A ESPN é um canal de televisão norte-americano de desporto, sendo detido maioritariamente pela The Walt Disney Company, umas das grandes referências do mercado do entretenimento mundial.

A ESPN divulgou recentemente, e pela primeira vez, os seus resultados financeiros onde se destacavam 16 mil milhões de dólares de receitas e um lucro anual de 2,9 mil milhões de dólares. Se estes números, só por si, já impressionam, mais ainda se tornam incríveis quando se percebe que a ESPN gera mais lucro anualmente do que toda a divisão de entretenimento da própria Disney. Quer isto dizer que Verstappen, Curry e Tiger Woods geram mais lucros do que o rato Mickey, o Pluto e o Pateta.

A Disney terá sido um dos primeiros conglomerados do entretenimento a adicionar o eixo do desporto ao seu portfolio de investimentos ao perceber as enormes potencialidades de obter sinergias entre experiência e conhecimento nas diferentes áreas do entretenimento, promovendo uma verdadeira fusão entre todas elas.

Os próximos anos vão acentuar estes movimentos, esperando-se que grandes tecnológicas como a Apple, Google, Amazon ou Meta se intrometam neste novo território com inovações e disrupções que irão quebrar o enorme, mas antigo monopólio dos tradicionais canais de televisão sobre os direitos de transmissão no desporto. Por esta razão, este pilar de receitas, tão importante para os clubes desportivos, será alvo de uma profunda transformação nos próximos anos.

Para além destes movimentos da Disney ou da Apple em direção ao desporto, já estão consolidadas parcerias da Amazon ou da Netflix com a realização de documentários de sucesso com diferentes marcas ou competições, o que faz prever uma mudança de forças nos principais operadores. Dos grandes impérios da televisão como a Sky, BBC ou Eurosport, as transmissões vão mudar de mãos para as grandes tecnológicas que terão a capacidade de encontrar novas formas de distribuição, bem como aproveitar a sua experiência na produção de conteúdos.

Estes gigantes vão ser capazes de produzir espetáculos desportivos de excelência e obter sinergias e vendas cruzadas com todo um portfolio de conteúdos relacionados com desporto como filmes, séries, documentários, talk shows, entre muitas outras alternativas. Este cenário vai levar ao surgimento de poderosos conglomerados proprietários de desporto e entretenimento que vão estimular o crescimento e a inovação nesta indústria.

Prevê-se que, no futuro próximo, estes novos investidores no desporto e no entretenimento vão ser capazes de impulsionar e maximizar a eficiência comercial através do desenvolvimento de carteiras que partilham serviços e tecnologias. Os próximos anos serão ainda marcados por uma intensa concorrência para adquirir capital nos ativos desportivos mais interessantes e com maior potencial. Perante esta realidade, legisladores, federações e ligas terão de desenhar e aplicar níveis mais exigentes de escrutínio e governação relacionados com a propriedade e o investimento para manter as competições em ambiente de concorrência leal e saudável.

Neste futuro, onde assistiremos à fusão das indústrias do desporto, entretenimento e tecnologia, veremos ainda investidores cada vez mais sofisticados e poderosos que irão comprar ativos complementares para emergir como marcas líderes globais de entretenimento. À medida que as todas as organizações desportivas continuam a evoluir e a profissionalizar-se, serão também capazes de atrair os melhores talentos de outros setores e a consolidar a sua posição como potencias no mundo dos negócios.