tempo que, em todas as nossas relações com o governo israelita, exigimos um melhor acesso humanitário e temos sido muito críticos em relação a este não ter sido garantido”, acrescentou.
Na segunda-feira, Stenergard já tinha condenado o plano de Israel de “assumir o controlo” de toda a Faixa de Gaza, denunciando “uma anexação contrária ao direito internacional”.
A ministra sueca instou também Israel a permitir o reinício da ajuda humanitária.
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Reino Unido suspende negociações sobre comércio com Israel devido ao bloqueio humanitário em Gaza e aplica sanções a colonos israelitas
O Governo britânico anunciou hoje a suspensão de negociações sobre comércio com Israel e a convocação do embaixador israelita em Londres para mostrar desagrado com o bloqueio à entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, noticia a agência Lusa.
Numa declaração no Parlamento, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, David Lammy, acrescentou que será revista a cooperação bilateral futura e não excluiu mais medidas.
“Existe um plano da ONU pronto para prestar ajuda em grande escala, necessário com medidas de mitigação contra o desvio da ajuda. Há humanitários corajosos prontos a fazer o trabalho. Há 9.000 camiões na fronteira. Primeiro-ministro [Benjamin] Netanyahu: acabe já com este bloqueio e deixe entrar a ajuda”, declarou, considerando que a situação de bloqueio é “francamente, uma afronta aos valores do povo britânico”.
“Não podemos ficar de braços cruzados perante esta nova deterioração. É incompatível com os princípios que estão na base da nossa relação bilateral”, apontou ainda.
Outra das medidas anunciadas por Lammy é a imposição de sanções a uma série de indivíduos e grupos na Cisjordânia que, segundo apurou o Reino Unido junto de várias instâncias judiciais — inclusive, israelitas —, estão ligados a atos de violência contra palestinianos na região. Entre eles conta Daniella Weiss, uma líder dos colonos.
Já antes, o primeiro-ministro Keir Starmer disse-se “horrorizado” com “a escalada de Israel” na Faixa de Gaza, repetindo as exigências do governo que lidera quanto a “um cessar-fogo como única forma de libertar os reféns”, assim como frisou a sua “oposição aos colonatos na Cisjordânia” e a “exigência de aumentar maciçamente a assistência humanitária a Gaza”.