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Está no ar o Força da Técnica, Técnica da Força com o Gabriel Alves. Vamos analisar esta goleada de Portugal frente à Suíça. Portugal está nos quartos de final, venceu por 6x1 a Suíça, é a maior goleada destes oitavos de final do Mundial do Catar. Gabriel Alves, utilizaste esta palavra já nos últimos minutos: que amasso.

É verdade, que amasso, quer em termos exibições, que depois tem a correspondência naquilo que é o resultado. O resultado espelha o que foi o desenvolver do jogo. É um amasso à Suíça, uma Suíça que não se esperava que conseguisse ter um amasso desses, mas o mérito é da seleção portuguesa, que fez, de facto, um belo jogo. Mas a verdade é esta: primeiro, Gonçalo Ramos teve que abrir a lata ou as portas do castelo suíço, como quiserem, e abre com aquilo que se pode dizer um primeiro remate entre paus, um remate de grande qualidade, um gol de grande técnica e obviamente que Portugal a partir daí estabilizou o seu jogo e depois foi tirar partido das incidências da partida, do jogo, da forma como a Suíça se colocou. Depois aparece um segundo gol, também de forma muito rápida, num lance de bola parada, um grande gol a que aplaudiu o Pepe, uma cabeçada imperial, eu diria uma pedrada que o Sommer nem sabe onde ela passou. Um grande momento também do jogo. E a verdade é que Portugal, a partir daí, dispôs de todas as possibilidades de criar dificuldades a uma Suíça que nunca teve capacidade de resposta para tanto. Tanto que se esperou que no início da segunda parte pudesse haver uma Suíça galvanizada a tentar marcar um gol para entrar na discussão do resultado e do jogo. Mas não, foi Portugal aos seis minutos que fez o 3x0. A partir daí foi somar.

De facto, olhamos aqui para estas alterações feitas por Fernando Santos e falámos muito disto no início do jogo. É um dos temas deste encontro, que é Cristiano Ronaldo estar fora de uma fase a eliminar, deixa de ser titular, está no banco. Correu bem esta aposta de Fernando Santos?

Correu bem. Nós dissemos aqui na antevisão do jogo que se Portugal ganhasse, seria uma aposta fantástica de Fernando Santos. Se Portugal perdesse, amanhã teríamos, naturalmente, as primeiras páginas e tudo o que é comunicação a mostrar Ronaldo.

Tendo sido uma goleada, é uma aposta ganha.

Ganha e é uma aposta ganha, porque o próprio ponta de lança que foi chamado a serviço hoje marca três gols, portanto faz aquilo que nós chamamos em termos de futebol, e que é muito aplaudido, o chamado hat trick.

Esteve muito bem no jogo, faz três gols.

Faz três gols e está muito bem entrosado naquilo que é o seu trabalho em último terço de terreno, o tal avançado móvel, que também aqui foi focado logo na antevisão e que acabou por ter articulação com o resto dos jogadores, especialmente com João Félix.

Mas Gonçalo Ramos não foi o único, houve muitos jogadores hoje com nota mais.

João Félix, por exemplo, já acabei de dizer, eu acho que são os dois que têm nota mais. Eu não sei se João Félix e Gonçalo Ramos, porque se conheceram mais jovens, a articulação deles hoje teve também uma nota muito alta.

Tiveram os mesmos professores.

Exatamente. Portanto, eu acho que são os dois jogadores mais, numa equipa que foi muito coletiva. Já disse muito bem o Pepe que é, de facto, uma trave que estabiliza, é um capitão à altura dos acontecimentos, porque é alguém que dentro das quatro linhas, nós não estamos cá para ouvir, mas diz muitas coisas e os jogadores compreendem, os seus companheiros. E isso é muito importante. Haver quem diga: "Ali, acolá, aquele espaço, ali, olha as costas." E os jogadores: "Sim."

Dizemos aqui Augusto Inácio. Sim, Augusto.

Até o guarda-redes fica mais confiante com o Pepe à frente.

É isso.

Isso é muito importante. O Bernardo Silva também esteve bem, o Bruno também. Já falámos durante a transmissão do filtro que é o William Carvalho, mas atenção que o Otávio teve muito trabalho, um trabalho de ocupação de espaços, de luta e de competir com o adversário mais próximo, muito interessante.

Vamos então ao nosso final de análise. Começamos pela força da técnica deste encontro.

Olha, eu dou duas notas. Dou a nota da força da técnica para o primeiro e para o último gol, porque de facto o primeiro gol é uma surra, como dizem os espanhóis, daquelas fabulosas. É um jogador que está a estrear-se a titular da seleção e entra ao lance com toda a convicção e depois executa, tem uma definição soberba para um gol que naturalmente é, neste momento, escaparáte deste mundial. E depois o último gol do desafio, que é apontado por Rafael Leão, que é de facto também outro golaço de primeira apanha. São os dois grandes momentos. Havendo outros pormenores de ordem técnica belíssimos, estes são aqueles que se sobressaem.

E a técnica da força?

Olha, falar da técnica da força depois de seis gols, depois de uma exibição boa, depois dos talentos se tocarem, eu acho que é como se diz lá no Brasil: "Chega pra lá."

Eu pensava que seria o embalo avançado à Suíça ou então a cabeçada de Pepe, que foi uma técnica da força incrível.

Sim, a técnica da força, mas não foi só a técnica da força.

Foi não.

Aquela cabeçada tem muito de força da técnica. A forma como ele salta, o tempo da impulsão, o momento do cabeceamento. Tudo isso são frações de segundo que estão ali atrás e isso é só de um grande jogador e de muita técnica. Eu só foquei, de facto, os dois gols, o primeiro e o último, porque são gols fantásticos.

Força da técnica, técnica da força com o Gabriel Alves na análise. Este Portugal 6, Suíça 1.