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Guerra traduzida na Rádio Observador. Nos próximos minutos falamos sobre o que está em destaque na imprensa russa com José Rafael Lopes. Começamos com o possível encontro entre os presidentes da Rússia, China e Estados Unidos. O Kremlin confirma que está em contactos.

O Parlamento russo deu início a um processo diplomático para tentar fechar esse encontro que pode colocar na mesa Vladimir Putin, Donald Trump e Xi Jinping. Os meios de comunicação russos destacam as palavras de Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, que diz que Moscovo, Washington e Pequim estão mesmo a discutir a possibilidade de um encontro com três partes. Para já, não há muitos dados concretos sobre a possibilidade deste encontro. O que se sabe é que pode acontecer à margem da Cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, marcada para novembro, na China. Segundo as informações divulgadas, Moscovo pretende discutir uma solução para a guerra na Ucrânia sem chamar à conversa o lado ucraniano.

E Moscovo anunciou mudanças em cargos de topo no governo russo.

Uma mudança que está a ser apresentada nos meios de comunicação russos como uma remodelação governamental levada a cabo com o aval do primeiro-ministro russo e também do presidente Vladimir Putin. Entre as alterações propostas está a nomeação do ministro das Finanças para o cargo de vice-primeiro-ministro. Foram ainda indicados novos governadores. Há também um novo vice-primeiro-ministro que assume o cargo, além da pasta do ministro dos Transportes da Rússia. Vladimir Putin aprovou ainda uma remodelação na Agência Federal de Aviação da Rússia, sendo que todas estas mudanças e nomeações têm de seguir o processo de aprovação parlamentar previsto na legislação russa, situação que não deve levantar questões.

E a imprensa russa dá ainda destaque a um encontro entre o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia e do Irão.

Sergei Lavrov deslocou-se a Teerão numa visita-relâmpago. A agenda diplomática incluiu as relações bilaterais e a cooperação regional entre os dois países, mas não terá sido a única questão em cima da mesa. Entre as declarações divulgadas pelos jornais russos, Sergei Lavrov disse que Moscovo vai respeitar uma eventual aproximação do Irão ao acordo de defesa que envolve a Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia. Isto, defendeu Lavrov, caso Teerão considere que isso contribui para a paz e para o desenvolvimento e que não põe em causa os interesses nacionais do país.

A imprensa russa destaca ainda os problemas provocados pelas manifestações pelo custo de vida na Europa.

O Kremlin considera que os protestos na Europa, com destaque para França, estão próximos do caos. É o que diz Dmitry Peskov, porta-voz do Parlamento russo, que afirmou que os distúrbios associados a protestos em vários países europeus representam uma crise importante e estão próximos de perder o controle. Questionado sobre se estes acontecimentos revelam uma crise sistémica na União Europeia, o porta-voz do Kremlin disse apenas que é uma situação evidente, mas acrescentou que cabe aos próprios países lidar com os problemas internos. A declaração foi divulgada pela agência Interfax e faz parte da cobertura russa das tensões políticas e sociais na Europa, com destaque para França.

E José, no campo de batalha, a Rússia afirma ter conquistado mais terra ucraniana.

Informações avançadas pelo Ministério da Defesa da Rússia, que assume ter o controle de uma localidade na região de Zaporizhzhia. A Agência Interfax diz que o Ministério da Defesa fez o anúncio há pouco tempo, em conferência de imprensa. A informação integra também a atualização militar divulgada por Moscovo sobre a situação na frente de combate. Trata-se de uma reivindicação das autoridades russas. A notícia consultada em si, o jornal Interfax, não permite confirmar de forma independente o controle efetivo do território. Não há referências nenhumas sobre Zaporizhzhia em mais elementos da imprensa russa nem da imprensa ucraniana.

Certo é que Moscovo volta a defender a posição sobre os ataques à infraestrutura ucraniana.

Posição russa de que não há nenhuma intenção clara e definitiva de atingir as infraestruturas energéticas ucranianas, sobretudo em Kiev. Um tema em destaque praticamente em toda a imprensa, que volta a citar Sergei Lavrov, o ministro dos Negócios Estrangeiros nega que a Rússia tenha atacado infraestruturas civis da Ucrânia, sobretudo ligadas ao setor da energia. A posição russa oficial contrasta com as informações divulgadas pelas autoridades ucranianas sobre os danos causados pelos ataques da última noite a edifícios residenciais e infraestruturas energéticas.

E são estes os principais destaques na imprensa russa. A Guerra Traduzida está de regresso amanhã. Este e todos os episódios ficam disponíveis em podcast.