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Guerra traduzida, especial Irão. Passamos em revista os destaques da imprensa do Médio Oriente e dos Estados Unidos. A edição de hoje é com o jornalista Carlos Pedro. Carlos, é destaque em quase todos os jornais do mundo por esta altura: acabou o cessar-fogo no Médio Oriente, os alegados ataques iranianos no Estreito de Ormuz irritaram Donald Trump, deram asas à nova resposta dos Estados Unidos e ponto final na paz.
Washington atacou mais de 80 alvos no Irão. Teerão respondeu, entretanto, com ataques a bases militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait. Os iranianos imediatamente acusaram Washington de violar o cessar-fogo. Já os norte-americanos, por outro lado, justificam como resposta a estes ataques alegados outros ataques de Teerão contra três navios comerciais no Estreito de Ormuz. Por isso, o presidente dos Estados Unidos diz que se vai reunir com os negociadores norte-americanos com o objetivo de parar as conversações com o Irão. Donald Trump anuncia mesmo que o cessar-fogo, que tinha sido alcançado, acabou.
"Para mim, acho que acabou. Não quero ter nada a ver com eles. São escumalha, são pessoas doentes, cruéis e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, usavam-na. No que a mim diz respeito, acabou. Vou falar com os negociadores, o Steve Witkoff, o Jared Kushner. É uma perda de tempo falar com eles, são mentirosos. Para mim, acabou."
São declarações do presidente norte-americano, sentado ao lado do secretário-geral da NATO, em conferência de imprensa na cimeira da Aliança Atlântica, que encerra precisamente hoje na capital turca, em Ancara. Já antes destas declarações conjuntas, Mark Rutte, o secretário-geral da NATO, tinha saído em defesa dos ataques dos Estados Unidos no Irão.
"Penso que o ataque norte-americano foi totalmente necessário. Quando temos um cessar-fogo e o Irão viola esse cessar-fogo, como vimos ontem, penso que é crucial a reação dos Estados Unidos."
Aqui é Mark Rutte esta manhã, entrada para o segundo dia da cimeira da NATO na Turquia, no mesmo dia em que Donald Trump deixou críticas aos membros da Aliança Atlântica pela falta de apoio durante a guerra com o Irão.
E um deles, Carlos, foi a Espanha.
Sim, é um velho inimigo de Donald Trump, assim por dizer. O presidente dos Estados Unidos diz que ordenou ao secretário de Estado do Tesouro, Scott Benson, que suspendesse todo o comércio com Madri, referindo-se ao país vizinho de Portugal como um parceiro terrível na NATO. É o que escreve a agência Reuters. O Irão, entretanto, afirma que pelo menos uma pessoa morreu nos ataques dos Estados Unidos. Trata-se de um membro da marinha iraniana. Na análise a esta última noite de ataques entre Washington e Teerão, o coronel José do Carmo considera que nenhum dos dois países quer voltar aos combates e explica a forma como os Estados Unidos e o Irão olham para o conflito neste momento.
O memorando é apenas uma plataforma de entendimento para resolver uns problemas mais vastos. Só que o Irão entende este memorando como uma espécie de capitulação americana e os americanos entendem que este memorando tem dentes e estão a mostrar agora que tem dentes. Nenhuma das partes quer voltar à guerra, o Irão quer apenas garantir que controla o estreito de Ormuz, é o seu objetivo neste momento. Por isso atacou navios que estavam numa rota que nem sequer passa pelo Irão, é uma rota que passa por Omã. Os Estados Unidos tinham que reagir, porque isto põe em causa aquilo que são os objetivos americanos para esta zona, que é manter a liberdade de circulação.
O coronel José do Carmo no gabinete de guerra da Rádio Observador, a analisar a última noite de ataques entre Irão e Estados Unidos. Donald Trump vem agora dizer que este cessar-fogo acabou.
E estas declarações do presidente dos Estados Unidos e também o fim do cessar-fogo tiveram um efeito imediato nos mercados, Carlos.
Sim, o barril de Brent está a ser negociado a esta altura a mais de US$ 78. Trata-se de uma subida de quase 6% face à última sessão. As principais bolsas europeias também estão a negociar a esta hora em terreno negativo. O PSI, o principal índice da Bolsa de Lisboa, está neste momento a desvalorizar 1%. São perdas mais acentuadas as que acontecem em França e Espanha. São desvalorizações superiores a 2%. Nas reações a esta noite de ataques e este iminente fim do cessar-fogo, destaque desde logo para Kaya Callas, a responsável pela política externa da União Europeia, diz que são inaceitáveis os ataques iranianos dirigidos ao Bahrein e ao Kuwait. Callas admite mesmo que a troca de ataques entre Estados Unidos e Irão dificulta as conversações para o fim da guerra, conversações essas que já eram frágeis.
Ponto final no episódio de hoje da guerra traduzida para acompanhar o conflito no Irão, hoje com o Carlos Pedro. Voltamos amanhã com mais destaques, tanto da imprensa norte-americana como também da imprensa do Médio Oriente.