Assinala-se hoje, 27 de janeiro, o dia internacional em memória das vítimas do Holocausto, que coincide com o 80.º aniversário da libertação do campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau. Só neste local foram impiedosamente mortos mais de 1,1 milhões de seres humanos, dos quais cerca de 90% eram judeus. Outros cinco milhões de judeus morreriam vítimas do nazismo.

Representantes de mais de cinquenta países participam hoje, naquele mesmo lugar de martírio, nas cerimónias evocativas desse dia que interrompeu um ciclo sistemático de extermínio. Hoje é um dia de esperança e de humanidade, mas é também um dia de memória, respeito e de enorme responsabilidade. De acordo com a lista de presenças confirmadas, os Reis da Dinamarca, Suécia, Holanda, Reino Unido, Espanha, Bélgica e Noruega estarão presentes, assim como o Grão-Duque do Luxemburgo. Dezasseis outros Chefes de Estado eleitos, com destaque para os Presidentes da Alemanha, Áustria, França, Itália, Polónia, e diversos Primeiros-Ministros também, a par de muitos Ministros dos Negócios Estrangeiros. António Costa e Roberta Metsola não faltam à chamada e o Presidente Donald Trump nomeou há dias uma delegação impressionante

Portugal faz-se representar pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro. Apesar da ausência notória de Marcelo Rebelo de Sousa, José Pedro Aguiar-Branco, Luís Montenegro e Paulo Rangel, a ida de Leitão Amaro acaba, na realidade, por ser uma presença adequada, atendendo a que está em curso a transição – do Ministério dos Negócios Estrangeiros, para o Ministério da Presidência – da pasta da Estratégia Europeia de Combate ao Antissemitismo e Promoção da Vida Judaica (2021-2023), uma iniciativa pessoalmente desencadeada pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, no decurso do seu anterior mandato.

Espero, sinceramente, que a presença do ministro Leitão Amaro na cerimónia de hoje funcione como um impulso e que acelere o processo de transição em curso desta pasta e que muito em breve possamos ter um novo Coordenador Nacional desta Estratégia Europeia nomeado, com as devidas condições asseguradas para o exercício do cargo, e em plenitude de funções.

É muito importante que isto aconteça, para que Portugal não fique para trás no cumprimento das suas obrigações europeias, mas sobretudo porque é necessária uma ação determinada e empenhada para combater o antissemitismo (que também cresce em Portugal), promover o conhecimento sobre a vida e a cultura judaica – que é um legado de toda a Europa – e aumentar o nível de literacia e de conhecimento sobre o Holocausto. Compreender, com factualidade, o que foi um genocídio, impediria muitas comparações e analogias que são, simplesmente, absurdas.

E compreender as consequências do ódio, da desumanização, da intolerância e do preconceito levados ao limite é fundamental para que nunca, mas nunca mais, se volte a repetir algo como o Holocausto na história da Humanidade. Desde 20 de janeiro, e até 28 de fevereiro, a UNESCO, em Paris, evoca o horror deste genocídio através de uma exposição fotográfica no espaço público, visível a todos os que passem em frente à sua sede em Paris. Esta é apenas uma de muitas outras evocações que um pouco por diversas capitais e cidades europeias se fazem deste dia e deste acontecimento. Portugal, através das suas instituições, este ano não fez nada para assinalar este dia com a dignidade e solenidade que o mesmo merece.

Esperemos que para o ano, no 81.º aniversário da libertação de Auschwitz, o Coordenador Nacional da Estratégia Europeia de Combate ao Antissemitismo e Promoção da Vida Judaica, que muito em breve, como se disse, se espera que possa ser nomeado, venha a possuir a claridade de pensamento e o dinamismo da ação necessários para que Portugal, neste tema, não fique à margem e na periferia da Europa.