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Começa agora mais um episódio da Guerra Traduzida, especial Irão. Hoje com a jornalista Teresa Freire. Boa tarde, Teresa.
Boa tarde, Carlos.
Depois de praticamente um mês, os Estados Unidos voltaram a atacar o Irão.
A última noite ficou marcada por ofensivas dos dois lados. As forças militares norte-americanas atacaram lançadores de rockets do Irão no estreito de Ormuz. Visaram também instalações militares iranianas na ilha de Larak, para impedir o lançamento de minas navais no estreito, que tem sido o maior ponto de tensão nos últimos meses. A Guarda Revolucionária do Irão diz que os ataques dos Estados Unidos provocaram vítimas militares e civis e, por isso, iriam retaliar.
Em resposta, as forças iranianas dizem ter abatido um drone norte-americano sobre o estreito de Ormuz.
Falam também de um superpetroleiro que se incendiou depois de atingir duas minas marítimas enquanto tentava atravessar a zona sul do estreito de Ormuz. Em comunicado citado pelas agências do país, o Irão diz que também atacou bases utilizadas pelos Estados Unidos na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos. Tendo em conta que uma fonte do exército norte-americano, citado pela agência Reuters, assegura que os mísseis do Irão foram todos interceptados, não tendo provocado danos de maior.
Entretanto, Teresa, Donald Trump adianta ainda que os Estados Unidos também estão a atacar a ilha de Kharg.
Durante a madrugada, o presidente norte-americano publicou nas redes sociais que a ilha de Kharg estava a ser reduzida a pedaços, mas não adiantou mais detalhes. O presidente dos Estados Unidos publicou apenas um vídeo gerado por inteligência artificial com imagens de bombardeamentos nesta ilha no estreito de Ormuz. As forças norte-americanas não deram quaisquer detalhes sobre os ataques neste local, que antes do conflito começar era responsável por 90% das exportações de petróleo no Irão. Donald Trump também voltou a reiterar, em entrevista à Fox News, que o Irão não pode ser autorizado a ter uma arma nuclear.
E do lado iraniano reagiu o presidente, que afirma que o país vai responder às agressões norte-americanas.
Masoud Pezeshkian diz que nunca ficaremos de braços cruzados, apesar de explicar que o país não procura a guerra. O presidente iraniano falava em Teerão antes de partir para o Quirguistão, onde vai participar na Cimeira de Organização de Cooperação de Xangai. O chefe de Estado iraniano salienta ainda que a instabilidade na região não beneficia nenhum país e que representa um desafio para todos.
Mas, Teresa, já há mais respostas.
O vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros para os Assuntos Jurídicos e Internacionais também já se pronunciou. Afirma que os Estados Unidos têm de aprender uma lição séria para que as agressões não se voltem a repetir. De acordo com a agência iraniana Fars, o responsável defende ainda que os estrangeiros devem ser afastados da região do Golfo.
Sobre os Árabes Unidos, o conselheiro presidencial apelou esta manhã à desescalada no estreito de Ormuz.
Numa publicação na rede social X, o conselheiro presidencial defende a necessidade de uma desescalada das tensões e pede soluções políticas realistas e sustentáveis para a crise na região. O responsável afirma que qualquer solução deve começar pelo restabelecimento da circulação de navios no estreito de Ormuz e defende ainda que a abordagem deve ir além do memorando de entendimento, que considera não ter definido um roteiro prático e aceitável.
Também no Líbano voltaram os ataques.
A Agência Nacional de Notícias avança que Israel atacou a cidade de Hula, no sul do Líbano. A notícia acrescenta ainda que os disparos de artilharia israelita também atingiram outras duas zonas durante a noite e as primeiras horas da manhã.
Teresa, com o regresso dos ataques, importa por isso perceber como estão os preços de petróleo.
Estão a subir quase 3%. O preço do Brent, referência na Europa, avança quase mais $2 para $90 por barril. Já o West Texas Intermediate, a referência dos Estados Unidos, sobe 2,2 cêntimos para os $85.
Fica por aqui esta edição da Guerra Traduzida especial Irão desta segunda-feira. Eu sou o Carlos Pedro. A edição de hoje esteve a cargo da jornalista Teresa Freire.