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Começa agora mais uma edição da Guerra Traduzida, mais um episódio especial para acompanhar a situação no Irão. Em tempo de guerra, passamos em revista os jornais do Médio Oriente e dos Estados Unidos. Eu sou a Nadine Soares, comigo está o jornalista Carlos Pedro. Olá, Carlos.

Olá, Nadine.

Destaque para o que parece ser um iminente acordo entre os Estados Unidos da América e o Irão.

A notícia foi avançada inicialmente pelo portal Axios ao final desta manhã. Mais tarde, uma fonte paquistanesa confirmou à agência Reuters que o acordo será concluído muito em breve. É uma informação que surge depois de Donald Trump ter suspendido uma emissão naval de três dias para reabrir o estreito de Ormuz, o chamado Projeto Liberdade. A missão não conseguiu retomar significativamente o tráfego marítimo no estreito, ao mesmo tempo que provocou uma nova onda de ataques iranianos contra navios em Ormuz e também contra alvos em países vizinhos no Golfo.

Ao Irão, Carlos, foi entregue um memorando de entendimento de 14 pontos. Teerão tem agora 48 horas para responder, mas que documento é este?

São 14 pontos que estão a ser negociados entre funcionários iranianos e também entre Steve Witkoff e Jared Kushner, dois funcionários do lado norte-americano. Mas vamos aos pontos mais importantes deste plano. De acordo com a Reuters, que cita aqui o portal Axios, assinando o memorando, fica dado o passo para o fim da guerra na região e o início de um período de 30 dias de negociações sobre um acordo detalhado para abrir o estreito de Ormuz. Outro dos objetivos é o de limitar o programa nuclear do Irão e suspender as sanções norte-americanas. Também as restrições do Irão à navegação pelo estreito de Ormuz e o bloqueio naval dos Estados Unidos ao Irão seriam gradualmente suspensos durante esse período de 30 dias e caso as negociações fracassassem, as forças norte-americanas poderiam restabelecer o bloqueio ou retomar as ações militares, diz o portal Axios. Ora, a proposta iraniana feita na semana passada também continha 14 pontos e pedia que a discussão sobre questões nucleares fosse deixada de lado, isto até ao fim da guerra e até estar resolvido o conflito no estreito de Ormuz. Na visita à China, já hoje, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, disse estar a aguardar por um acordo justo e abrangente. Pequim pede também a abertura do estreito de Ormuz, bem como o fim da guerra. A China lamenta os impactos econômicos da guerra, sobretudo o aumento dos preços do petróleo. Apesar disso e apesar do anúncio de ontem de Donald Trump, os preços estão a baixar. Os contratos futuros do petróleo Brent caíram mais de 6% para cerca de 103 dólares por barril. Trata-se de uma descida de 4% face à sessão anterior.

E seguimos com mais impactos do conflito. A Cruz Vermelha iraniana relata perdas que chegam perto dos 130 milhões de dólares.

Grandes prejuízos, é assim que classifica os danos provocados pelos ataques conjuntos entre Estados Unidos da América e Israel. A notícia é da agência Mehr. A Cruz Vermelha do Irão destaca sobretudo três helicópteros danificados, um deles totalmente destruído. Também 49 viaturas de emergência foram danificadas e mais de 56 instalações pertencentes à organização também foram afetadas.

E vamos fechar este episódio a olhar para Israel, isto porque Tel Aviv vai transferir combustível de aviação para a Alemanha. Por quê, Carlos?

Por causa do encerramento do estreito de Ormuz e também porque Berlim pediu ajuda nos últimos dias devido à crise petrolífera, que se faz sentir um pouco por todo o mundo. A coordenação das cargas será feita com as refinarias, avisa o Times of Israel. Não são fornecidos mais detalhes sobre a quantidade de combustível de aviação, nem uma cronologia.

E fica por aqui mais um episódio da Guerra Traduzida especial Irão, na Rádio Observador. A edição de hoje é do jornalista Carlos Pedro.