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A Força da Técnica na Rádio Observador, espaço de análise do Gabriel Alves. Hoje, Gabriel, com um jogo de alto gabarito. Fugimos ao centralismo dos grandes, ao binômio cidades Lisboa e Porto, para ter um duelo minhoto que nos encheu as medidas em todos os parâmetros, não só no futebol dentro de campo, mas em toda a envolvência. Antes de falarmos da primeira parte, Gabriel Alves, em campo, vamos falar do que este jogo representou.

É um bom exemplo que há futebol. O futebol não é localizado, o futebol é global e em Portugal também. Este jogo é um bom tônico para que as equipes, quem esteja por bem, não só pelo negócio. Eu não tenho nada contra o negócio, mas o negócio devidamente sustentado, certo.

Mas daqui a pouco o negócio acaba com o produto, não é?

Exatamente, porque começa a ser de tal forma que acaba por retirar-lhe esta chama, esta paixão, este sentir que hoje aqui tivemos a oportunidade de viver. Portanto, que seja um bom exemplo para que se cresça. Não se pode ser campeão de hoje para amanhã, não é por estalar dos dedos. É com trabalho, de forma sustentada, é com apoios, com juventude, com educação de base naquilo que é, de facto, o desporto a partir dos princípios de quem chega para ser população, de quem nasce, e isso é fundamental. Este jogo foi muito interessante e eu já aqui foquei, e hoje vou voltar a focar. Isto é uma vitória do futebol que se sentiu de uma forma muito especial, que se viveu hoje em Leiria de uma forma muito particular. E já invoquei aqui o Drummond de Andrade, um grande escritor de língua portuguesa, que tem pelo futebol uma paixão, que o futebol joga-se na alma. Nada melhor que esta partida para ilustrar a poesia com que isto foi escrito. Guerreiros face a conquistadores, nós temos com gente do Minho. E os conquistadores foram a força da vitória face aos guerreiros. Quiseram conquistar e chegaram. Os guerreiros estiveram lá, mas houve conquistadores. E tudo isto nos envolve de uma maneira muito específica. Um jogo que teve remontada, é sempre um jogo especial, com muitas incidências, que teve um gol soberbo de livre na abertura do marcador, Mário Dornelles, compêndio na arte de marcar livres. Um pênalti superiormente apontado, convertido por Samu, potente de técnica. Um gol de Nedoi, uma cabeçada, eu chamarei monumental, e principalmente por tudo aquilo, o tempo de impulsão. Ele é um jogador de 1,90 m, de facto, é uma torre, mas a torre tem que ter algo mais, tem que ter essa capacidade de impulsão, o momento em que se faz a impulsão. E ele teve. E depois a técnica do remate de cabeça. Cabecear não é pedrar. Eu disse que era uma pedrada, sim, mas é na força com que ela saiu e na direção com que ele a colocou. Quanto aos guarda-redes, de um lado e de outro, porque o guarda-rede Checo do Braga também teve boas defesas, mas do outro lado, a grande qualidade do guarda-redes da equipe, que foi o homem do jogo da equipe do Vitória Sport Club, que tem a cereja em cima do bolo com um pênalti defendido. Isto é, no momento crucial do jogo, onde a emoção está ao rubro, onde tudo pode virar, a verdade é que naturalmente foi um momento grande de futebol, aquela defesa que ele fez pela emoção que interagiu a todos. Podemos dizer que foi um espetáculo grandílico, por equipes com desafio ao futuro, para elas e para outros, crescimento, futebol vivo, ataca o jogo para que se vencesse a partida, para se vencesse o jogo, para se vencesse o troféu. Não basta dizer que as finais são para ganhar. Não! Mostraram que era para ganhar. Tiveram essa amostra bem visível. Um futebol vertical do Vitória, um futebol direto, largo nos extremos, com substituições muito bem feitas pelo seu treinador, um futebol sólido de posse por banda do Braga, que cresce e que o Vitória furou. Teve essa capacidade para furar. Eu diria, muito bem este Braga sob a batuta de João Moutinho. Duas equipes com jogo e com substância. Bons treinadores, mais feliz o do Vitória de Guimarães, menos o espanhol, retardou o espanhol um pouco as alterações que era necessário fazer. Notas para o desportivismo, grande desportivismo dos derrotados, das palavras do capitão e do treinador. Parabéns aos adversários, foi isso que eles focaram, sem falarem de arbitragem, fantástico. Técnica de poder aéreo de Nedoi, força da técnica fantástica de Mário Dornelles na conversão do livre, técnica de cabeceamento por banda deste grande jogador que é Nedoi, técnica do desportivismo do capitão e do treinador do Braga, técnica dos anos do futebol, os adeptos do Vitória e do Sporting Braga, técnica do trabalho da Associação de Futebol do Minho. Tudo isto aqui eu acho que tem que ser valorizado e destacado. Parabéns ao Vitória Sport Club, campeão da Taça da Liga 26. O futebol joga-se na alma. Eu volto com as palavras de Drummond de Andrade. A utopia esteve hoje em Leiria. E até acabarei assim: onde quer que estejas, Afonso Henriques, tu sorriste.

Vitória, vitória. E hoje em Leiria. Fez história e fez também o Força da Técnica com o Gabriel Alves. Um abraço, Gabriel.