Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Junta-se a nós, como é habitual, a editora de startups e tecnologia do Observador, Ana Pimentel. Olá, Ana, bem-vinda.

Olá, Ana, bem-vinda.

Ana, há uma app que nos deixa saber como é que vamos ser quando formos velhos, com mais idade.

É verdade.

O que é que se passa? Explica-nos tudo.

É verdade, hoje parece que o mundo acordou e de repente nas redes sociais toda a gente era muito mais velha, cheia de cabelos brancos e muitas rugas. Sim, é uma trend neste momento, é uma tendência do dia.

Mas todos sorridentos.

Sim, e todos muito bem. Aliás, eu vi como fica o Ricardo e estou ansiosa para ver os próximos anos. É verdade, hoje o mundo acordou para esta tendência, mas esta app, que se chama Face App, não é nada nova. Isto é uma app que nasceu em 2017, na Rússia, foi desenvolvida por um programador que se chama Yaroslav Goncharov, espero ter dito isto bem.

Irrepreensível.

Segundo o LinkedIn, ele foi um ex-engineer da Microsoft. Esta empresa é russa, tem sede em São Petersburgo. O que é que isto faz? Isto pega numa foto que podemos tirar na hora, portanto uma selfie, ou então noutras fotos que tenhamos no telemóvel. Isto podem ser nossas ou de outras pessoas quaisquer, famosos, amigos, etc. E modifica, é como se aplicasse um filtro, mas não é bem um filtro, já vou explicar isso melhor, e distorce completamente a realidade.

Mas como é que faz isso?

Primeiro ela distorce a realidade porque-

No meu caso, eu não acreditei nada, mas tendo visto outros que...

Ricardo, ela distorce a realidade porque pega numa foto nossa, agora, consegue pô-la com uma aparência completamente muito mais velha, como se tivéssemos 70 ou 80 anos, mas também tem outras opções. Ela consegue inclusive trocar de gênero, portanto, eu consigo ver como é que eu ficaria se fosse um homem e consigo ver como é que eu ficaria loira, com um corte de cabelo com franja, com um ar mais cool, mais nova, etc. Ela permite isto tudo.

Essa parte do cabelo dá imenso jeito, não é? Porque quando vamos ao cabeleireiro temos tantas decisões.

Eu acho que é a única utilidade.

Ana, mas os filtros do Snapchat e do Instagram já não faziam isto?

Não é bem. É parecido, porque aquilo que os filtros do Instagram e do Snapchat fazem recorrer a outra tecnologia, que é da realidade aumentada, que torna tudo muito mais fantasioso. Ou seja, é por causa disso que eu, em tempo real, aliando a câmera do Instagram e do Snapchat, eu consigo ver como é que eu fico com umas orelhas de gato ou de cão, etc. O Instagram e o Snapchat são muito mais fantasiosos. Aqui a Face App, não. Ela é muito realista, é quase o equivalente a um trabalho de caracterização no cinema ou no teatro. Quando um ator é caracterizado para parecer completamente diferente ou muito mais velho. Aqui isto faz exatamente o mesmo, o objetivo é sempre tornar a foto o mais real possível, o que é assustador.

É assustador, Ana. Eu vi a minha e lá está. É como diz, assustei-me um bocadinho. Mas como é que isto é possível?

Isto é possível porque a empresa não usa, como estava a dizer, a realidade aumentada, usa uma outra tecnologia, que são as redes neurais. Isto é uma coisa muito mais difícil de explicar do que aquilo que eu vou agora dizer, mas basicamente, muito resumidamente, é uma tecnologia de inteligência artificial que reconhece padrões. Neste caso, é a fisionomia das pessoas. Os nossos olhos, o nariz, a boca, etc. Aprende com esses padrões e vai melhorando. Portanto, quanto mais pessoas estiverem a utilizar esta app e a ceder estas imagens, porque isso também é outro assunto que vamos falar mais daqui a pouco, o algoritmo aprende e melhora. Qual é o problema disto? É que ao contrário do Instagram e do Snapchat, que podem ser utilizados offline, porque tudo acontece dentro da app, aqui não. Aqui a transformação da fotografia é feita na cloud. Nós tiramos a foto agora e quando resolvemos aplicar o filtro para ficarmos mais velhos, ela entra ali naquela bolinha a circular, vai ao servidor da empresa e volta para nós já.

Ou seja, estamos a fornecer os nossos dados.

Exatamente.

Esta é a parte chata.

É, esta agora é a parte chata, é a parte dos riscos. Começa logo por aqui. Esta app acede logo às nossas fotografias, a todos os ficheiros multimídia que tenhamos no telefone. E essas imagens, como bem sabemos, estão carregadas de informação, desde o sítio onde nós tirámos, a hora que tirámos, etc.

Mas daquela fotografia em particular ou da nossa galeria?

Da nossa galeria. E não sabemos muito bem o que é que os computadores da empresa, o que é que esta cloud, esta empresa russa faz com isso. Se são destruídas, ficam por lá, não sabemos. Depois há ainda mais problemas relacionados a isto. O Face App tem uma página com a sua política de privacidade, onde admitem várias coisas. Uma delas é que podem partilhar informação sobre nós, portanto, essas informações todas que recolhem com os negócios que pertencem ao mesmo grupo de empresas a que pertence a Face App. A Face App pertence a uma empresa que é a Wireless Lab, uma empresa russa, que desenvolve tecnologia de inteligência artificial e sobre a qual também não temos muito mais informação. Além disso, há aqui outros alertas. Eles usam ferramentas de análise de terceiros, que recolhem informações enviadas pelo telemóvel, como por exemplo, as páginas web que visitamos, e podem ainda recolher informação sobre a forma como as pessoas usam a app, porque no final, quando nós acabamos de tirar esta fotografia, nós podemos enviá-la pelo WhatsApp para um amigo, podemos partilhá-la no Instagram, podemos partilhá-la no Twitter, etc. E a app supostamente tem acesso a tudo isto. Ainda há aqui mais.

Estou a ficar um bocadinho assustada.

Exato. Por isso é que isto é mesmo assustador, não é?

Peço desculpa, estou a apagar.

Estás a apagar a informação. Mas a verdade é que ainda há outro alerta que eles falam. Outro alerta, não. Nós é que entendemos como alerta, porque é mesmo, eles podem partilhar esta informação toda com parceiros de publicidade. Que no fundo, isto já é o pão nosso de cada dia. Isto é aquilo que permite que as redes sociais e uma série de negócios na internet depois façam a tal publicidade direcionada, segundo aquilo que é o nosso perfil, consoante as coisas que andamos a ver, as páginas que visitamos e aqueles que são os nossos interesses. Por último, só há aqui mais uma coisa que eu acho que é muito importante falar, é que na era das fake news, isto é uma total apropriação da imagem alheia. E nós vivemos numa era em que é muito difícil, cada vez mais está a ser difícil distinguir aquilo que é real daquilo que é fictício, o que é que é verdade e o que é que não é, e isto abre aqui uma porta imensa para todos estes cenários.

Portanto, a melhor forma de não correr riscos é não usar esta aplicação de todo, mas Ana, ela podia dar uma ajuda para percebermos como é que vai ser a tua newsletter de amanhã, não é?

Olha, podia, mas não vai dar. Não chega a isso. Não, eu não deixo.

Vamos mesmo ter de esperar.

Vamos mesmo ter de esperar amanhã pelas novidades que vêm aí nas startups e na tecnologia. E se entretanto tiverem a Face App e acharem por bem coaster os vossos dados, usem à vontade. Se acharem que não é assim tão bom para vocês, já sabem o que é que têm de fazer. Foi girro para testar, mas depois adeus.

Ana Pimentel é editora de startups e tecnologia do Observador, está sempre connosco na App da Vizinha. Obrigada, Ana.

Rádio Observador. Ouça este e outros conteúdos em observador.pt/rádio e subscreva os nossos podcasts.