Momentos-chave
- Presidente da CPI propõe adiamento da discussão e votação para terça-feira. Partidos aceitam
- Cristina Rodrigues diz que Marcelo Rebelo de Sousa "exorbitou funções"
- PCP acusa de PS de "aderir" às conclusões do Chega. Socialistas contestam
- Iniciativa Liberal vota contra relatório do Chega. "Podia ter sido escrito antes da CPI"
- Bloco de Esquerda diz que relatório preliminar é "exercício desonesto de instrumentalização da CPI"
- Bloco de Esquerda admite que "não ficou provado" que Marcelo tenha tomado "diligências acrescidas" no caso
- PS alinha com o Chega e diz que Casa Civil tratou processo das gémeas "de forma especial"
- PSD diz que Presidência não deu "tratamento de favor" às gémeas e que Marcelo Rebelo de Sousa não agiu a mando do filho
- PSD diz que relatório preliminar está "distorcido" e que abuso de poder de Marcelo é uma "conclusão forçada"
- PSD devolve críticas à deputada relatora do Chega: "Não consegue esconder o propósito que tem"
- Cristina Rodrigues diz que houve "intervenção política" na marcação da consulta das gémeas
- Chega insiste que Casa Civil da Presidência procedeu de forma diferente no caso das gémeas
- Chega diz que existiram "incongruências" na obtenção da nacionalidade, que só serviu para gémeas receberem o Zolgensma
- "Não inventei o que as pessoas disseram", sublinha Cristina Rodrigues, que diz que PS e PSD "não conseguem esconder desconforto"
- Chega recusa votação para substituição do seu relatório preliminar pelo do PSD e CDS
Histórico de atualizações
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Encerramos aqui este liveblog, onde acompanhámos aquela que se previa ser a última sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito ao chamado caso das gémeas. Não foi.
Na próxima terça-feira, os partidos voltam a reunir-se — numa sessão que, essa sim, deverá ser derradeira — para discutir propostas de alteração ou, antevê-se, uma versão completamente completamente diferente daquela que foi apresentada pela deputada Cristina Rodrigues, do Chega.
Obrigado por ter estado desse lado. Até breve.
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Reunião da CPI das gémeas. Partidos contra relatório preliminar, PS alinhado com Chega e decisões adiadas
Partidos fizeram duras críticas ao relatório preliminar de Cristina Rodrigues. Mas PS alinhou com o Chega no alegado favorecimento ao caso em Belém. Votações adiadas para terça-feira.
CPI das gémeas. Partidos contra relatório preliminar, PS alinhado com Chega e decisões adiadas
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Presidente da CPI propõe adiamento da discussão e votação para terça-feira. Partidos aceitam
Depois de uma interrupção dos trabalhos (em que os jornalistas foram convidados a sair da sala), o presidente da CPI propôs aos deputados o adiamento da discussão e votações das propostas de alteração às conclusões da CPI para terça-feira, às 15h. Os partidos aceitaram.
Rui Paulo Sousa justificou a proposta com o facto de haver a indicação de que Marcelo Rebelo de Sousa só dissolverá a Assembleia da República na próxima quarta-feira, e com a falta de tempo que os deputados tiveram para analisar as propostas de alterações apresentadas entretanto pelos diferentes grupos parlamentares.
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Cristina Rodrigues diz que Marcelo Rebelo de Sousa "exorbitou funções"
A deputada relatora visou, de novo, Marcelo Rebelo de Sousa, defendendo que, ao pedir à Casa Civil que desse seguimento ao caso, o Presidente da República “exorbitou as funções”.
“Estamos a falar de uma pessoa que é doutora em Direito. Alguém acredita que ele não tem noção de que, ao fazer um pedido pessoal aos seus funcionários (aos funcionários ao Estado português) para questões do foro pessoal, que não está a exorbitar as suas funções?”, questionou Cristina Rodrigues.
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PCP acusa de PS de "aderir" às conclusões do Chega. Socialistas contestam
O deputado do PCP Alfredo Maia acusou o PS de “aderir” às conclusões do relatório do Chega.
“Ao apresentar propostas de alteração ao relatório do Chega, o PS adere, ainda que não de forma explícita pelo menos implícita”, disse o deputado, sob críticas dos deputados do PS presentes.
João Paulo Correia, do PS, pediu depois a palavra para explicar que “a única forma de apresentar alteração é com propostas de alteração”. “Isso não legitima nenhum relatório preliminar”, defendeu.
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Iniciativa Liberal vota contra relatório do Chega. "Podia ter sido escrito antes da CPI"
A deputada da Iniciativa Liberal Joana Cordeiro criticou o relatório preliminar feito por Cristina Rodrigues e anunciou que o partido vai votar contra.
“O texto que foi apresentado não reflete o que se passou ao longo da CPI e só reflete as conclusões do Chega. Podia ter sido escrito antes da CPI, porque as conclusões já estavam tiradas antes das audições”, acusou Joana Cordeiro, acrescentando que o “relatório foi apresentado público e erradamente como o relatório da CPI”. “Isto não é aceitável”, defendeu.
Joana Cordeiro justificou a não apresentação de propostas de alteração por parte dos liberais com a necessidade de “reescrever todo o relatório”, o que, defendeu, seria impossível dado o tempo reduzido.
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Bloco de Esquerda diz que relatório preliminar é "exercício desonesto de instrumentalização da CPI"
A deputada Joana Mortágua diz que o relatório preliminar elaborada por Cristina Rodrigues “apresenta mentiras como conclusões” e acusa o Chega de ter imposto a CPI com objetivos partidários.
“O relatório preliminar é um exercício desonesto de instrumentalização da CPI”, disse a deputada do Bloco de Esquerda, visando depois o Chega.
“A CPI foi potestativamente agendada pelo Chega com interesses político-partidários, de campanha partidária. Quais não sei, mas certamente que não os do apuramento da verdade”, acusou.
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Bloco de Esquerda admite que "não ficou provado" que Marcelo tenha tomado "diligências acrescidas" no caso
A deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua acusou a deputada relatora Cristina Rodrigues de ter colocado no relatório preliminar um “conjunto de insinuações” em relação a vários temas, nomeadamente em relação à intervenção do Presidente da República no caso.
“Podemos intuir mas não podemos provar que o Presidente da República tenha tomado diligências acrescidas. O que o Presidente fez foi reencaminhar o caso para os seus assessores. Até pode ter acontecido mas não ficou provado”, defendeu Joana Mortágua..
“Há um conjunto de insinuações sobre a obtenção de nacionalidade, que tenta ligar a existência de uma máfia dos agendamentos com o agendamento das gémeas, algo que nunca conseguimos concluir”, sublinhou, referindo também que “não há provas de que o Secretário de Estado tenha pedido a marcação da consulta”.
Joana Mortágua referiu também que “não houve prejuízo para outras crianças”, ao contrário do que diz o relatório preliminar do Chega. Defendeu também que a consulta foi marcado tendo em conta um “critério clínico”.
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PS ignora intervenção de Lacerda Sales e diz que relatório da IGAS é "incompleto"
Nas propostas de alteração, o PS não se refere ao ex-secretário de Estado Lacerda Sales (que integrou um dos governos de António Costa), limitando-se a constatar que “a Secretaria de Estado da Saúde sinalizou o caso clínico das crianças” à chefe do serviço de Pediatria do Hospital de Santa Maria.
O PS critica ainda o relatório da Inspeção Geral das Atividades em Saúde, que diz estar “incompleto”.
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PS alinha com o Chega e diz que Casa Civil tratou processo das gémeas "de forma especial"
No que diz respeito à atuação de Marcelo Rebelo de Sousa no caso, o PS alinha com a argumentação da deputada relatora Cristina Rodrigues (do Chega), defendendo que a Casa Civil deu um tratamento diferenciado ao caso.
“A Casa Civil tratou o processo de forma especial, como é possível comprovar na comparação com outros processos similares a que a CPI teve acesso, como também dos emails trocados com Nuno Rebelo de Sousa”, disse o deputado do PS João Paulo Correia, na apresentação das propostas de alteração do partido.
O PS considera também que Nuno Rebelo de Sousa, o filho do Presidente da República, foi “o causador deste processo, sem nunca revelar o motivo da sua atuação”.
No que diz respeito à atribuição de nacionalidade, os deputados socialistas consideram que “a atribuição decorreu sem qualquer interferência externa”.
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PSD diz que Presidência não deu "tratamento de favor" às gémeas e que Marcelo Rebelo de Sousa não agiu a mando do filho
António Rodrigues defendeu que o caso das gémeas foi tratado como outros casos semelhantes que chegavam ao Palácio de Belém.
“Não entendemos que o ofício tenha sido diferentes do outros feitos pela Presidência da República. Não houve envolvimento ou qualquer tipo de tratamento de favor em relação ao tratamento das crianças”, disse o responsável do PSD na CPI das gémeas, acrescentando que “não há evidência que Presidente da República tenha agido em função do propósito do filho”.
“É verdade que houve um email do filho. Nunca deveria ter havido envolvimento de Nuno Rebelo de Sousa junto do pai”, reconheceu.
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PSD diz que relatório preliminar está "distorcido" e que abuso de poder de Marcelo é uma "conclusão forçada"
O deputado António Rodrigues manifestou a discordância do PSD quanto às conclusões apresentadas pela deputada relatora Cristina Rodrigues, do Chega.
“Não nos revimos no relatório que foi apresentado. A factualidade encontra-se distorcida, tentando ir ao encontro dos objetivos iniciais dos requerentes da CPI”, disse o deputado, rejeitando que tenha havido qualquer abuso de poder por parte de Marcelo Rebelo de Sousa.
“Não se encontra refletido no relatório qualquer tipo de registo, referência ou propósito ao abuso de poder por parte do Presidente da República. Aquela conclusão foi forçada”, defendeu.
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PSD devolve críticas à deputada relatora do Chega: "Não consegue esconder o propósito que tem"
O deputado do PSD António Rodrigues pediu a palavra para devolver as críticas feitas no início dos trabalhos pela deputada do Chega Cristina Rodrigues — que acusou PSD e PS de não conseguirem “esconder o desconforto” perante as conclusões do relatório preliminar.
“A relatora não consegue esconder o propósito que tem relativamente a este relatório. Diz que PSD e PSD estão a tentar defender os seus dirigentes. Não sei se Lacerda Sales é militante do PS. Mas sei que o Presidente da República não é militante do PSD”, disse António Rodrigues.
Cristina Rodrigues ainda retorquiu. “O Chega não tem qualquer interesse pessoal no relatório”, garantiu, sublinhando que o relatório foi feito com isenção. Disse ainda que “existe uma conexão entre as pessoas visadas e esses partidos políticos [PSD e PS]”.
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Cristina Rodrigues diz que houve "intervenção política" na marcação da consulta das gémeas
A deputada Cristina Rodrigues lembrou a reunião do ex-secretário de Estado da Saúde Lacerda Sales com Nuno Rebelo de Sousa para reforçar uma das conclusões do relatório preliminar que elaborou.
“É factual que a consulta foi marcada contra a vontade da médica que acompanhou o processo e contra o conjunto de neuropediatras. Ficou evidente que houve uma intervenção política que se sobrepôs a uma vontade clínica”, sublinhou.
A deputada relatora disse que houve uma “discriminação no acesso ao tratamento e ao SNS e diferenciação” no tratamento entre as gémeas e as restantes crianças com Atrofia Muscular Espinhal.
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Chega insiste que Casa Civil da Presidência procedeu de forma diferente no caso das gémeas
A deputada do Chega Cristina Rodrigues voltou a defender as conclusões do relatório preliminar, sublinhando que, no caso das gémeas, a Casa Civil da Presidência teve uma atuação diferente dos restantes casos.
“Nuno Rebelo de Sousa enviou email pessoal ao pai (porque foi para o email pessoal do Presidente da República) a pedir uma ajuda maior. E o PR, através desse email pessoal, mandata dois funcionários da Presidência da República para verificarem o que se passa com o processo. Quando o faz, esses funcionários têm diligências acrescidas em relação às diligências normais da Casa Civil”, disse a deputada relatora, lembrando: “há um contacto de Maria João Ruela com um hospital. Terá sido o Santa Maria, o que terá levado aos rumores tão falado na comissão”.
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Chega diz que existiram "incongruências" na obtenção da nacionalidade, que só serviu para gémeas receberem o Zolgensma
A deputada Cristina Rodrigues defende que, “no que diz respeito à nacionalidade, foram encontradas incongruências em relação aos tempos normais de obtenção da nacionalidade e à gestão dos agendamentos”.
A deputada relatora disse ainda que a família das gémeas luso-brasileiras pediu a nacionalidade portuguesa para as crianças apenas com a finalidade de estas serem tratadas em Portugal. “A nacionalidade foi obtida com o objetivo de virem a Portugal para obter o tratamento. A nosso ver isto aconteceu, e a ver de muitas das pessoas ouvidas também”, realçou Cristina Rodrigues.
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"Não inventei o que as pessoas disseram", sublinha Cristina Rodrigues, que diz que PS e PSD "não conseguem esconder desconforto"
A deputada relatora do relatório preliminar está a apresentar as conclusões na CPI das gémeas. E começou por acusar PSD e PS de terem ficado incomodados com as conclusões, dado que, diz, têm responsáveis políticos envolvidos no caso.
“O Chega não tem qualquer responsável político envolvido. Quem tem deputados políticos envolvidos é o PS e o PSD e não conseguem esconder o desconforto da factualidade vertida no relatório”, disse Cristina Rodrigues.
“Não inventei o que as pessoas disseram”, defendeu ainda a deputada, considerando que “as pessoas [os depoentes] estiveram aqui em audições públicas e é isso que está transcrito, tal como os documentos”.
A deputada garantiu ter tido a preocupação de colocar as duas versões dos factos, nos casos em que “houve versões contraditórias”, acresventando que “houve a preocupação de verter no relatório” todos os temas discutidos ao longo das mais de 30 audições.
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Requerimento do Chega para retirar relatório alternativo do PSD chumbado por todos os partidos
O relatório preliminar alternativo do PSD foi aceite. O requerimento do Chega que pedia a retirada do relatório foi chumbado por todos os outros partidos presentes: PS, PSD, Bloco de Esquerda, CDS, Iniciativa Liberal e PAN.
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Chega recusa votação para substituição do seu relatório preliminar pelo do PSD e CDS
A deputada do Chega Cristina Rodrigues pediu que o ponto da ordem de trabalhos que prevê a votação em bloco do relatório preliminar alternativo do PSD e do CDS seja retirado — uma vez que o Chega considera que tal não é permitido pelo Regime Jurídico dos Inquéritos Parlamentares.
“O grupo parlamentar do PSD tem a possibilidade de apresentar alterações, mas não pode substituir integralmente o relatório. Está a contrariar o que está no Regime Jurídico dos Inquéritos Parlamentares”, disse Cristina Rodrigues, a deputada relatora do Chega.
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Boa tarde.
A Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso das gémeas está reunida para votar o relatório preliminar do Chega e discutir propostas de alterações apresentadas por outros partidos.
Vamos acompanhar tudo neste liveblog