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Rádio Observador. Começa agora o Jornal das Duas, edição da Beatriz Félix. E Beatriz, o ministro da Reforma do Estado acredita que a AD vai vencer as próximas eleições com maioria absoluta.

Em entrevista ao Observador, Gonçalo Matias acredita que Luís Montenegro vai conseguir cumprir o objetivo da maioria absoluta quando as reformas começarem a ser sentidas pelos portugueses a tempo das legislativas de 2029.

Em 2029, quando tivermos eleições, ao fim de quatro anos de reformas, e quando os efeitos das reformas se sentirem verdadeiramente na vida das pessoas, eu não tenho a mais pequena dúvida que essas eleições serão ganhas pela AD com maioria absoluta.

O ministro adjunto e da Reforma do Estado, que relativiza os recados de Pedro Passos Coelho, e diz que todos os estudos são úteis para ajudar a fazer reformas, acrescentando que o antigo primeiro-ministro está no grupo dos que querem resolver os problemas do país.

Nós estamos absolutamente concentrados em resolver os problemas das pessoas. Todos aqueles que nos queiram ajudar a resolver os problemas das pessoas são bem-vindos. Todos aqueles que não nos queiram ajudar a resolver ou queiram criar problemas, esses não são bem-vindos.

E Pedro Passos Coelho está em que grupo?

Não sei, vamos ver. Eu acredito que esteja em quem quer resolver.

Gonçalo Matias, que defende o trabalho feito até o momento, reconhece que há reformas de maior dimensão e outras mais simbólicas. O ministro desvaloriza também os casos com Luís Neves e diz que não é um assunto que preocupe os portugueses.

Eu não estou a dizer que é um caso irrelevante. Eu só estou a dizer é que o país se deve preocupar e está certamente preocupado. Se perguntar aos portugueses qual é o ranking das suas preocupações, garanto-lhe que o caso não está lá nesse ranking de preocupações. As preocupações dos portugueses estão com o nível de vida, estão com as suas dificuldades, estão com a educação dos seus filhos, estão com a saúde, estão com a burocracia. É aí que está a preocupação dos portugueses, das famílias e das empresas, e é sobre isso que nós estamos a trabalhar todos os dias.

Gonçalo Matias, em entrevista ao programa Sob Escuta da Rádio Observador, conduzida pelos jornalistas Miguel Santos Carrapatozo e Luís Rosa, em que diz ainda que os pedidos de poupança feitos pelos ministros da Economia e do Ambiente como resposta ao aumento do custo de vida, fazem parte de um esforço que deve ser coletivo.

Se vivemos uma dificuldade coletiva, todos devemos contribuir coletivamente.

Mas não são os nossos hábitos individuais, neste caso muito concreto, que vão fazer baixar o preço dos combustíveis.

O que eu quero dizer com isso é que todos podemos atuar em conjunto. Nós atravessamos várias crises em Portugal nas últimas décadas. Tivemos a crise financeira em 2011, tivemos o Covid, que nos afetou a todos.

Estamos permanentemente em crise.

É verdade, mas muitas delas também são internacionais. O Covid era internacional, esta agora é internacional. Em todos esses momentos foi pedido às pessoas um esforço coletivo.

O ministro adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, numa entrevista ao Sob Escuta da Rádio Observador.

E continuamos na política. José Luís Carneiro acusa o governo de querer atuar à margem da Assembleia da República no que toca à habitação.

O secretário-geral do PS está em Cabeceiras de Basto e critica a política do governo para a habitação. Em causa está o novo regime do arrendamento urbano, com José Luís Carneiro a dizer que o governo quer uma carta branca do Parlamento.

Eu apelo ao governo para que não queira legislar à margem da Assembleia da República no que respeita à liberalização dos despejos, particularmente nas grandes cidades, nos grandes meios urbanos. O governo quer legislar à margem da Assembleia da República, e isso não é aceitável, e também não é aceitável que se queira fragilizar a relação contratual com inquilinos que vivendo nas grandes cidades, pessoas com idade, com escassez, que tem muito que ver com pensões, que são pensões baixas e que, naturalmente, nesta altura em que estão a olhar para o que se está a passar em Espanha, nomeadamente em Madrid, estão a ficar muito inquietas com aquilo que se está a passar.

José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas, aqui captadas pela CNN Portugal, numa referência às manifestações em Madrid, por causa do caso de uma senhora com 87 anos, que foi obrigada a deixar a casa onde vive há décadas. O secretário-geral do PS, que desvaloriza ainda a proposta da AD para limitar o acesso aos estrangeiros no SNS.

Neste momento, a minha preocupação é aquela que tem que ver com a vida das pessoas. E aquilo que tem que ver com a vida das pessoas é tomar medidas que diminuam os impactos do aumento dos combustíveis sobre a vida das pessoas, a redução do custo com os combustíveis, a redução dos custos com a eletricidade e com o gás, a redução dos custos com os bens alimentares, o apoio a setores econômicos mais expostos a esta crise, é aquilo que é fundamental. Sempre que há incapacidade ou incompetência do governo responder a essas necessidades, procuram trazer temas laterais. E eu não me quero colocar nos temas laterais.

O secretário-geral do PS, em declarações aos jornalistas numa visita a Cabeceiras de Basto.

E Mário Centeno acusa o primeiro-ministro de governar sob o discurso do medo.

E sem dar explicações ao país. Numa entrevista ao programa Conversa Capital da Antena Um e também do Jornal de Negócios, o antigo ministro das Finanças e ex-governador do Banco de Portugal reage aos avisos de Luís Montenegro. O primeiro-ministro diz que não quer ser o pai da austeridade, nem fazer com que Portugal regresse a tempos de tragédia, numa referência à Troika. E por isso, Centeno pergunta: o que Montenegro sabe que Portugal não conhece?

Eu acho que não é de ânimo leve que um primeiro-ministro diz aquilo que o primeiro-ministro Luís Montenegro disse na semana passada. O que temos que pedir a seguir, e ele tem que estar disposto a conceder-nos, é saber o que está por trás daquela frase. E, portanto, eu acho que temos que respeitar aquilo que o primeiro-ministro nos deu a ouvir

Ficar preocupados, não entrar em depressão, foi uma das questões que eu não percebi muito bem, porque os primeiros-ministros normalmente tendem a ter discursos mais mobilizadores. Governar sob o medo é péssimo. E portanto, quando o primeiro-ministro nos mete medo, nós havemos de perguntar a nós próprios o que é que ele sabe que nós não sabemos.

Mário Centeno, que lançou recentemente um livro sobre a passagem pelo governo, diz ainda que as contas públicas enfrentam um déficit profundo. Acredita ainda que se Bruxelas não redefinir as metas orçamentais impostas a Portugal, o Estado terá de efetuar um corte de 12 mil milhões de euros nos próximos dois anos.

E seguimos com a atualidade internacional. O Papa Leão XIV pede aos bispos franceses máxima vigilância contra os abusos sexuais na Igreja e vai reunir-se hoje com sete vítimas destes abusos.

Durante uma reunião à porta fechada com os bispos franceses em Lourdes, o Papa reconheceu o trabalho feito nos últimos anos no combate aos abusos de menores cometidos por membros da Igreja. Leão XIV pede que esse trabalho continue com medidas de prevenção, proteção das vítimas e com a procura da verdade e da justiça. É o que avança a Agência EFE. Leão XIV apelou ainda aos bispos para que tenham coragem de reconhecer as falhas e de reparar as feridas provocadas pelos abusos cometidos. Leão XIV tem esta tarde um encontro marcado com sete vítimas destes abusos. Em França, uma investigação já identificou cerca de 330 mil casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero entre os anos de 1950 e 2020.

E vários homens foram presos numa base aérea britânica por suspeitas de crimes relacionados com explosivos.

A polícia declarou o incidente grave e evacuou algumas propriedades nas proximidades. É o que avança o político, sem especificar quantos homens estão envolvidos neste incidente na base de Fairford, no sudoeste da Inglaterra. A BBC avança que esta unidade de contraterrorismo da polícia britânica está agora no local a investigar. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, também já foi informado sobre o incidente. Esta é uma base aérea que tem sido usada pela Força Aérea Norte-Americana para operações militares contra o Irão.

O Irão diz que está ciente que os Estados Unidos não gostaram da proposta para reabrir o Estreito de Ormuz.

Donald Trump anunciou que rejeitou o plano apresentado por Teerão. Agora o chefe da diplomacia iraniana admite que ainda aguardam uma posição definitiva. No gabinete de guerra de hoje, a especialista em relações internacionais, Liliana Reis, explica a razão para os Estados Unidos terem rejeitado esta proposta. Afirma que o Irão teria benefícios financeiros e que os Estados Unidos apenas teriam a promessa de um acordo.

Parece-me que o Irão iria receber benefícios econômicos imediatos, mas os Estados Unidos apenas poderiam receber uma promessa de negociação, sobretudo em relação ao acordo nuclear. E por isso os Estados Unidos poderão ter considerado esta proposta insuficiente. Aliás, Donald Trump, eu também já vi agora de manhã, disse que o Irão está a tentar chegar a um acordo porque está a perder alguma margem de manobra do ponto de vista negocial.

Liliana Reis explica também que para os Estados Unidos aceitarem este acordo, era necessário a Arábia Saudita e Israel darem também uma luz verde.

A aceitação deste acordo por parte dos Estados Unidos também necessitaria da anuência por parte de Israel e por parte da Arábia Saudita, uma vez que tinha o Líbano e o Iémen no seu acordo. Por isso, aquilo que me parece é que neste momento o objetivo do Irão também é ganhar tempo e aliviar a pressão e, sobretudo, colocar os Estados Unidos na posição de quem tem que dizer não à diplomacia.

A especialista em relações internacionais, Liliana Reis, no gabinete de guerra desta manhã na Rádio Observador. Depois da rejeição da proposta iraniana, os Estados Unidos enviaram emissários por todo o mundo a exigir medidas para isolar economicamente Teerão. Uma informação que foi avançada pelo secretário do Tesouro norte-americano na rede social X, que diz que esses esforços estão a dar frutos.

E é assim que fechamos o jornal das 14h, edição da jornalista Beatriz Félix. Está de regresso às 14h30. Até já.

Até já.