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É o Som da Guerra, traduzida da Rádio Observador, uma edição dedicada à guerra no Irão. Vamos olhar para o que contam os jornais não só do Médio Oriente, mas também da imprensa norte-americana em tempo de guerra. Eu sou o João Gama. A edição de hoje é com a jornalista Nadine Soares. Nadine, vamos começar a olhar para os progressos nas negociações para um cessar-fogo de duas semanas no Irão.
São informações reveladas por fontes conhecedoras deste processo, citadas pela Associated Press, revelam que os esforços entre os Estados Unidos e o Irão estão a tornar provável que as duas partes voltem a sentar-se à mesa para uma nova ronda de negociações. É uma notícia que surge numa altura em que o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, ter indicado que Trump não está interessado no acordo para prolongar um cessar-fogo, mas sim numa negociação que acabe de vez com a guerra.
E Donald Trump, Nadine, que acredita mesmo que o conflito com o Irão está muito perto de acabar.
Numa altura em que se preparam novas conversações, em Islamabad, no Paquistão, o presidente norte-americano diz que o Irão quer muito chegar a um acordo. Donald Trump acredita, por isso, que o conflito está quase a chegar ao fim.
Acho que está perto do fim, sim. E sabes que mais? Se eu retirassem tudo agora, eles demorariam 20 anos a reconstruir o país. E nós ainda não terminamos. Vamos ver o que acontece. Eu acho que eles querem muito chegar a um acordo.
São declarações de Donald Trump num excerto de uma entrevista à Fox Business. Ainda assim, o presidente norte-americano não poupa nos avisos em relação à destruição causada pelo conflito. Ainda não terminou, diz Donald Trump.
E do outro lado, antes do regresso à mesa das negociações, o presidente do Irão diz estar aberto a um diálogo construtivo com os Estados Unidos da América. Ainda assim, deixa um aviso.
Não vai aceitar ser subjugado. São declarações breves de Masoud Pezeshkian, citado pela imprensa iraniana. O presidente do Irão defende que não está à procura de mais instabilidade, defende, por isso, a necessidade de um diálogo construtivo com vários países, mas avisa: qualquer tentativa de impor a vontade ou forçar o Irão a render-se não vai resultar. O Irão nunca vai aceitar essa abordagem. São palavras de Pezeshkian numa conferência de imprensa citado pelos média iranianos.
E na mesa das negociações tem de estar a verificação do programa nuclear do Irão. É, pelo menos, uma exigência da Agência Internacional de Energia Atómica.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica alerta que qualquer acordo entre Washington e Teerão para terminar com a guerra tem de incluir mecanismos de verificação muito detalhados do programa nuclear do Irão. Rafael Grossi explica que os iranianos têm um programa muito ambicioso e vasto e, por isso, é necessário a presença de inspetores da agência nas instalações nucleares. Caso contrário, não será um acordo, mas apenas uma ilusão. É o alerta deixado pelo diretor desta agência numa conferência de imprensa em Seul, citado pelo jornal sul-coreano "Chosun Ilbo".
E Nadine, este é um aviso que surge depois de um relatório confidencial da agência ter revelado que o Irão continua a impedir o acesso às instalações nucleares.
A Agência Internacional de Energia Atómica denuncia que o Irão continua a impedir o acesso às instalações nucleares que foram bombardeadas pelos Estados Unidos desde o início do conflito. Esta falta de cooperação impede a verificação atual do estoque de urânio enriquecido ou a confirmação de que as atividades foram mesmo suspensas. Enquanto Donald Trump defende um desfecho rápido deste conflito, a Agência Internacional de Energia Atómica insiste que a diplomacia nuclear exige garantias técnicas e não apenas promessas políticas.
E a Europa diz que tem um plano para desbloquear o estreito de Ormuz, mas que não conta com a participação dos Estados Unidos da América.
Sim, a União Europeia está a desenhar uma coligação internacional para garantir a segurança da navegação do estreito de Ormuz assim que as hostilidades terminarem. Mas com uma condição: a exclusão dos Estados Unidos deste processo. É uma informação avançada pelo The Wall Street Journal. De acordo com esta fonte, o presidente francês Emmanuel Macron terá revelado que esta missão deverá ser estritamente defensiva e composta por países não beligerantes. Ficam de fora não só Israel e o Irão, mas também a administração Trump. Este plano pode contar ainda com a adesão da Alemanha, sendo que Berlim, historicamente relutante em missões militares externas, deverá confirmar o apoio já amanhã.
E Nadine, continuamos a olhar para o estreito de Ormuz, onde continuam as contradições. De um lado, o exército norte-americano diz ter paralisado por completo o comércio marítimo do Irão.
É uma informação divulgada pelo Comando Central dos Estados Unidos na rede social X. O almirante Brad Cooper diz que as Forças Armadas norte-americanas conseguiram bloquear os portos iranianos e, como 90% do comércio do Irão depende da via marítima, considera ter paralisado, por isso, por completo a atividade econômica do país. No entanto, a imprensa iraniana relata a passagem de um superpetroleiro do Irão, precisamente no estreito de Ormuz. É o que escreve a agência de notícias iraniana Fars.
E, entretanto, o petróleo regista já uma alta ligeira depois destas notícias de um suposto bloqueio norte-americano.
Os preços dos contratos futuros de petróleo estão hoje a negociar em alta ligeira. Os contratos do Brent, a referência internacional para as importações portuguesas, estão a ser transacionados ligeiramente acima dos 95 dólares por barril. É uma subida de 0,3% face ao preço de referência registado no fecho do dia de ontem, terça-feira.
E vamos fechar esta guerra traduzida, Nadine, com a notícia de um novo aparelho que está a ser utilizado na ofensiva iraniana. Estamos a falar de um satélite chinês.
Sim, é uma notícia avançada pelo Financial Times, com base em documentos militares iranianos confidenciais. Em causa está esse satélite de uma empresa chinesa comprado pela Guarda Revolucionária Iraniana no final de 2024, isto depois de já ter sido colocado em órbita pela China. Os militares do Irão usaram este aparelho para monitorizar os movimentos nas bases dos Estados Unidos para depois atacar em locais estratégicos.
É o ponto final desta guerra traduzida dedicada à guerra no Irão. A edição de hoje foi com a jornalista Nadine Soares.