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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e também da imprensa russa. Diana Rosa, boa noite.

Olá, Ricardo. Boa noite.

Vamos começar com a imprensa russa. Moscovo anuncia que está a levar a cabo uma grande vaga de ataques contra a energia e logística ucraniana.

A imprensa estatal russa destaca hoje uma nova vaga de ataques maciços contra as infraestruturas energéticas de transporte e portuárias em várias regiões da Ucrânia, que são descritas como objectivos militares legítimos. Segundo o Ministério da Defesa, citado pela RIA, unidades russas atingiram nas últimas 24 horas centrais elétricas, subestações, nós ferroviários e instalações portuárias usadas alegadamente para lançar e abastecer drones ucranianos de longo alcance. Moscovo afirma ainda ter destruído locais de armazenamento e preparação de veículos aéreos não tripulados e posições temporárias de unidades ucranianas e combatentes estrangeiros em mais de uma centena de áreas ao longo da linha da frente. Esta é uma alegada resposta directa aos ataques de Kiev contra refinarias e infraestruturas em território russo, insistindo que o objectivo é reduzir o potencial militar ucraniano. Não são divulgados dados sobre danos colaterais, mas as autoridades garantem que procuram minimizar riscos para a população civil.

A defesa russa diz ter abatido quase 370 drones e mísseis HIMARS ucranianos.

A ser verdade, é um dos maiores números diários de interceções desde o início da guerra, insistindo na narrativa de que o país enfrenta um conflito de drones em expansão. De acordo com os dados divulgados pela defesa e citados pela RIA, os sistemas de defesa aérea russos terão abatido em 24 horas 368 drones ucranianos de diferentes tipos, como dizias, Ricardo, três foguetes de sistemas HIMARS fornecidos pelos Estados Unidos e uma bomba aérea guiada. A mesma nota acrescenta que nas zonas de combate designadas como agrupamento Norte e Sul, as forças ucranianas terão perdido no último dia até cerca de duas centenas militares em cada sector, bem como veículos blindados e peças de artilharia. Os analistas militares próximos do Kremlin apresentam estes números como prova de que a Ucrânia está a intensificar ataques de longo alcance, ao mesmo tempo que sofre perdas insustentáveis no terreno. Kiev não confirma estes dados, mas admite operações regulares com drones contra alvos militares na retaguarda russa.

Entretanto, o FSB diz ter travado um alegado atentado dos serviços secretos ucranianos em Moscovo.

Autoridades de segurança russa anunciaram a detenção em Moscovo de um cidadão russo, também acusado de preparar um ataque terrorista contra as instalações do Ministério da Defesa, alegadamente sob orientação de estruturas ligadas às secretas ucranianas. A RIA cita o Serviço Federal de Segurança ao afirmar que o suspeito terá contactado organizações terroristas ucranianas e viajado para a capital russa com a missão de escolher e atacar um alvo, recorrendo a um engenho explosivo improvisado. Segundo o FSB, o homem teria planos para fugir depois para território ucraniano e juntar-se a unidades que combatem contra a Rússia, tendo entretanto apresentado uma confissão detalhada. A operação é apresentada como uma prova de que Kiev procura expandir o terrorismo para dentro da Rússia, reforçando a retórica de cerco e justificando as novas medidas de segurança interna. As organizações independentes alertam, porém, que casos deste tipo são frequentemente usados para alimentar a narrativa de repressão contra críticos e potenciais opositores ao Kremlin.

E Diana, o governo russo reforçou também a pressão sobre o uso das redes VPN. O objectivo é controlar o tráfego internacional.

Numa frente menos visível, mas altamente sensível para o controle interno, prossegue essa ofensiva de Moscovo contra o uso dos VPNs e de tráfego internacional de internet por cidadãos, mas também por empresas. O Comerciante destaca que os principais operadores de telecomunicações pediram ao Ministério da Transformação Digital que adie a introdução de uma sobretaxa para utilizadores que excedam os 15 GB de tráfego internacional por mês, incluindo tráfego via VPN. A medida faz parte de um pacote mais amplo para desincentivar o acesso a serviços online estrangeiros e contornar os bloqueios impostos aos meios independentes e às plataformas ocidentais, num ambiente de censura crescente desde o início da guerra. Em paralelo, as autoridades ameaçam retirar a acreditação de empresas de TI que permitam, de forma sistemática, o uso de VPN pelos funcionários, num sinal de que o governo quer alinhar o setor tecnológico com a narrativa de soberania digital. Os especialistas alertam que estas restrições na Rússia podem aumentar.

Nós voltamos já a seguir com os destaques da imprensa ucraniana.