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Bem-vindos a mais um episódio da "Guerra Traduzida". Hoje, com a jornalista Nadine Soares, edição especial da guerra no Irão. Começamos com a imprensa iraniana. Nadine Soares, o Irão nega ter tentado atacar a Turquia. Isto depois da notícia de que a NATO interceptou um míssil iraniano no espaço aéreo do país.
De acordo com a Turquia, o míssil foi disparado do Irão, atravessou o Iraque e a Síria antes de se dirigir para o espaço aéreo turco e foi neutralizado por sistemas de defesa aérea da NATO estacionados na região. O Estado-Maior das Forças Armadas do Irão divulgou um comunicado pela agência de notícias estatal Mehr, em que nega ter disparado qualquer míssil contra a Turquia. Teerão garante respeitar a soberania do país vizinho e amigo. Apesar da denúncia, não há registro de vítimas. O presidente turco disse ontem que vão ser tomadas todas as precauções necessárias em consulta com os aliados da NATO.
Ainda assim, outros ataques continuam. Esta quinta-feira, o Irão atacou um petroleiro norte-americano no norte do Golfo Pérsico.
Os Estados Unidos ainda não reagiram. Uma informação avançada pela agência estatal iraniana Fars, citada pela Sky News. O petroleiro norte-americano que navegava no norte do Golfo do Pérsico ardeu. Um incidente que acontece depois do Irão ter avisado que estava a preparar uma retaliação. Isto depois de um submarino norte-americano ter afundado um navio de guerra iraniano no Oceano Pacífico.
Ainda nesta temática, um drone iraniano atingiu também um aeroporto do Azerbaijão. Isto aconteceu, Nadine Soares, perto da fronteira entre os dois países.
Sim, é a primeira vez que um Estado do Cáucaso é alvo do Irão desde o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra Teerão. O país não abriga bases militares norte-americanas. A informação foi divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão. Dois civis ficaram feridos. Um segundo drone caiu perto de uma escola, numa aldeia próxima. Baku afirma que se reserva o direito de tomar medidas de retaliação.
E, Nadine, seis pessoas ficaram feridas devido à queda de destroços de um drone, mas agora em Abu Dhabi.
São dados do gabinete de comunicação do governo dos Emirados Árabes Unidos na rede social X. Os feridos na capital, devido à queda de destroços de um drone que acabou interceptado na capital, como dizia, Abu Dhabi, eram paquistaneses e nepaleses.
Do outro lado do conflito, as forças de Israel intensificaram esta madrugada uma onda de ataques no coração de Teerão.
É uma expressão utilizada por Israel na rede social X. As Forças de Defesa escrevem que foram atacados vários locais de lançamento de mísseis balísticos de longo alcance, que representavam ameaças reais para Israel.
E não parece ficar mesmo por aqui. O ministro da Defesa de Israel terá conversado com o chefe do Pentágono, que defende que é para levar este conflito entre Estados Unidos, Israel e também o Irão, até o fim.
As forças de Israel dizem que Pete Hegseth conversou com o ministro da Defesa de Israel, por chamada telefônica ontem à noite, e que terá elogiado a cooperação entre países. Num comunicado citado pelo Times of Israel, o gabinete de Israel Katz, o ministro da Defesa israelita, escreve que Hegseth prometeu total colaboração dos Estados Unidos até o fim. O ministro da Defesa israelita terá também agradecido a Donald Trump o apoio prestado.
E os Estados Unidos estarão a preparar-se para um conflito que pode durar mais de 100 dias.
É o que escreve o jornal político, o Comando Central do Departamento de Defesa norte-americano pediu o envio de mais especialistas em inteligência artificial para a sede na Flórida. O objetivo é apoiar a ofensiva contra o Irão num cenário mais prolongado. Donald Trump já tinha afirmado, anteriormente, que esta ação poderia durar quatro a cinco semanas.
Falamos ainda de balanço geral da guerra no Médio Oriente, que já provocou 275 mil deslocados.
O Irão, o Líbano, Afeganistão e Paquistão são dos países mais afetados, é o que avança a ONU. A Agência para os Refugiados indica que desde sábado, pelo menos 100 mil pessoas fugiram de casa no Irão, devido aos ataques dos Estados Unidos e Israel, e 115 mil no Afeganistão, pelo envolvimento no conflito com o Paquistão. No Líbano, devido às hostilidades entre Israel e o Hezbollah, a ONU registra quase 60 mil pessoas deslocadas.
Importa também perceber as reações do lado europeu a este intensificar das hostilidades no Médio Oriente. Volodymyr Zelensky, o presidente da Ucrânia, diz que o país está disponível para ajudar na troca de tecnologia e armamento com os países do Golfo.
Estados Unidos e aliados europeus pediram à Ucrânia que partilhasse a experiência no combate aos drones iranianos Shahed. Na rede social X, o presidente ucraniano mostra-se aberto a isso para partilhar esses conhecimentos. Já quanto às armas, lembra que a Ucrânia não deixou de estar em guerra.
Um aviso importante também por parte de Volodymyr Zelensky e Roberta Metsola, Nadine, agradece o apoio dos Emirados Árabes Unidos aos europeus.
A presidente do Parlamento Europeu divulgou uma mensagem nas redes sociais depois de ter falado com o presidente dos Emirados Árabes Unidos. Roberta Metsola diz ter agradecido o apoio e proteção dos cidadãos europeus, isto por estar a facilitar a assistência e repatriamento.
Há também um reforço de meios do lado europeu. A França autorizou temporariamente a presença de aviões norte-americanos nas bases aéreas.
Uma informação da BFMTV, um porta-voz do Estado-Maior conjunto francês indica que a autorização, ainda que temporária, faz parte da relação com os Estados Unidos e o objetivo é proteger os parceiros no Golfo.
Ora, a Espanha está a fazer semelhante, mas neste caso, no mar, enviou uma fragata para se juntar ao porta-aviões francês Charles de Gaulle, em Chipre.
Dados revelados pelo Ministério da Defesa espanhol, a fragata Cristóvão Colombo juntou-se agora ao grupo naval de França para realizar trabalhos de escolta, proteção e treino no Mar Báltico. Na próxima semana vai seguir para a costa de Creta. No mesmo comunicado, o governo espanhol indica que se trata da fragata mais avançada de Espanha.
Já a Itália está a planear enviar ajuda, mas, Nadine, para a defesa aérea dos países do Golfo.
É o que noticia a agência Reuters. A primeira-ministra italiana quer seguir os passos do Reino Unido, França e Alemanha. À rádio RTL, Giorgia Meloni justifica a decisão com o facto de milhares de italianos viverem na região e de exigir para proteger essas pessoas.
Está tudo dito na "Guerra Traduzida" da Rádio Observador, edição especial da guerra no Irão, hoje com a jornalista Nadine Soares e fica, como sempre, disponível em podcast.