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Guerra traduzida na Rádio Observador. Nos próximos minutos vamos olhar para os destaques da imprensa russa e também da imprensa ucraniana, destaques sobre a guerra. Todos os dias aqui na Rádio Observador fazemos esta análise. Hoje estamos no dia 658 da invasão russa à Ucrânia. Hoje, nesta guerra traduzida, começamos pelos jornais da Rússia. Um trabalho do jornalista João Filipe Cruz, tem colaboração de Larissa Tovmazian. João, começamos com declarações de Zelensky que fazem eco em Moscovo. O presidente da Ucrânia admite que as defesas antiaéreas já não garantem a defesa de outras cidades, a não ser Kiev.
Só a capital está protegida, é pelo menos o que admite Volodymyr Zelensky, citado pelo Político. Estas palavras são replicadas numa notícia que está em destaque no site da Rádio Estatal Russa, Kommersant Pravda. De acordo com o chefe de Estado, as tropas ucranianas já não têm esses tais sistemas de defesas antiaéreas em número suficiente para proteger outras grandes cidades. Nas mesmas declarações, Zelensky sublinha que faltam mais sistemas Patriot, os sistemas americanos, para proteger outras cidades como Kherson e Odessa. A Kommersant Pravda nota ainda que o presidente ucraniano não referiu quantos sistemas necessita em concreto e sublinha que, até ao momento, os únicos dois equipamentos do género que a Ucrânia recebeu, um dos Estados Unidos e outro da Alemanha e dos Países Baixos, estão precisamente junto à capital Kiev e não estão em mais lado nenhum. Para além da falta de sistemas, faltam também mísseis compatíveis com esses sistemas Patriot e a Kommersant Pravda adianta que Zelensky foi a Washington precisamente pedir mais. Ao mesmo tempo, a Rádio Pública Russa cita a CNN para dizer que é improvável que a visita do presidente ucraniano a Washington traga frutos, porque lembra que os republicanos vão continuar a bloquear a transferência de fundos para Kiev até que a administração de Biden promova mudanças profundas na política migratória.
Entretanto, o Kremlin comentou as alegadas tentativas norte-americanas de interferir nas eleições russas.
"Os americanos sabem o que sabemos". Aliás, os americanos sabem que sabemos. É desta forma que Sergei Lavrov se refere ao tema. O ministro russo dos Negócios Estrangeiros adianta que os serviços secretos russos estão a par e estão a monitorizar todas as tentativas ilegais ou que envolvam os Estados Unidos nas eleições russas que estão marcadas pro próximo ano. Citado pela Kommersant Pravda, o governante destaca ainda que Moscovo não tem nada a esconder e, por isso, se houver tentativas de interferência, todo o mundo vai ficar a saber que elas existiram. De acordo com Lavrov, Washington acredita que tem o direito de interferir em assuntos internos de outros países, enquanto outros Estados estão proibidos de fazer o mesmo. Lembrar só, Miguel, que as eleições na Rússia estão marcadas para dia 17 de março. Vladimir Putin ainda não anunciou a recandidatura, mas todos esperam que o faça.
Entretanto, da Rússia chega também a notícia de que o maior banco venezuelano está a aceitar pagamentos com cartões russos nas áreas turísticas.
A notícia está também em destaque na Kommersant Pravda. O Banco da Venezuela anunciou que está a aceitar cartões bancários russos nas zonas mais populares entre os turistas. Não é em todas, é só nas mais populares, efetivamente. A Rádio Russa cita a agência de notícias venezuelana, a agência estatal de notícias da Venezuela. Diz que nos terminais do maior banco venezuelano já é possível fazer pagamentos e movimentos com cartões da Federação Russa. Na mesma notícia, a Kommersant Pravda destaca e diz quais são as zonas onde os russos podem pagar com os seus cartões. São na capital, Caracas, também em Nueva Esparta e Bolívar. São estas as cidades ditas populares para os turistas russos, onde os cartões são aceites.
Terminamos, como habitual, com a imprensa livre da Rússia, que dá destaque às perdas das tropas de Moscovo.
Trezentos e quinze mil soldados mortos e feridos, ou seja, 87% dos militares que estavam disponíveis no exército russo no início da guerra. Os números são dos serviços secretos norte-americanos, citados pela Reuters e CNN e replicados pelo independente Meduza, o site independente russo Meduza. De acordo com a notícia, as perdas fazem com que a modernização militar russa tenha sofrido um atraso de 18 anos, mais ou menos. De acordo com esse relatório das secretas norte-americanas, o Ministério Russo da Defesa lançou a operação especial, a dita operação especial, em fevereiro do ano passado, com 360 mil militares. Já ontem, Miguel, o Conselho de Segurança dos Estados Unidos partilhou um outro relatório, esse referente aos últimos dois meses, outubro e novembro, em que sublinha que as forças russas só nos últimos dois meses perderam 13 mil soldados. O Meduza acrescenta que os oficiais russos garantem que estes números ocidentais são exagerados e, por outro lado, os números também pecam quanto às perdas ucranianas.
São os destaques da imprensa russa.