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Está na hora do Cinco Continentes da Rádio Observador. Todas as semanas viajamos pela geopolítica internacional. Bom dia, Bruno. Bem-vindo. Continuamos a dar destaque à principal guerra no Médio Oriente e é por aí que vamos começar. Vamos olhar para como os diferentes continentes posicionam face a Gaza e obviamente que temos aqui posicionamentos influenciados por relações históricas diferentes com Israel e o mundo árabe. Tivemos, por exemplo, Antony Blinken a reforçar mais uma vez o posicionamento norte-americano.
"Defendemos firmemente a posição de que Israel tem não só o direito, mas também a obrigação de se defender e de fazer tudo para garantir que o que aconteceu a 7 de outubro não volta a acontecer. Ao mesmo tempo, a forma como Israel o faz interessa. É muito importante que no que diz respeito à proteção dos civis que foram apanhados no fogo cruzado, que é responsabilidade do Hamas, tudo seja feito para os proteger e para prestar assistência àqueles que tão desesperadamente precisam."
O posicionamento dos Estados Unidos já é bem conhecido, mas como é que se estão a posicionar estes países chefes noutros continentes?
Olá, bom dia. Realmente foi mais um teste, do meu ponto de vista, aos alinhamentos atuais a nível internacional, esta nova dinâmica de blocos, de uma espécie de uma Segunda Guerra Fria, embora aí, como também tenhas dito, há um fator importante que é o peso do mundo árabe e muçulmano, as relações, o facto de esses países serem ou não árabes e muçulmanos também, e inclusive a importância das relações com essa região, a par de outros fatores, como por exemplo, a relação histórica com Israel. Mas realmente é interessante ver o estado das coisas a esse nível. Obviamente aqui o apoio dos Estados Unidos a Israel é absolutamente essencial, mas é verdade que nas décadas iniciais do Estado de Israel não foi exatamente assim. Talvez o país mais importante na fase inicial da existência do Estado de Israel, por exemplo, em termos de apoio militar, começou por ser até a União Soviética, através da Checoslováquia, logo em 48, e depois, sobretudo, a França, que inclusive apoiou o desenvolvimento do programa nuclear. Mas isso era numa fase em que a França estava com relações muito tensas com o mundo árabe, com o mundo islâmico, até por causa da Guerra da Argélia. Isso depois alterou-se e vemos que hoje a França tem uma posição muito mais equívoca. Na Europa, os aliados mais próximos de Israel são a Grã-Bretanha, com quem houve relações muito intensas na fase inicial da independência de Israel. A independência de Israel é feita inclusive contra a Grã-Bretanha. Há uma guerrilha independentista judaica contra a potência que tinha o controle da Palestina. Não era bem uma colônia, era o chamado mandato, mas rapidamente depois isso foi ultrapassado, sobretudo a partir de 1956, da crise do Suez, em que há uma convergência entre a França, a Grã-Bretanha e desde aí a Grã-Bretanha é também um apoio importante, mas sobretudo a Alemanha. E aí a Alemanha realmente tem, obviamente, uma história muito diferente de qualquer outro país em relação à questão da segurança de um Estado como Israel, de um Estado construído para dar a certeza aos judeus de que eles não dependeriam mais de estranhos para a sua segurança. E recomendo que vejam, por exemplo, as declarações do vice-primeiro-ministro, do líder dos liberais, do Habeck, que explica exatamente isso num vídeo que está aliás legendado em várias línguas, dizendo para a Alemanha a segurança do Estado hebraico, do Estado judaico, do Estado de Israel, é realmente uma razão de ser da própria existência da Alemanha pós-1945. Para nós, a expressão "nunca mais" não é simplesmente um slogan vazio, é realmente um princípio fundamental da nossa ação e, portanto, o apoio a Israel por parte da Alemanha é um princípio central da política externa alemã. Agora, há outros casos realmente mais interessantes. Por exemplo, na América Latina há comunidades importantes, quer judaicas, quer de origem árabe, muçulmana. O Brasil é um bom exemplo disso. Houve aí posições de condenação genérica do ataque no início, por regra, com duas ou três exceções, mas rapidamente o que tem prevalecido é a questão do apelo ao cessar-fogo imediato e as críticas à ação militar de Israel. Mas há realmente exceções que confirmam estes novos blocos, nomeadamente a Bolívia, onde o movimento Evo Morales, aquele movimento indigenista, nativista, muito ligado a esta ideia do combate ao colonialismo e um alinhamento com o sul global, decidiu cortar relações. Cuba, Nicarágua, Venezuela, desde o início criticaram Israel, praticamente culparam Israel pelo ataque do 7 de outubro. Em relação aos principais protagonistas desta nova política de blocos, a Rússia, com quem Israel tinha procurado alguma aproximação pragmática, também deixou claro que isso não tinha tido grandes resultados, inclusive recebeu oficialmente uma delegação do Hamas depois do 7 de outubro. Portanto, deixou muito claro que aquilo que prevalece é o seu alinhamento com regimes como o da Assad ou como o regime teocrático iraniano e portanto, esta aposta em conseguir o apoio de atores revisionistas violentos no Médio Oriente, como noutras regiões do sul global. A China tem uma postura mais prudente, mas que em todo o caso não deixa de insistir, sobretudo nesta questão do cessar-fogo e mesmo na imprensa e até nas redes, o que prevaleceu foram sobretudo as críticas, os ataques a Israel, até com a ideia de que havia o discurso racista, antissemita na blogosfera chinesa. Claramente o que prevalece é esta ideia de um novo bloco do sul global, liderado sobretudo pela China, mas em que a Rússia também procura ter um protagonismo importante. Mas como eu tenho chamado sempre a atenção, esse sul global não é completamente homogêneo E, por exemplo, Israel conta com alguns apoios importantes e reveladores. Talvez o mais importante de todos seja o da Índia. O presidente Modi foi completamente claro no seu total apoio a Israel. A Índia demorou cinco dias a dizer que talvez confiasse que Israel moderasse um pouco a sua ação militar em Gaza, depois de vários dias de jornalistas a perguntarem qual era a posição da Índia a esse respeito. Outro caso também é, por exemplo, as Filipinas. E não é por acaso que estamos a falar de países que têm uma vizinhança complicada. No caso da Índia, tem um histórico de conflito com o Paquistão e do uso pelo Paquistão do terrorismo, de grupos jihadistas para atacar alvos no interior da Índia, ou no caso das Filipinas, a questão do sul, daquela guerrilha na zona de Mindanao e obviamente também os dois com grandes preocupações com a sua segurança em relação à China. E, portanto, mais uma vez, aprouver ser aqui muito esta lógica de blocos.
Bruno, vamos olhar para outro conflito que continua a marcar a atualidade e hoje até temos Ursula von der Leyen de visita a Kiev. Podemos também abordar isso, mas vamos abordar principalmente o impasse que é reconhecido pelo chefe do exército ucraniano, Valeri Zaluzhny admite que provavelmente não vai haver um avanço profundo nesta contraofensiva da Ucrânia. Essa contraofensiva só avançou 17 quilômetros desde que começou. E agora, há mesmo um impasse na Ucrânia?
Eu penso que é importante que este general Zaluzhny, que é o chefe máximo das Forças Armadas Ucranianas, realmente tenha um discurso bastante claro e bastante honesto, ou seja, não procure aqui disfarçar a realidade. Isto também faz parte, obviamente, de uma estratégia para dizer aos países ocidentais se querem mais avanços, se querem avanços decisivos, se querem uma ofensiva, têm de nos dar mais meios e têm de deixar de insistir aqui em linhas vermelhas artificiais, têm de também procurar ultrapassar este problema recorrente que é as promessas demoram muito a fazer, depois demoram muito a chegar e, portanto, tudo isso torna uma ação ofensiva muito mais complicada. Do ponto de vista de quem analisa estas questões como eu já há bastante tempo, não houve aqui grandes surpresas, ou seja, quem tem ouvido os meus comentários sabe que eu tenho insistido sempre que numa guerra de trincheiras, numa guerra mais defensiva, que é a fase da guerra que tem prevalecido nos últimos meses, basicamente no último ano, a partir de um certo impasse, é o estado natural das coisas, a não ser que haja grandes erros, grandes falhas, grandes problemas de um lado ou do outro, e isso claramente não aconteceu. Também é interessante para quem faz estudos estratégicos como eu, alguns aspetos que ele destacou em termos de evolução das tendências, em termos de guerra, de conflito armado, por exemplo, a dificuldade de utilização de aviões tripulados. Ele inclusive diz que os F-16 já podem evitar demais, porque entretanto a Rússia tem adaptado os seus meios de defesa antiaéreo e insiste muito na importância crucial dos drones a todos os níveis, em termos de drones de ataque, portanto, drones armados, drones mais avançados, mas também de vigilância, de aquisição de alvos, etc., mas como sistemas que têm desgaste enorme. A grande vantagem também dos drones é como são não tripulados e como muitos dos sistemas são extremamente baratos e relativamente fáceis de produzir, isso significa que podem facilmente ser perdidos, podem facilmente ser sacrificados, e isso realmente é necessário, porque há muitos meios também depois de abater os drones ou de os inutilizar, inclusive com outro aspecto que ele também destaca e que não deveria espantar no contexto tecológico atual, que é a importância absolutamente vital da guerra eletrônica. E ele aí reconhece também que a Rússia tem feito avanços, tem-se adaptado e que é preciso que a Ucrânia também consiga fazer isso com alguma ajuda ocidental. E destacava e terminava com este último ponto, que é realmente este aspecto que fica muito claro neste artigo, que torna as guerras difíceis de analisar e sobretudo, torna sempre errado pensar nas guerras em termos muito simples e muito lineares. Quem está a ganhar agora vai continuar a ganhar até o fim. Aquilo que ele explica é que realmente aqui o inimigo tem um voto e obviamente está também a adaptar-se. Portanto, a Ucrânia foi-se adaptando, foi melhorando os seus sistemas de armamento, mas a Rússia também procurou ir fazendo isso e sobretudo tem uma vantagem terrível, mas que eu acho que corresponde à realidade, que é estar muito mais disposta a sacrificar os seus soldados. Tendo em conta que o regime Putin é um regime autoritário, não tem problemas em ter um enorme número de baixas e portanto isso a partir daqui há um problema à Ucrânia, que é não pode contar com esse desgaste para obter algum tipo de efeito político, porque o sistema autoritário liderado por Putin não quer saber do número de baixas, desde que atinja os seus objetivos estratégicos, desde que salve a face do regime politicamente.
Bruno, seguimos até à Europa, vamos ao Reino Unido. Foi lá que decorreu esta semana a primeira Cimeira Global de Inteligência Artificial, com a ONU a pedir uma resposta unida face aos riscos da tecnologia. Podemos ficar descansados com esta cimeira?
Acho que não podemos, acho que é um bom sinal que tenha acontecido, é um bom sinal que vá continuar a acontecer. Já foi anunciada uma nova cimeira para o próximo ano em França. Agora, eu acho que é provavelmente, até mais do que o clima e apenas comparável com a ameaça nuclear, uma ameaça existencial. Nós estamos a falar do desenvolvimento de uma capacidade com extraordinário potencial para fazer todo o tipo de coisas boas, mas também para fazer todo o tipo de coisas péssimas. E sobretudo, temos este aspecto fundamental que é algo que nós não controlamos completamente, não percebemos completamente. Estamos a falar de criar deliberadamente algo que Evolui, que se vai desenvolvendo por sua própria conta, que vai desenvolvendo novas capacidades por sua própria conta, independentemente dos seus criadores. E, portanto, eu acho que aqui há uma coisa que deve ficar clara, mas que ainda não parece que tenha ficado completamente clara nesta cimeira, que é o modelo de gestão do setor tecnológico até aqui, que tem sido autogestão, autofiscalização, tem sido um total desastre. Isso ficou muito claro na questão das redes sociais, do potencial todo de desinformação que daí adveio. O que prevalece claramente quando é assim é a questão do maior lucro e do mínimo de constrangimentos de limites. E, portanto, acho que esse modelo devia ser claramente ultrapassado. Infelizmente, ainda não estamos aí, mas há aqui alguns passos positivos, nomeadamente esta ideia de que passará a haver uma obrigação de reporte de novos sistemas de inteligência artificial aos Estados e que há, aparentemente, independentemente destas dinâmicas de conflito e de uma nova Guerra Fria, um grande consenso em que estão os principais países, os Estados Unidos, a China e também, em terceiro lugar, a bastante distância, digamos, os países europeus, a Grã-Bretanha, a União Europeia, há um certo consenso que é preciso realmente agir, regular. E aí também vale a pena elogiar António Guterres e as Nações Unidas, que se disponibilizaram a criar um painel de peritos para já, mas Guterres tem sido talvez dos líderes mundiais que tem chamado mais a atenção para a importância de regular a sério este setor e evocou inclusive o exemplo da Agência Internacional de Energia Atômica, que eu acho que é o modelo aqui mais pertinente.
Ora, Bruno, vamos agora até aos Estados Unidos da América, que receberam em visita o ministro dos Negócios Estrangeiros da China e ao mesmo tempo tínhamos o primeiro-ministro da Austrália a visitar a China. Podemos aqui falar de um degelo nesta "segunda Guerra Fria"?
Sim, eu acho que eventualmente podemos estar a falar de um degelo e aí a palavra exatamente é importante, degelo, desanuviamento, détente, são tudo termos que foram usados na Primeira Guerra Fria para designar tentativas, no fundo, de gerir ou reduzir as tensões desse conflito geoestratégico global, de chegar a algum tipo de acordo entre potências rivais. E, portanto, acho que é um bom sinal que isso esteja a acontecer, que haja esta tentativa para gerir diplomaticamente essa competição, para minimizar sobretudo os riscos de conflitos, seja comerciais, seja sobretudo militares. Mas convém realmente perceber que estamos a falar disso, ou seja, não estamos a falar de ultrapassar, pôr de lado esta competição, de voltar, no fundo, ao período antes do início desta segunda Guerra Fria. E desse ponto de vista, é importante que desta visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, tenha saído a notícia de que ela está a servir para preparar uma cimeira entre o presidente Biden e o presidente Xi, portanto, os líderes máximos da China e dos Estados Unidos em São Francisco ainda neste mês. Será importante ver se ela realmente se concretiza, porque já temos tido casos de cimeiras anunciadas que depois acabam canceladas, mas se sim, seria um bom sinal. E por outro lado, temos também, nesse contexto e em linha até com isso, realmente este esforço do primeiro-ministro Albanese, que está no poder há mais ou menos um ano, para realmente melhorar as relações que estavam muito tensas entre a Austrália e a China. A Austrália tornou-se o principal aliado dos Estados Unidos nesta segunda Guerra Fria na Ásia-Pacífico. Isso não mudou. Aliás, Albanese fez questão de ir aos Estados Unidos mais ou menos há um mês atrás, mas de facto procura gerir as relações com a China de uma forma menos tensa e mais diplomática que o seu antecessor. Esta é a primeira visita de um primeiro-ministro australiano à China em sete anos e como parte também deste esforço, tem havido uma redução da guerra comercial que estava em curso. Praticamente agora a única coisa que faltava eram os vinhos australianos, que nós sabemos que existem e aliás competem bastante com os vinhos portugueses, mas que tinham tarifas muito elevadas na China e, portanto, aparentemente essas tarifas vão também ser agora reduzidas novamente no âmbito deste esforço de um maior entendimento.
E Bruno, muito rapidamente que estamos a ficar sem tempo. No Paquistão continua uma grave crise de refugiados afegãos, mais de 165 mil já foram obrigados a abandonar o país. O que explica esta mudança de postura tradicional de acolhimento do Paquistão?
O Paquistão durante muito tempo apostou em apresentar-se como o grande aliado da resistência afegã e, em particular, durante a guerra contra a União Soviética, dos mujahidin, daquela resistência armada, e depois dos Talibã. Eu resisto sempre muito a esta ideia de que o Hamas foi criado por Israel ou os Talibã foram criados pelo Paquistão. Certamente houve aqui dinâmicas também afegãs, mas é verdade que no caso dos Talibã, o papel de um Estado, de outro Estado, neste caso do Paquistão, foi especialmente importante. Eles basicamente surgiram nos campos de refugiados afegãos no Paquistão, entre os mulás, entre as escolas religiosas desses refugiados afegãos. Talib quer dizer aluno, portanto, eram alunos nessas madrassas dos mulás afegãos. O grande problema é que o Paquistão esteve realmente 20 anos a apoiar mais os Talibãs, mas esteve, nomeadamente durante estes 20 anos do conflito entre os Talibãs e os Estados Unidos e os seus aliados, e ignorou qual poderia ser o impacto disso depois. Achou sempre que daí iria resultar uma ótima relação com o regime dos Talibã e também uma boa relação, sobretudo nestas províncias da fronteira com o Afeganistão, onde a maioria da população, no interior do Paquistão, é de etnia pashtuna, ou seja, da etnia dominante também no Afeganistão. E, portanto, o que aconteceu, infelizmente, para o Paquistão não foi isso. Tem havido um crescendo de violência. Os Talibã paquistaneses, que são essencialmente pashtuna e desta região, têm intensificado os seus ataques e portanto, o Paquistão encontrou aqui um bode expiatório fácil, que é culpar os refugiados afegãos e, no fundo, retaliar contra os seus antigos aliados Talibã, deportando, estima-se que há volta de 2 milhões de refugiados afegãos que estão no Paquistão, deportando-os para o Afeganistão e criando ainda mais dificuldades no Afeganistão. Tudo isto, obviamente, é profundamente lamentável, nomeadamente do ponto de vista humanitário, para estas populações que são aqui, no fundo, um joguete nas disputas de poder entre o regime paquistanês e o regime Talibã.
Certo. Bruno, vou apelar à tua rapidez e não sei se consegues resumir isto em 30 segundinhos, mas vamos à África muito rapidamente, até à Etiópia. Faz um ano que a guerra terminou na região de Tigray. É uma paz sólida esta que tivemos durante este ano?
Não é, infelizmente. A Etiópia é um país muito importante, é o segundo país mais populoso de África, é o único Estado africano que nunca foi colonizado. Houve ali um período de exceção nos anos 30, mas basicamente foi sempre um Estado independente. Não é por acaso que está lá a sede da União Africana. Mas a verdade é que atravessou uma série de conflitos muito sérios. Pareceu com este novo governo, este novo primeiro-ministro, Abi, que estava a apostar no desenvolvimento económico, infelizmente, não tem sido assim. Tivemos uma guerra de dois anos entre 2020 e 2022, uma guerra civil central nesta zona de Tigray, que se estima que pode ter resultado na morte de entre 300 mil e 600 mil pessoas. Portanto, quando se fala de conflitos esquecidos e com dimensões praticamente genocidas, este é um excelente exemplo disso, infelizmente. Há aqui uma paz muito instável, um cessar-fogo muito instável, mas ainda por cima, na última semana, o primeiro-ministro etíope decidiu lançar ainda um outro desafio e lançar mais achas para a fogueira, dizendo que a Etiópia precisava de garantir o acesso ao Mar Vermelho e, portanto, parecendo lançar aqui uma ameaça para os países costeiros. A Etiópia é o país mais populoso que não tem acesso ao mar e aparentemente o primeiro-ministro etíope não está satisfeito, não apenas com uma paz instável nesta zona, mas parece estar determinado até a alargar o conflito em termos regionais. Vamos ver se isso não se confirma, mas não estou nada otimista em relação à paz nesta região.
Termina aqui mais uma viagem pelos cinco continentes com o professor Bruno Cardoso Reis. Voltamos para a semana. Até lá.
Até para a semana, Bruno.
Obrigado.