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A Caminho de Belém, na Rádio Observador, às quintas e sextas reunimos os apoiantes e representantes dos principais candidatos à Presidência da República. Ontem terminou o prazo para a entrega de candidaturas à presidência. Foram entregues 14 entre as 43 inicialmente registradas no portal da candidatura. Está já sorteio para arrumar os 14 candidatos no boletim. Ricardo Soares é o primeiro, Henrique Gouveia e Melo é o último da lista. Eu sou o Ricardo Conceição, comigo está a Judite França. Judite, quem são os nossos convidados hoje?
Francisco Rodrigues dos Santos, em representação da candidatura de Henrique Gouveia e Melo, Adalberto Campos Fernandes, em representação da candidatura de António José Seguro, Cristina Rodrigues, em representação da candidatura de André Ventura e daqui a pouco juntar-se-á a nós Duarte Marques, em representação da candidatura de Luís Marques Mendes. Bem-vindos, obrigada por terem aceitado o nosso convite. E temos de começar precisamente pelas explicações dadas por Marques Mendes esta tarde. Marques Mendes foi Miguel Poiares Maduro.
Na pessoa de Poiares Maduro.
Exatamente. Na sequência das dúvidas suscitadas pela notícia inicialmente publicada pela Sábado. Adalberto Campos Fernandes, o assunto fica encerrado?
O assunto ficará encerrado. Nós partimos do princípio de que quando este tipo de fenômeno ocorre na proximidade de uma campanha eleitoral, ficamos sempre na dúvida sobre quais os reais objetivos de quem lança este tipo de campanhas. O doutor Luís Marques Mendes está no espaço público há tantos anos, teria havido muito tempo e muita oportunidade seguramente pra o escrutinar e, portanto, é um escrutínio que aparece de repente, servindo propósitos e conveniências de outrem. Qualquer das maneiras, como tem dito o António José Seguro, nesta campanha eleitoral há um princípio geral que se aplica em todo o tempo da vida democrática e é que quem não deve não teme. E, portanto, o que o doutor Luís Marques Mendes tem que fazer é aquilo que está a fazer, é expor, naturalmente, o seu percurso profissional e demonstrar se existem ou não alguns conflitos de interesse que sejam insanáveis pra cargo a que se propõe concorrer. Mas nós, do nosso lado, não alimentaremos este tipo de campanha, não alimentaremos esta tentativa de criar um pântano pré-eleitoral e, portanto, desejamos sinceramente, quando há uma dúvida, a dúvida é esclarecida e que o que se debata sejam as ideias e as propostas pro futuro de Portugal e não este jogo, que é um jogo sujo, que infelizmente é praticado há demasiado tempo na democracia portuguesa e nós vamos sabendo por quem e com que propósitos.
E nesta declaração, dá há pouco, nesta conferência de imprensa de Miguel Poiares Maduro, Francisco Rodrigues dos Santos, foi lançado um desafio a outras candidaturas, nomeadamente à candidatura de Henrique Gouveia e Melo, que concretize que suspeitas é que têm sido levantadas. Vamos ver essa concretização ou não?
Bom, em primeiro lugar, boa tarde, não vou estar aqui novamente convosco. Atingir e determinar como alvo desta suspeição generalizada acerca dos últimos anos de carreira de Luís Marques Mendes como sendo um propósito eclodido da candidatura do almirante Gouveia e Melo, parecem-me notícias manifestamente exageradas e talvez uma tentativa de transferência do odioso destas interrogações e questões devidamente levantadas para um adversário político, talvez para distribuir o dano que está a ser causado, evidentemente, à candidatura Luís Marques Mendes. Por uma razão simples: o escrutínio pré-eleitoral é útil na medida em que todos que nos propomos, nomeadamente a cargos políticos, podermos dar a garantia aos eleitores que temos uma ficha limpa, nomeadamente ao nível das incompatibilidades, dos conflitos de interesse e da transparência com que nos propomos ao desempenho, nomeadamente a função de presidente da República. Isto parece-me saudável, por quê? Nós já temos um primeiro-ministro, esta semana novamente voltou a alimentar a notícia relativamente a uma fiscalização preventiva, que aparentemente traga em vida como consultor de uma sociedade de advogados e na mediação entre negócios. Mas enfim, quem é que nos garante que amanhã o país não acorda com um presidente da República que tem exatamente o mesmo itinerário profissional, mas que, se não for devidamente fiscalizado, poderá posteriormente ter que haver essa fiscalização e escrutínio para clarificar pontos que a montante já deviam ter ficado devidamente assentes. Ora, neste caso em concreto, o que eu gostaria de dizer é que há algumas parecenças. Aqui no Observador, Luís Marques Mendes foi perguntado acerca de uma sociedade da qual foi sócio, que esteve envolvida na operação Labirinto, da atribuição de vistos gold, em que no âmbito desse processo, o presidente do Instituto de Registos e do Notariado acabou por ser condenado e não se lembrava. Enfim, deu explicações públicas na altura. É manifestamente conhecido que foi sócio de mais duas outras pessoas e que houve na altura a necessidade de dar informações aos portugueses e que ficou a pairar desde essa altura uma certa ideia de poder ter havido um tráfico de influências, que no caso até do próprio acabou por ser completamente ilibado. Agora, relativamente a estes montantes avultados, a mim parece-me estranho e vi como cidadão que as pessoas, nomeadamente os pagadores, não se recordem dos montantes que pagam a título de avenças a prestadores de serviços, como no caso Luís Marques Mendes. E por outro lado, também acho um pouquinho suspeito que Luís Marques Mendes não tenha o ímpeto nem a vocação imediata de prestar as devidas informações aos portugueses.
Entendo que o caso não fica arrumado hoje.
Enfim, agora, pelos vistos, foi divulgada uma lista.
Dos 22, sim.
O que me parece fundamental é o seguinte: de acordo com a lei, dos titulares de cargos públicos, todas as pessoas, inclusive os políticos, podem ter empresas, não há problema rigorosamente nenhum. O que estão proibidos de fazer nos termos da lei é, durante o exercício das funções políticas, terem negócio e ter atividade e receberem proventos dessa atividade econômica. Ora, o que nós queremos saber, no caso do Luís Marques Mendes, que é um candidato a presidente da República, é se no quadro dos clientes que tem, das atividades que desenvolveu durante muito tempo como consultor de uma sociedade de advogados, vá-se lá saber o que isso é, é se no futuro não teremos um presidente da República que esteve envolvido em tráfico de interesses ou se existem alguns clientes que devem ser registrados ao nível das incompatibilidades e conflitos de interesse no quadro das atribuições a que ele se propõe como presidente da República. Isso parece-me evidente num Estado de direito democrático, porque fiscalizar a priori fará sentido até pra informar a escolha dos eleitores. Quando a montante e consequentemente e a correr atrás do prejuízo procuramos fazê-lo já no exercício de funções, temos alguns aparatos mediáticos que são totalmente desnecessários.
Senhor Rodrigues, entende também que este caso fica arrumado ou nem por isso?
O que eu acho que este caso ilustra bem é a necessidade de realmente regulamentarmos o lobby, porque aquilo que me parece, e sublinho parece, é que era essa a função que Marques Mendes tinha na empresa dele e mesmo quando trabalhava para Abreu Advogados. Portanto, aquilo que me parece é que ele era pago para eventualmente intermediar negócios. Por que era importante que já tivéssemos uma regulamentação do lobby e não temos? Precisamente para percebermos aquilo que o Francisco estava a dizer. Se realmente há alguma potencial situação de conflito de interesses, se houve alguém que eventualmente teve uma vantagem acrescida por esta intervenção do Marques Mendes, e são coisas que eu acho que nós não conseguimos saber, pelo menos para já, com a mera divulgação da lista. Por outro lado, foi curioso que nesta conferência de imprensa que foi dada, o representante tivesse dito que era muito importante e que suscitava até que os restantes candidatos viessem apresentar também informação. Nada contra a informação, mas só agora em que supostamente está em causa Marques Mendes é que se lembraram da importância da transparência e também da importância do conflito de interesses. Portanto, parece-me que poderá haver aqui mais alguma coisa para esclarecer. Acho que não é positivo que não tenha sido o próprio candidato a prestar os esclarecimentos. Acho que era ele que devia estar naquele lugar e naquele momento a fazer os esclarecimentos necessários.
Ricardo, eu gostaria só em dois segundos de manifestar aqui alguma coisa.
Temos o Duarte Marques aqui ao telefone, vamos já chamá-lo.
Talvez ajude o próprio Duarte Marques. Efetivamente eu não tenho nenhuma procuração, nem nós, para defender o candidato A, B ou C. O que nós queremos é defender a ética republicana e a transparência. Mas eu pergunto: o doutor Luís Marques Mendes é conselheiro de Estado há quantos anos? Há quantos anos o doutor Luís Marques Mendes tem depositada no Tribunal Constitucional a sua declaração de rendimentos, que nos termos da lei, obriga a fazer tudo aquilo que os meus colegas de painel estão a definir? A curiosidade que fica é saber o que entretanto aconteceu de novo, que está omitido da declaração de rendimentos, na condição de conselheiro de Estado, e por que isto é metido no meio de um processo de campanha assim desta forma. E eu concordo com o que foi dito pela Cristina, todos os candidatos têm que fazer prova da sua condição de elegibilidade para presidente, mas há coisas que o povo e o sentido do povo, que é muito sensato nessas matérias, percebe o que é que pode significar este tipo de preocupação repentina que surge.
Duarte Marques, chamo também à conversa, ainda está conosco por telefone. Não há mais nada para esclarecer depois da conferência de imprensa de Miguel Poiares Maduro? Julgo que não.
Não há mais nada a esclarecer, surpreendemos neste momento.
Vemos que não temos Duarte Marques ao telefone?
Não estamos a conseguir ouvi-lo, no entanto, Duarte Marques está a caminho dos estúdios.
Exatamente.
Está a caminho de Belém.
Está, neste caso, a caminho de Alvalade. Está a caminho de Alvalade e daqui a pouco vamos voltar a isso.
Vamos voltar a este tema.
Já agora, Francisco Rodrigues dos Santos, não teme que este tipo de campanha, depois quando rebenta, vai para todo lado. Não teme que insistir neste tipo de campanha possa ser prejudicial também para a classe política?
Não é político, queres dizer?
Não é isso. Sou o maior adepto do escrutínio e acho que o escrutínio deve estar sempre acima de tudo. Mas o que é facto é que temos assistido a este desenrolar de acontecimentos, de queixa anônima, processo, suspeita, e depois as suspeitas colam-se. E nós queremos pessoas válidas na política, não é?
Eu estou inteiramente de acordo com esse princípio. Eu só não consigo ainda perceber porque é que, de forma mais ou menos velada, está a tentar imputar à candidatura do Henrique Oliveira e Melo o surgimento destas suspeitas sobre Marques Mendes. Ó Ricardo, eu não estou a dirigir-me para si, eu estou a ter o debate, eu estou a excluir o moderador, naturalmente. Até porque o moderador é um sapiente e um sábio jornalista, com um hábito profissional inquestionável e a toda a prova, e até porque representa a Rádio Observador, saberá que a primeira vez que o tema do passado profissional de Luís Marques Mendes veio a ser escrutinado à lupa nesta campanha eleitoral, foi precisamente aqui nesta casa, quando foi perguntado acerca dos compagnons de route, os sócios de uma JMF, uma empresa implicada no Opuição Labirinto, Luís Marques Mendes, entretanto, de forma amnésica, esqueceu completamente qual era e quanto foi a participação que teve no âmbito de um processo onde a filha do sócio Luís Marques Mendes estava diretamente implicada e cujo pai foi condenado.
Deixe-me fechar a pergunta.
Fecho a pergunta.
Quando Henrique Oliveira e Melo e Cotrim Figueiredo, por exemplo, levantam suspeições, levantam suspeitas que não concretizam, que tipo de qualidade é que trazem para o debate político ao fazer isso, quando não concretizam nada?
Em primeiro lugar, eu quero dizer o seguinte: que o escrutínio pré-eleitoral, a começar no povo, nos órgãos de comunicação social e até nos oponentes que concorrem às eleições, não é perseguição. É clareza, é transparência e é uma investidura de confiança que dignifica a própria democracia. Isto é um ponto importante, e é melhor fazê-lo a priori do que mais tarde acordarmos com um escândalo ou um conflito que resulta de interesses que não foram registados, de um contraste entre a atividade pública e a atividade profissional insanável, ou até de um conflito de interesse. Isto porque fique muito claro. Depois, eu também sou da opinião, hoje em dia defende-se como uma grande virtude os políticos terem também uma carreira profissional. Tendo aqui ao meu lado uma pessoa que para além de um ótimo médico Percurso como professor universitário e ninguém está todos os dias quando iniciam os debates com Adalberto Campos Fernandes a tecerem grandes loas por essa circunstância que devia ser básica. Essa ideia de que os políticos devem ter carreira profissional, têm aqui também à vossa frente o humilde exemplo que tive uma participação partidária exclusiva e neste momento, já há muitos anos, dedico-me à minha atividade profissional. É bom que também haja uma cultura que dê a liberdade aos políticos, no quadro da lei, de poder-
Temos que atalhar.
É muito bem, vamos atalhar caminho. De poderem desenvolver os seus projetos profissionais da forma que melhor lhe aprouver. Agora, o que estamos a falar não é isso. Estamos inclusivamente a dizer que é necessário que haja garantias constitucionais e políticas que blindem o exercício das funções públicas, nomeadamente ao nível do conflito de interesse, das incompatibilidades, que essas têm que ser declaradas nos termos da lei. Nós não sabemos se foram ou não foram. Nós queremos um presidente da República que garanta independência no exercício das suas funções, não só dos partidos, mas dos interesses privados, que não tenhamos um novo paradigma na política, que os mediadores de negócios depois vão exercer cargos, talvez pra fazer uma ponte entre uma atividade de interesses conflituante com uma atividade política. E, por outro lado, nós queremos, efetivamente, pelo menos do lado em que eu estou, do Henrique Coveia e Melo, avalizar e propor um perfil de alguém cuja carreira profissional é conhecida, está tabelada no âmbito da função pública, inclusivamente nas funções que foi chamado a exercer na esfera pública do Estado, foi pra meter a administração pública a funcionar.
Vamos ouvir o Duarte Marques, que entretanto se junta a nós. Bem-vindo, Duarte Marques. Está a recuperar ainda o fôlego.
Eu estava a ouvir a emissão. Tentei falar, ouvia-vos, mas não me ouvia a mim.
Exatamente. Está tudo esclarecido?
Eu acho que desta parte está tudo esclarecido. Eu vinha ouvir o Francisco e o Francisco dizia uma coisa que é inacreditável. Ele diz uma coisa e o seu contrário logo a seguir.
Fantástico. Conseguiu ouvir isto tudo?
Consegui, porque nós quando vemos de onde é que vêm estas denúncias, vemos logo de onde é que vem o discurso.
Mas foi o que denunciei.
E o caso que aconteceu hoje.
O que é que aconteceu? Começa por aí.
Eu estava a ouvir o Francisco. Os titulares de cargos públicos que têm que revelar a sua lista de interesses, etc.
Isso é verdade, é na lei.
E aquilo que aconteceu hoje em dia, e hoje aconteceu, foi Luís Marques Mendes revelou aquilo que são os clientes da sua empresa na qual ele declara. Ou seja, nenhum candidato revelou quem são os seus clientes. Ninguém pede que reveleça. António José Seguro tem uma empresa de vinhos. Não quer perguntar quem é que lhe compra o vinho. Obviamente. Isto não tem interesse nenhum. Luís Marques Mendes não tem que revelar quem é que são os clientes do escritório onde ele é empregado, tal como o Francisco, que é advogado, devia saber isso.
Isso é que é o conflito de interesses, ó Duarte. Estamos a acabar. Onde é que é inacreditável tudo isso?
Não, já lá vamos, temos tempo.
Temos tempo. Um minuto.
Pela transparência das declarações, e não revelar, mas quais conflitos de interesses? Quando uma pessoa tem uma vida pública e revela publicamente quem é que são as pessoas com quem trabalha, estamos a falar de conferências. A lista que hoje foi divulgada, a maior parte são conferências em empresas, em entidades, em associações, etc. Não é aquilo que as pessoas estão à espera que seja, na realidade, uma coisa muito complicada. Não é por as pessoas terem uma vida privada e uma vida profissional, o ter uma profissão, ter uma atividade como advogado, como consultor, como jurista, que eu sabe, em Portugal não é crime. E há aqui uma coisa que eu queria pegar, era aquela questão que o Francisco estava a falar. Nestes últimos de quase 18 anos, quando estava até a comparar com o caso de estar em funções públicas, Luís Marques Mendes não tinha nenhum cargo público que fosse incompatível com a atividade profissional. Até porque o único cargo público que tinha, se eu não estou em erro, não é sequer remunerado, que era ser conselheiro de Estado. Mas isto não tem comparação nenhuma.
Estamos a falar pra o futuro.
O que eu estava aqui a dizer é-
No passado nunca ninguém disse nada.
Calma.
Nós vamos voltar a tudo isto na segunda parte, mas Duarte Marques temos mesmo que concluir.
Era só para terminar dizendo o seguinte: o Luís Marques Mendes disse logo de início que iria revelar quem é que eram os clientes da sua empresa, que era aquilo que podia fazer, não tinha obrigação nenhuma de o fazer, mas já que houve um que foi divulgado e que as pessoas queriam tanto saber, ele mostrou, não tem nada a temer, eu até revelo. Revelam, estão aqui. Primeiro demorou mais uns dias porque perguntou às pessoas se não se importavam, porque é uma questão de proteção de dados, e fê-lo. E agora, nós o que fizemos foi também, já que estão todos tão interessados no Luís Marques Mendes, também queremos saber se há algum tipo de conflitos de interesses, desde cedo que possam surgir de outros candidatos. Por quê? Porque os candidatos podem ter também clientes, podem ter apoiantes que foram seus fornecedores. Podemos fazer esse escrutínio com toda a gente, mas é isso que nós queremos mesmo? Nós queremos que as pessoas revelem, se tiverem. Se não tiverem, está tudo bem.
Já vamos voltar a este tema na segunda parte de E o Vencedor É. Estamos aqui na segunda edição da semana do E o Vencedor É, do E o Vencedor não, do A Caminho de Belém.
Já agora deixava de responder essa pergunta com estas sondagens.
Já estou a trocar os episódios. Isto a vida custa a todos. A Caminho de Belém, hoje com Francisco Rodrigues dos Santos, Adalberto Campos Fernandes, Duarte Marques e Cristina Rodrigues. Eu sou Ricardo Conceição e comigo está a Judite França.
E Duarte Marques, como chegou atrasado na primeira parte, vamos dar-lhe a oportunidade para voltar ao tema. Dizia que as 22 empresas são o suficiente para que o caso fique esclarecido. A lista é suficiente ou é preciso, por exemplo, saber os valores que cada uma dessas empresas pagaram a Marques Mendes?
Bem, eu diria que é suficiente saber aquilo que foi pedido e que foi anunciado, que era saber quais são as empresas, ou seja, quais são os clientes, onde é que o presidente, se tiver que intervir no futuro. A questão é esta, que o presidente da República não intervém na vida das empresas. Se fosse um ministro, um presidente de câmara, etc, era diferente. O presidente da República não vai interferir ou não vai tomar decisões que afetem a empresa A ou B. Isso parece que é claro.
É o caso mais importante.
Claro, sabermos qual foi o passado do presidente da República que vamos eleger é importante e é fundamental. E se alguém levantar uma questão ou uma dúvida, ele tem a obrigação de esclarecer, e ele esclareceu. Por quê? Porque houve um conjunto de denúncias feitas por Uma entidade, que sabemos quem é.
Quem é?
Não interessa. É ligada a uma candidatura. Tentou provocar um inquérito do Ministério Público. Enviaram pra várias redações, aqui também devem ter chegado, coisas que são aldrabice pura, coisas que são feitas de uma determinada forma.
Mas qual é essa candidatura?
Não interessa. Isso a gente já percebeu. Basta ver a agitação.
Mas ainda há pouco ouvimos Miguel Poiares Maduro a desafiar todas as candidaturas a não fazer esse tipo de campanha.
Como eu não tenho a certeza.
E agora estamos ao vivo precisamente a fazer exatamente a mesma coisa.
Se eu estivesse a dizer qual era a candidatura, estava a fazer insinuações sobre um candidato. Ok?
Você está a fazer insinuações.
Mas você não tem a certeza.
É o contrário. Se concretizasse, já deixa de estar nestas condições. Está se a afirmar. Se eu tivesse a certeza e tivesse visto, eu diria o nome. Mas como eu não tenho a certeza, eu não vou dizer ninguém. Não sou como alguns que dizem: "Fulano deve fazer assim, ou assado, ou que se diz isto". Não, não fazemos isso.
Mas está a fazer.
Não, eu não estou nada a fazer. Se eu dissesse que tinha uma suspeita e que conhecia a candidatura do André Ventura.
Estava uma suspeita sobre todas as candidaturas.
Não estou, porque eu não estou dizendo o nome. O que eu acho importante dizer é: este esclarecimento é suficiente, tendo em conta aquilo que era a suspeita, e que era a dúvida, e que era importante saber com quem é que a pessoa que é candidata teve relações profissionais, eu diria que sim. Já sabemos que o Tomás Marques Mendes fez uma conferência no McDonald's, fez uma conferência por uma associação ligada à energia, trabalhou seis meses, ou um ano, ou dois anos, ou três anos por uma empresa de construção. Já sabemos que trabalhou com essas entidades. E diria que é suficiente saber com quem é que trabalhou. Eu acho que qual é o montante é um bocadinho indiferente. Nós estamos a falar em alguns casos de uma atividade que é pontual, como seria, por exemplo, escrever um livro, fazer uma publicação, uma conferência, e outras atividades que são mais diluídas no tempo.
Desculpe, Marques Mendes. Temos só aqui mais uma dúvida.
Isso está escrito e está dito por nós na candidatura.
Por que não foi o candidato Marques Mendes a dar a cara e a voz há pouco no hotel?
Foi o doutor, foi o candidato Marques Mendes. Nós tínhamos uma reunião da comissão política em que ele estava a assistir e a ouvir as opiniões de toda a gente que faz parte daquele órgão, e achamos que pra esta matéria, o esclarecimento é sobre ele, mas também tínhamos outras pessoas na candidatura, que têm um passado também à prova de bala do ponto de vista ético e moral, e de uma experiência na transparência de várias entidades que são credíveis, e nós quisemos também associar essas pessoas a essa posição e ao desafio que fizemos. E, portanto, as candidaturas têm várias pessoas que falam por elas. Achamos também num tema que é pessoal ao Tomás Marques Mendes, foi ele que aqui no Observador, questionado por vocês, se disponibilizou a dar a argumentação. Foi ele que a preparou, foi ele que a deu e nós como estrutura de campanha, estamos cá também pra ajudar a esclarecer aquilo que for preciso. Por isso é que eu estou aqui hoje e estão aqui outras pessoas também para esclarecer.
Vamos passar ao próximo tema. Alberto Campos Fernandes, na última sondagem que foi conhecida, António José Seguro é relegado para quarto lugar atrás de Cotrim Figueiredo. Apesar de não gostar de comentar as sondagens, como nós sabemos, não é um indicador a levar em conta?
Não, eu aliás creio que vamos ter sondagens que vão ser divulgadas dentro em breve com esse sentido contrário. O que nós não faremos nunca é o que o candidato Henrique Coveia e Melo acabou de fazer, vimo-lo agora em direto nas notícias, acusar de falta de profissionalismo as empresas de sondagens. Nós convivemos bem com sondagens que estão menos favoráveis ou mais favoráveis, e consideramos, como eu sempre tenho dito aqui ao longo dessas semanas, que só uma sondagem conta, que é no dia 18 de janeiro. Estamos a guardá-la, já temos uma gaveta quase cheia. Vamos fechar a gaveta e depois vamos abrir no fim e vamos fazer a comparação. Portanto, nós não diminuímos as empresas de sondagens. Claro que uma crítica que nós fazemos, e até fazemos do ponto de vista estatístico e metodológico, fazer radares onde se misturam barômetros com sondagens, com metodologias diferentes, é um exercício jornalístico, não é um exercício técnico, mas é muito interessante, porque repare, é sempre bom partir de baixo com expectativas baixas pra depois surpreender. E não há dúvida nenhuma que a serenidade que António José Seguro tem revelado e tem demonstrado, aliás, ontem com uma iniciativa fortíssima que envolveu todo o Partido Socialista com uma primeira grande iniciativa no almoço que ocorreu ontem em Lisboa. Eu diria que aparecerão sondagens pra todos os gostos. Penso que o vento está a começar a mudar e a mudança do vento justifica tanta turbulência marítima que nós estamos a ver à nossa volta, mas nós estamos tranquilos. Nós somos a candidatura da serenidade, da tranquilidade e digamos assim, como o doutor Luís Marques Mendes disse, ou o Miguel Poiares Maduro disse, se é necessário que todos façam uma espécie de striptease da sua vida empresarial e profissional, façamo-lo, mas isso não é discutir Portugal, isso é levar a política pro rodapé em que nós temos nos últimos anos constantemente estado a levar, porque a justiça tem instrumentos pra fazer isso. E o povo é inteligente naquilo que faz na apreciação soberana, no momento do voto e, portanto, os esclarecimentos fazem-se, mas eu acho que perderão muitos aqueles que insistiram no próximo tempo em meter na campanha não ideias, mas sim lama. Ideias é aquilo que se pretende discutir. Marques Mendes é um nosso adversário importante, está na vida pública há demasiado tempo, enfim, um homem que nos entrou pra televisão todos os domingos como visita de casa durante tanto tempo. Como eu disse no princípio, só me espanta agora esta inquietação tão súbita com o perfil de Luís Marques Mendes. É porque ele está à beira de candidatar-se a presidente da República? Bom, então, se é esse o caso, que o seja, que todos mostrem aquilo que estão a fazer. Eu tenho a certeza que o António José Seguro terá o maior gosto em dizer quem são os clientes que lhe compram o vinho da produção agrícola que ele tem e o azeite. Portanto, isso será, de facto, muito interessante. E termino com uma nota de humor. Nós estamos aqui num ambiente bem-disposto. Eu já comprei pipocas para segunda-feira à noite, porque eu creio que o debate de segunda-feira à noite irá ser muito esclarecedor entre estes dois candidatos que neste momento se estão a digladiar tão intensamente. Vamos ver como é que está o ambiente no convés também com este barômetro do Nau que relega o candidato Coveiro Melo para uma quinta posição
Sim, estamos na altura do Natal, portanto há sondagens para todos os gostos, para toda a gente ficar feliz e poder passar uma boa noite consoada. Mas como sabem, também estou historicamente num partido que não está habituado a ser bem tratado por estudos de opinião. Aqui podemos fazer juízos de fé ou não. Eu, em matéria de sondagens, sou agnóstico. Noutras matérias sou uma pessoa religiosa, como toda a gente conhece. Eu acho que hoje em dia as sondagens contribuem mais para a confusão do que para o esclarecimento e muitas vezes até para espremer uma ideia de voto útil e favorecer os candidatos que estão melhor posicionados para vender eleições. Nesta altura, eu gostava de dar apenas duas notas acerca do assunto. O primeiro de todos é: eu acho que os portugueses que têm simpatia por Henrique Gouveia e Melo não deixarão de votar nele, nem pelas prestações nos debates, porque não esperam a eloquência, a jactância, nem a retórica, nem a dialética próprias de um político clássico. Muito menos se irão desmobilizar por estudos de opinião, porque o fundamental é o perfil do candidato. E aqui foi também, posso dizer, aquilo que me leva a apoiar Henrique Gouveia e Melo. Não estou participante em nenhum tipo de insinuação sobre campanhas sujas. Eu sou convidado para o observador, venho transmitir a minha opinião, que se baseia no seguinte: acho que o perfil como homem que não é contra o sistema, mas é suprapartidário, é importante nesta fase de vida da nossa democracia, em que é importante reformar, revigorar os equilíbrios político-constitucionais e encontrar figuras que têm provas dadas na sua atividade profissional, que conseguem colocar o interesse público em primeiro lugar e reparar a administração pública e pô-la a funcionar ao serviço das pessoas. Henrique Gouveia e Melo tem um perfil de liderança, de rigor e de resultados, através de uma competência que é vasta, que eu acho que podem ajudar a restaurar a confiança no nosso sistema político e ser uma chave promotora de um desenvolvimento que envolva todos e não exclua ninguém, e vestindo de capacidades de arbitragem do próprio sistema político-partidário, que mais nenhum outro candidato neste momento oferece. Agora, os eleitores devem escolher, nomeadamente aqueles do Partido Socialista, se querem apoiar um candidato de Montenegro ou permitir que vença o candidato da extrema-direita, que é aqui apoiado pela Cristina Rodrigues. Em presenciar contra a extrema-direita, o almirante eu acho que ainda consegue ser a melhor vacina e aquilo que garante que no futuro, os ataques populistas ... Sabe o que é engraçado? O Duarte Marques está muito agitado com essas coisas, porque ele é o pistoleiro de serviço da candidatura do Lucas Marques Mendes. E ele está aqui numa posição, há aqui uma veia negativa, que nem as sondagens conseguem desmobilizar o que o Ricardo diz, que é: o almirante é igual a todas as outras candidaturas. Agora ele tem que ir distribuindo umas para as outras e tentar explicar porque é que uma candidata é melhor. Mas não faço uma negativa.
Estou a ver a Cristina Rodrigues também.
Não faço uma negativa. O ponto é este: acho que, para concluir, se o Duarte Marques me permitir, o fundamental nestas eleições vai-se decidir o perfil do chefe de Estado. E o Henrique Gouveia e Melo, quer por contraste quanto à atitude presencial que já mostrou ser capaz de desenvolver relativamente a Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a sua capacidade de se colocar de forma suprapartidária e independente face aos partidos, e ser uma pessoa que já demonstrou no exercício de funções civis que é alguém capaz de regenerar a máquina do Estado e pôr a administração pública a funcionar, acho que é alguém que, aliando isso a características pessoais de liderança e de exemplo, alguém que pode ser fundamental para restaurar a credibilidade do nosso sistema político. E são fatores que são características intrínsecas, que são importantes também na gestão da coisa política.
Cristina Rodrigues, agora sim, consistentemente André Ventura passa na primeira volta, perde na segunda volta. André Ventura está a jogar para ter um bom resultado na primeira volta?
André Ventura está a jogar para ganhar. Agora, cada coisa a seu tempo. Primeiro, temos que conseguir ou chegar à segunda volta ou que se consiga alguma coisa na primeira. Tendo em conta o que as sondagens têm dito, é difícil ficarmos com o assunto resolvido numa primeira volta. Portanto, agora temos os olhos postos na primeira volta e a seguir teremos na segunda, certamente, também para ganhar, sempre. Até porque as coisas vão mudando muito. Estas sondagens, é evidente que elas valem o que valem, mas têm vindo a mudar ao longo dos últimos meses. O almirante Gouveia e Melo já esteve à frente, agora, hoje ou ontem, está mais para trás e só no dia 18 é que efetivamente iremos saber o que é que vai acontecer. Há uma coisa que é certa: André Ventura está efetivamente a trabalhar para ganhar e para ter o melhor resultado possível, obviamente. Eu gostava de fazer aqui uma nota só relativamente ao que o Francisco estava a dizer, quanto ao fato de as outras candidaturas aparentemente estarem nervosas. Eu acho que a candidatura de André Ventura está bastante tranquila. Obviamente que estas sondagens são vistas com o valor que têm. É uma expectativa positiva, mas também com humildade. Agora, dizer que a candidatura do almirante Gouveia e Melo é partidária, eu acho que é muito difícil, senão não estaria aqui um ex-líder de CDS a defender precisamente a candidatura do almirante. E nós conhecemos todos os apoios que tem nos vários partidos, já para não falar dele dizer que é o candidato do Partido Socialista. Portanto, acho que podemos dizer muitas coisas, menos que é apartidário.
Dá para tudo.
Alberto, eu gostava de fazer um comentário, porque eu aprecio muito o Francisco, fez aqui um verdadeiro comício.
Ele fez três vetores contra um hoje. Disse para o PS, disse para o PS e o Duarte está cheio de energia.
Eu podia usar alguma contenção. Eu percebo que o Marco está alterado e acho que efetivamente há uma necessidade muito grande de justificar o injustificável. E sabe que almoços a bordo normalmente geram sempre uma certa náusea para algumas pessoas que estão menos preparadas. Eu não sou aqui o representante de uma candidatura que pratica almoços, que faça acordos por trás da cortina, que entre pela esquerda e saia pela direita, nem entendo que ser presidente da República é apenas um perfil de alguém que um dia acordou de repente e lembrou que lhe apetecia ser presidente da República e como teve uma operação de logística bem-sucedida, ficou predestinado para liderar a nação numa perspectiva quase messiânica do homem que vai pôr ordem na administração pública e na República. A República é servida por gente que tem cultura democrática, por gente que sabe o que é a luta política. E esta ideia que está a ser passada pelos apoiantes do Gouveia e Melo, quase todos eles com um currículo político, uns melhor, outros pior, é certo, é a de que ter política ou ter vida pública é cadastro. Ora, nenhum democrata em Portugal admite, nem sequer ao candidato Henrique Gouveia e Melo, que se arrogue o direito de dizer que ele está em melhores condições para subir a República do que qualquer outro que tenha um percurso público e um percurso cívico e tenha servido a República em condições igualmente difíceis e, por vezes, em tempos políticos muito difíceis. Nós respeitamos as candidaturas todas. Claro que percebemos estes candidatos multiusos, multitask, que efetivamente conseguem tentar agradar a todo lado. Quando as coisas não correm bem, como ainda agora vimos, as empresas de sondagens não são profissionais, mas cada um segue o seu caminho. Nós temos um propósito para Portugal. Eu não vou fazer aqui nenhum comício, os comícios começarão no início de janeiro. O que eu quero dizer é que os portugueses percebem bem que nós não podemos ter um buraco negro em Belém. Nós temos que ter um sistema de checks and balances, de contrapoderes, de equilíbrio de poderes. E hoje o poder político em Portugal, nas suas diferentes dimensões, está democraticamente, é preciso dizê-lo, está nas mãos da direita, do centro-direita e da direita mais extrema. Neste sentido, o povo escolheu, e essa escolha é soberana. Nós não temos, em relação a isso, nada a dizer. Agora, a importância de ter em Belém alguém que seja capaz de fazer o contraponto, de certa maneira questionar com outro tipo de amplitude ideológica, inclusivamente, as posições que essas maiorias formam.
Até se houver um governo PS?
Inclusive se houver um governo PS, porque depois a conjuntura, como temos visto nas últimas décadas, por vezes há coincidência entre o procedimento. Agora, atenção, que fique claro para os portugueses todos que ter currículo político não é defeito, é virtude. E que nós não precisamos de caudilhos e que o tempo do caudilhismo terminou com a queda de Franco em Espanha. E neste sentido, nós temos em Portugal uma democracia civil, uma democracia que vive da responsabilidade pública, do ethos republicano e que efetivamente buracos negros e incertezas de candidatos que entram por uma porta e saem pela outra e pelo meio fazem os almoços, nós achamos que é muito perigoso para a democracia portuguesa.
Como sempre, dedicamos a segunda parte, ou pelo menos o que nos resta da segunda parte.
O Duarte Marques ainda quer apertar uma inquietação?
Não falo.
Pode falar. Vamos a isso.
Sobre a sondagem?
Não. Eu estava aqui a tirar umas notas para lhe falar. Eu sei que fiquei atrasado, mas já agora. As sondagens, e partilho muito da opinião do professor Alberto. As sondagens são um indicador importante para as equipes que preparam as campanhas e também um sinal para os portugueses. Acho que nunca percebemos se as sondagens influenciam o voto de forma positiva ou negativa. E é verdade que há certos partidos que são muito prejudicados pelas sondagens. O CDS historicamente sempre se queixou disso. O Chega, na minha opinião, não é queixar-se disso, há um voto envergonhado no Chega, muitas vezes, que as pessoas não dizem que votam no Chega.
Até porque a palavra-chave deles é vergonha.
É vergonha. E portanto, as sondagens são o que são e a forma como elas são feitas, eu respeito todas, até porque às vezes quando tem intervalos de margens muito grandes, nós temos a tendência de perceber que há ali muita pouca certeza. Eu lhe vou dizer o seguinte: as sondagens apanham o momento. Aquilo que o eleitor apanha, ou voto, tem a ver com o percurso das pessoas. E que depende do cargo que nós queremos. Nós queremos uma pessoa reformista, se queremos um primeiro-ministro, um ministro da Reforma do Estado, depende aquilo que nós queremos como presidente da República em Belém. Eu digo o cargo de presidente da República e concordo com o Gouveia e Melo. Nós temos um futuro que está à nossa frente. É um futuro muito inseguro, muito instável. Nós sabemos que o país e o mundo arriscam uma fase muito complicada de instabilidade mundial e europeia e é por isso que nós em Belém temos que ter alguém que conheça a política. Isto é a minha opinião, que obviamente que é influenciada. Eu apoio um candidato que tem este perfil, mas a verdade é esta: nós queremos em Belém alguém que seja previsível, que não seja uma surpresa, que nós possamos contar com aquilo que é a sua decisão de bom senso. Tenhamos no governo um governo do PSD, do CDS, do Chega, do PS ou do PCP ou do Bloco de Esquerda, o que nós temos que saber é que o presidente da República é um referencial de estabilidade. E diria que é um exemplo que nós temos que tentar seguir de alguma forma e contar com as suas intervenções nos momentos mais difíceis. E que tenha capacidade de falar com o primeiro-ministro, seja ele do PSD ou do Chega ou do Partido Socialista ou de outro partido qualquer, e ser respeitado e ser ouvido. Pois há outra coisa que muitos de nós não se lembram, mas os presidentes da República só têm intervenção válida e que possa de alguma forma influenciar decisões, se ela for antes de ser pública. Ou seja, o presidente da República não tem que ser um comentador que comenta depois de acontecer. Eu estou lendo um livro, as biografias dos presidentes todos, e por exemplo, Sampaio era um presidente que antecipava muito os problemas e tentava juntar as pessoas à mesa para falar. Cavaco Silva tinha uma capacidade analítica dos problemas e alertava os primeiros-ministros para consequências de coisas que eles estavam a fazer. E portanto, o presidente da República tem que conhecer os instrumentos, que às vezes são poucos, e às vezes são pequenas nuances, em que pode intervir ou influir.
Isto foi um sinal que só falta um minuto.
E portanto, eu diria que no perfil de presidente é aquele onde se calhar a experiência política da pessoa faz mais a diferença pra não se cometerem erros, porque o momento da decisão, o momento da intervenção, o momento da observação é vital pra poder fazer alguma coisa pelo país, ou seja, determinar, influenciar aquilo que é o rumo do país. Por isso é que eu costumo dizer, os portugueses não votam em cataventos, votam naqueles que mantêm uma linha de estabilidade, mesmo que essa linha não seja a que eles mais gostam, mas é alguém que é previsível e que tem um perfil que é coerente.
Meus senhores, temos que ficar por aqui. Foi uma ótima conversa aqui, como sempre, ao final da tarde na Rádio Observador, A Caminho de Belém, assim se chama este podcast incrível, que vai ficar disponível já daqui a pouco. Muito obrigado a todos e feliz Natal.
Muito obrigada. Feliz Natal.
Bom Natal a todos.