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Guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos falar agora dos destaques da imprensa russa, hoje com a edição de Martim Madeira. Putin assina um decreto para intervir em empresas sem segurança contra drones.

Passamos para a visão de Moscovo, começando com uma notícia económica e de segurança nacional importante trazida pelo The Moscow Times. O presidente russo assinou uma ordem presidencial que dá plenos poderes ao governo para intervir e assumir o controle provisório de qualquer infraestrutura crítica no país, sejam esses ativos físicos, financeiros ou legais. A justificação para esta medida é bastante direta: o Estado pode agir se as empresas proprietárias destas instalações estratégicas não garantirem medidas de segurança robustas e adequadas contra ataques de drones ucranianos. É o que avisa a Federação Russa. É uma resposta direta às perdas nas cadeias logísticas e de distribuição, como por exemplo a Wildberries, que tem afetado depósitos e instalações petrolíferas russas.

O Kremlin ameaça fazer ataques retaliatórios contra Kiev.

A retórica do lado russo subiu de tom nas últimas horas, tal como noticia o The New Voice of Ukraine. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, veio a público ameaçar a Ucrânia com bombardeamentos diários contra alvos em Kiev. Esta ameaça direta é apresentada por Moscovo como uma resposta aos recentes ataques com drones ucranianos, que atingiram armazéns gigantes da retalista online Ozone, no sul da Rússia. Peskov classificou os ataques ucranianos contra centros de distribuição comercial como ações hostis, pretendendo criar um aviso dissuasor para evitar que Kiev continue a atacar estas grandes redes comerciais e de logística interna russa.

Martim, Moscovo prepara apoios e isenções fiscais para empresas atingidas por drones.

Continuamos na economia russa com dados avançados pelo The Moscow Times. O ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, propõe um pacote de emergência para apoiar o comércio eletrónico e os vendedores independentes que sofreram prejuízos devido aos ataques aéreos da Ucrânia. O plano prevê um alívio fiscal para as empresas afetadas, como por exemplo a Wildberries, que é uma espécie de Amazon da Rússia, incluindo o adiamento do pagamento de impostos, a suspensão temporária de auditorias fiscais e uma moratória nas contribuições à Segurança Social. O governo russo quer evitar uma rutura na cadeia de distribuição online, que se tornou um motor crucial da economia nacional desde o início das sanções internacionais.

A imprensa russa diz que Zelensky se isolou do próprio povo.

É uma análise crítica que merece algum destaque nas páginas do jornal russo Komsomolskaya Pravda. A publicação fez hoje um balanço das intervenções públicas de Volodymyr Zelensky e concluiu que o líder ucraniano perdeu completamente a ligação de comunicação direta com a população. O correspondente de guerra deste jornal, o Alexander Kots, escreve que os discursos diários do presidente ucraniano já não são pensados para motivar os cidadãos ucranianos, mas sim para servir de mensagens focadas em agradar os líderes ocidentais e garantir mais financiamento militar. Esta perspectiva é promovida em Moscovo para tentar passar a ideia de que o governo de Kiev está isolado e que a sociedade começa a dar sinais de desgaste com a liderança política.

E uma ativista do grupo feminista Pussy Riot confessa ter feito espionagem para o FSB.

Fechamos com uma história da segurança interna russa, revelada hoje pelo The Moscow Times. Rita Flores, uma antiga integrante do grupo Pussy Riot, confessou publicamente que colaborou ativamente com os serviços de segurança russos, o FSB, para vigiar e denunciar outros ativistas críticos do Kremlin. Rita Flores, por mais que o nome seja português, não é portuguesa, é uma mulher russa com nome falso. Flores explicou que foi forçada a assinar o acordo de cooperação depois de os agentes do FSB terem ameaçado familiares e garantirem que ela passaria anos na prisão. Esta confissão expõe o nível de pressão e controle que as autoridades de segurança russa continuam a exercer nos bastidores para neutralizar qualquer foco de dissidência interna.

Fica por aqui esta edição da Guerra Traduzida, hoje com o jornalista Martim Madeira.