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Na Rádio Observador está no ar mais uma Guerra Traduzida, hoje com a jornalista Inês Ameixa, num trabalho desta feita em colaboração com a Larisa Tovmasian, de origem russa. Nos próximos minutos vamos passar em revista alguns destaques noticiados pela imprensa russa. Começamos com o destaque invariável para as palavras de Vladimir Putin ao final desta manhã.

Falou num discurso que fez durante a Semana da Energia em Moscovo, de que também já demos conta aqui nos nossos jornais. O jornal Pravda Komsomolskaya dá conta de que Vladimir Putin afirmou que os políticos ocidentais estão a destruir a economia global com decisões aventureiras. É esta a expressão utilizada e citada neste jornal russo. Putin disse também que a estabilidade e o equilíbrio dos mercados da energia só podem ser assegurados de forma conjunta e pede, por isso, o líder russo, que a Europa não recuse cooperar com Moscovo. O mesmo jornal dá também conta de que Putin garantiu que a Rússia é um dos líderes mundiais na exportação de recursos energéticos. São estes os principais destaques que estão a ser noticiados pela imprensa russa. Isto depois de o líder russo Vladimir Putin ter discursado esta manhã na Semana da Energia na Rússia.

Olhamos agora para o ataque à ponte da Crimeia, a ponte de Kerch, que liga a península da Crimeia a território russo, que está também a marcar esta semana. A imprensa russa revela, Inês, que foram detidas oito pessoas, são suspeitas de terem levado a cabo este ataque.

São dados avançados pelo site de notícias RBC. Este site conta que cinco russos e três cidadãos de nacionalidade arménia e ucraniana foram detidos pelas autoridades de Moscovo. São acusados de terem participado na preparação do ataque que destruiu parte da ponte da Crimeia. As autoridades russas terão também indicado que a diretora principal de inteligência da Ucrânia está envolvida no que a imprensa russa descreve como ataque terrorista na ponte da Crimeia. Esta mesma notícia dá também conta de outros pormenores. Diz que uma carga de explosivos foi enviada do porto ucraniano de Odessa em direção à Bulgária no início de agosto. De lá, passou também pela Geórgia e pela Arménia, até chegar depois à península da Crimeia para mais tarde ser utilizada, supostamente, neste ataque. É pelo menos isto que diz a imprensa russa.

Seguimos agora para uma outra notícia noticiada na imprensa, uma outra história noticiada na imprensa russa desta quarta-feira, relacionada com a mobilização parcial decretada recentemente por Vladimir Putin.

E que diz que os familiares diretos dos militares que estão a ser mobilizados para a guerra vão poder receber um pagamento de 50 mil rublos. Cinquenta mil rublos é qualquer coisa como cerca de 800€. São informações, entretanto, adiantadas por um autarca russo. Ele explica que para ser feita a transferência, os cidadãos convocados pelo Kremlin para a guerra têm de disponibilizar os dados pessoais e os números das contas bancárias para que as respetivas famílias depois possam receber esse dinheiro, que é entregue pelo Estado. A notícia conta, no entanto, que tem havido problemas com essas transferências e muitas famílias precisam desse dinheiro no imediato. Portanto, esta notícia dá conta de que essas pessoas podem candidatar-se a um programa municipal para receberem esses fundos de uma forma mais rápida. São 50 mil rublos por mês, recordo, cerca de 800€, que vão ser entregues às famílias dos militares russos que tenham sido convocados para a guerra. No caso de um soldado, por exemplo, sofrer um ferimento grave, o governo russo vai dar um milhão de rublos, cerca de 16 mil euros à família. No caso de um militar morrer no combate, a família pode receber até três milhões de rublos.

São pagamentos no contexto da mobilização parcial, que foi anunciada por Vladimir Putin, mas que não estão a convencer todos. A imprensa independente russa, importa aqui referir que é independente e não estatal, dá conta de que há quem esteja a fugir à mobilização parcial.

São pelo menos 23 russos que fugiram em iates para a Coreia do Sul para tentarem contornar essa ordem para irem combater na guerra da Ucrânia. Este site independente russo, Meduza, dá conta de relatos que também foram feitos à agência Reuters por um deputado sul-coreano e também pela Guarda Costeira e que de resto não estão a ser noticiados, por outro lado, na imprensa estatal russa. Estes 23 russos fugiram em quatro iates. Apenas dois deles foram autorizados a entrar na Coreia do Sul, dois russos. Os restantes foram recusados a entrar no país porque o objetivo da estadia era incerto, diz a notícia, e também porque não tinham os documentos necessários.

Ainda olhando para a imprensa independente na Rússia, há uma notícia de que as tropas russas na Ucrânia fizeram o maior aumento de combustível desde o início da guerra.

É uma notícia também avançada pela Meduza, que cita a agência Bloomberg. É uma história que está a ser apenas noticiada na imprensa independente e que dá conta de que a Bloomberg teve acesso a dados do tráfego ferroviário e concluiu que o volume de entregas russas de gasolina, diesel e combustível para a aviação atingiu quase 220 mil toneladas em setembro. É o número mais alto desde o início da guerra em março. De acordo com a Bloomberg, este aumento recorde de combustível para abastecer as tropas russas que estão estacionadas na Ucrânia a combater estará diretamente relacionado com a mobilização parcial anunciada na Rússia e também com o sucesso do exército ucraniano no campo de batalha. É pelo menos isso que escreve o jornal Meduza, aqui também imprensa independente da Rússia.

E é assim que terminamos esta Guerra Traduzida. Olhámos nos últimos minutos para a imprensa desta quarta-feira, dia 12 de outubro, para a imprensa russa. Um trabalho hoje da jornalista Inês Ameixa, contou com a colaboração da Larisa Tovmasian.