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Tarde em directo. Vem aí Ana Pimentel com a App da Vizinha. Olá, Ana, viva, como estás?

Olá, João.

Ora viva, Ana Pimentel.

Verdade, João Miguel e João Alexandre.

É verdade.

Em dupla.

Em dupla. Olha, Ana, então a App da Vizinha de hoje é para quem anda com os ouvidos colados ao ecrã, é isso?

É isso mesmo, João Miguel Santos. É para quem quer ouvir o que se passa no seu telefone. Mas a verdade é que nós somos sempre uma coisa muito complexa. Quando parece que já temos tudo o que podíamos ter imaginado, inteligência artificial, realidade virtual, realidade aumentada, robôs que fazem coisas por nós, o que se torna um fenómeno de popularidade? Uma aplicação de áudios, que serve apenas, no fundo, para falarmos e ouvirmos as outras pessoas. Chama-se Clubhouse e é uma aplicação que nas últimas semanas ganhou popularidade entre o mundo dos smartphones, chegando mesmo a ser a app mais descarregada na loja de aplicações da Apple em Portugal.

Mas há aqui uma particularidade, não é, Ana? Por falar em Apple, esta é uma aplicação que só está disponível para iPhone. Como é que isso funciona?

É isso, João. O Clubhouse é uma app mais restrita na sua utilização, portanto só está disponível para quem tem sistema operativo iOS, ou seja, para quem tem iPhone ou iPad, pelo menos por enquanto. E a verdade é que também só se chega a esta app por convite. Ou seja, não é qualquer pessoa que pode chegar à loja de aplicação, fazer o download e começar a participar nas discussões. A verdade é que à medida que os utilizadores vão entrando na aplicação, vão recebendo dois convites, que depois podem enviar aos seus contactos e é através destes convites enviados que depois se ganha a tal massa de utilizadores. Quando se recebe estes convites na aplicação, depois seguem por SMS para quem faz o login e quando introduzimos um código que recebemos por SMS na aplicação é que acabamos por começar a utilizar a app. E depois aí é começar a seguir pessoas ou tópicos, temas que nos interessem, porque uma das vertentes desta app é mesmo essa de discussão pública. Ou seja, quase como se funcionasse como uma conferência online à qual estamos a assistir, onde só se ouvem as pessoas. No fundo, como se estivéssemos a ouvir rádio, na verdade. Portanto, só se ouvem pessoas a falar.

Ana, e se eu não receber nenhum convite para aderir à Clubhouse, mas quiser muito fazer parte desta rede social, o que eu tenho que fazer?

Olha, João, podes fazer o download da app e reservar o teu username, o teu nome de utilizador. A app fica com essa informação e depois envia-te uma mensagem quando detectar que há um contacto teu presente na aplicação, uma espécie de lista de espera, que tu podes reservar pelo menos o teu nome para ficar ali já pronto para quando receberes o teu convite e o teu código para acederes à aplicação.

Fica no caderno de notas do porteiro, é isso?

Exatamente. É por aí. Se tiveres um telemóvel com sistema operativo Android e quiseres muito aderir, também podes respirar fundo, porque a aplicação é muito recente. Na verdade, tem menos de um ano. Ela nasceu em março de 2020 e só foi disponibilizada em abril, portanto ainda está aqui muito a par desta pandemia, ainda se encontra também numa fase muito experimental, mas a verdade é que os criadores também já disseram que estão a trabalhar numa versão da app para sistema operativo Android de momento e que esta ficará disponível em breve. Portanto, à medida que os utilizadores vão crescendo, acredito que seja mesmo para breve. E uma vez que tenhas uma conta, João, também podes fazer o que fazes noutras redes sociais. Portanto, segues pessoas, ouves as tais discussões públicas, as tais miniconferências, que na verdade até funcionam como uma conferência normal, portanto tem um moderador, tem um limite de participantes. Neste caso, as salas do Clubhouse têm um limite de 7 mil pessoas e todas estas conversas são conversas em tempo real. Portanto, quando se acabam, não há volta a dar. Não dá para ouvir mais tarde. A conversa acabou. Se ouviste, ótimo. Se não ouviste, azar. Mas também tu próprio podes criar a tua sala, que pode ser privada ou pública, e portanto podes ter conversas que podem ser acedidas por várias pessoas ou não.

Mas portanto, o que acontece no Clubhouse, fica no Clubhouse. Ana Pimentel, há muita gente conhecida a nível mundial que marca presença também nesta aplicação, não é?

É verdade, sim senhora. E aliás, essa até foi a razão pela qual a app passou a ser tão conhecida. Na verdade, ela é muito recente, como disse há pouco, e até janeiro tinha cerca de 600 mil utilizadores. Contudo, agora, segundo os dados mais recentes que eu estive a ver, já conta com mais de 8 milhões de utilizadores. Quer dizer, a par do crescimento dos utilizadores, óbvio que o valor desta startup também cresceu. Com o buzz criado à volta da rede social, os investidores ficaram cheios de vontade de fazer parte do fenómeno, com esta valorização. E em menos de um ano a aplicação já é um unicórnio, portanto já vale mais de mil milhões de dólares. Para termos uma noção, um mês depois de ter sido lançada, mais ou menos por maio de 2020, ela valia cerca de 100 milhões, portanto 10 vezes mais em menos de um ano. E por quê? Porque a verdade é que começou a reunir a atenção de algumas pessoas bem conhecidas, de alguns nomes bem conhecidos, como por exemplo, de Mark Zuckerberg, do Facebook, Jack Dorsey, do Twitter, Elon Musk, foi até a partir mais do Elon Musk que ela começou a ter mais notoriedade. E até o humorista Chris Rock já passou pela app e no fundo tem havido alguns famosos que têm invadido a aplicação e feito ainda mais buzz à volta desta rede social.

Ana, e com tanto ruído e tanto buzz à volta da aplicação, como é que estamos ao nível da privacidade?

Pois, exactamente. Vamos ao outro lado da moeda, ao dark side de tudo isto. Mas é isso, João, não nos podemos esquecer que sempre que acedemos a este tipo de aplicação, estamos a dar coisas invisíveis aos seus criadores. Neste caso, e sempre que se fala de apps, estamos a dar os nossos dados. E a verdade é que já surgiram aqui algumas notícias que nos devem deixar aqui atentos. Os investigadores do Observatório da Internet de Stanford, nos Estados Unidos, por exemplo, identificaram algumas falhas na aplicação, agora em fevereiro. Eles concluíram que a aplicação deixa os dados dos utilizadores vulneráveis e acessíveis ao governo chinês. A verdade é que depois de eles identificarem esta falha de segurança, os criadores disseram que iam corrigir as vulnerabilidades. Mas Alex Stamos, que já foi executivo do Facebook e agora é responsável por este observatório, chegou mesmo a dizer que pelo aquilo que tinha visto, era impossível a aplicação prometer privacidade aos seus utilizadores. Depois desta notícia, já houve outras relacionadas com a privacidade da aplicação. Segundo a Bloomberg, por exemplo, num artigo de hoje, um utilizador anónimo já conseguiu transmitir aqui uma série de conversas em várias salas numa outra página, ou seja, fora da app. Os criadores vieram dizer que baniram para sempre este utilizador, mas a verdade é que ele conseguiu pirateá-la e portanto, isto já devia ser suficiente para nos alertar. E é uma app que está no início. Portanto, com este boom de utilizadores, é provável que com a continuidade se vão descobrindo mais algumas coisas. Nós cá estaremos para detectar e para alertar.

Muito bem, contamos contigo para revelar todas as vulnerabilidades, e não só, da Clubhouse, que é a rede social do momento. Amanhã há a newsletter Startups, certo, Ana Pimentel?

Certíssimo. Esteve aqui um pouco interrompida, mas regressa amanhã, como é habitual, ao final do dia, com as novidades dos negócios tecnológicos.

Cheia de força.

Para estarmos a par.

Cheia de força e com muito êxito. Ana Pimentel e a app da vizinha. Até para a semana, Ana.

Até para a semana. Adeus. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.