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"Guerra Traduzida" especial Irão. Esta segunda-feira com o jornalista Carlos Pedro e começamos exatamente no Irão. Um dos mais importantes responsáveis pela segurança do país diz que Teerão vai apresentar em breve uma zona restrita de circulação fora do Estreito de Ormuz.
Uma garantia deixada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, pelo líder desse conselho, Mohsen Rezaei, em entrevista à emissora estatal IRIB, transmitida ontem à noite. Rezaei explica o processo.
"A partir de agora, nos próximos dias e nas próximas semanas, vamos anunciar uma zona restrita e proibida fora do Estreito de Ormuz, que vai começar a partir da linha de bloqueio marítimo dos Estados Unidos, incluindo Ormuz, e que se estende até ao outro lado do Golfo Pérsico. Significa isto que qualquer navio que tenha a intenção de passar pelo estreito e que passe por esta zona vai entrar na nossa lista de sanções".
Sanções para os países que entrarem nesta zona restrita sem estar em coordenação com o Irão. O responsável explica ainda que a medida faz parte de uma estratégia mais ampla na abordagem do Irão à guerra e à diplomacia. O objetivo também parece claro: aumentar a pressão sobre os Estados Unidos, sobre o atual estado do estreito de Ormuz e, ao contrário do que tem sido vaticinado por Donald Trump, Mohsen Rezaei diz que Ormuz está completamente fechado. E quanto aos alegados navios norte-americanos que têm passado pelo canal, o responsável iraniano diz que é mentira. Rezaei dá conta ainda de que o Irão testou pela primeira vez um míssil num porta-aviões dos Estados Unidos, o que para este responsável prova que o bloqueio naval norte-americano é vulnerável.
E Carlos, o presidente do Parlamento iraniano deixa uma ameaça às empresas petrolíferas dos Estados Unidos.
"Ataquem os nossos ativos e serão atacados". A frase é de Mohammed Bagher Ghalibaf, que alerta para possíveis ataques dirigidos contra as empresas produtoras de gás e petróleo dos Estados Unidos. É uma ameaça que surge como resposta a outra ameaça dos Estados Unidos, neste caso do secretário de Defesa Pete Hegseth, que ameaçou com a destruição de petroleiros iranianos. A publicação de Ghalibaf foi feita na internet, nomeadamente na rede social X, e surge acompanhada de uma fotografia gerada por inteligência artificial que apresenta a infraestrutura petrolífera dos Estados Unidos como congelada. Surge ainda com a frase: "A década perdida da economia norte-americana está a chegar".
Enquanto isto, um antigo membro da Casa Branca afirma que Donald Trump está a arriscar uma guerra sem fim.
É um alerta deixado ontem por Leon Panetta, antigo secretário de Defesa norte-americano. Em entrevista ao The Guardian, Panetta diz que o conflito no Médio Oriente está a caminhar para uma guerra fracassada, como aconteceu no Irão e no Afeganistão. O antigo responsável norte-americano prevê que a guerra continue por mais seis meses sem ser resolvida. Apelida-a mesmo de possível guerra sem fim. Panetta diz ainda em entrevista ao The Guardian que as alegações constantes de vitória por parte de Donald Trump são um sinal de que o presidente dos Estados Unidos não tem credibilidade.
E colado aos Estados Unidos está o Canadá. O país promete manter uma pressão significativa sobre o Irão.
O Canadá condenou as ações desestabilizadoras do Irão no Médio Oriente, incluindo as ameaças à navegação no estreito de Ormuz e a alegada continuação de atividades nucleares ilícitas. Ottawa garante que está a trabalhar com os seus aliados para manter uma pressão significativa sobre Teerão. Numa declaração conjunta, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Anita Anand, e o ministro das Finanças, François-Philippe Champagne, afirmam que o Canadá está a trabalhar estreitamente com parceiros, incluindo no âmbito do G7, para aumentar a pressão sobre o Irão. De acordo com os dois ministros, esta estratégia inclui o apoio aos esforços liderados pelos Estados Unidos, França e Reino Unido. Isto para reabrir o estreito de Ormuz, assim como a manutenção das sanções contra o Irão.
E fica por aqui mais uma edição da "Guerra Traduzida", especial Irão, para analisar os conflitos no Médio Oriente. O meu nome é João Lourenço e a edição desta segunda-feira esteve a cargo do jornalista Carlos Pedro.