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É o Som da Guerra Traduzida da Rádio Observador, uma edição dedicada à guerra no Irão. Vamos passar em revista o que contam os jornais do mundo em tempo de guerra. Eu sou o João Gama e a edição de hoje é da jornalista Nadine Soares. Nadine, vamos começar com a imprensa iraniana, que tem em destaque a visita do ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, do Irão à Rússia.

Para um encontro com Vladimir Putin em São Petersburgo. À entrada para esta reunião, Abbas Araghchi considera que vai ser uma boa oportunidade para discutir os desenvolvimentos da guerra, uma mensagem citada pela agência iraniana IRNA. Ainda nesta declaração, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão fala em desenvolvimentos no processo de negociação. Indica que as exigências dos Estados Unidos impediram um acordo na última ronda de negociação, mas que foram alcançados alguns progressos.

Já Donald Trump, Nadine, diz que o Irão pode ligar se quiser conversar sobre o final da guerra.

O presidente norte-americano mostra-se disponível para uma conversa telefónica para negociar o fim da guerra, mas deixa já uma exigência: o Irão não pode ter armas nucleares, caso contrário, não há motivos para conversarem. São declarações de Donald Trump à Fox News. O presidente norte-americano garante que tem uma linha de telefone segura. Deixa, por isso, o desafio: podem ligar à vontade ou até marcar um encontro.

Por outro lado, Teerão terá enviado mensagens aos Estados Unidos, mas através do Paquistão.

Como um sinal de esforço de paz, a agência de notícias Fars escreve que Teerão enviou mensagens escritas à delegação norte-americana através dos mediadores do Paquistão. Nessas mensagens, a delegação iraniana reforçou as linhas vermelhas da negociação relacionadas à questão nuclear e ao controle do estreito de Ormuz.

O Irão mostrou-se também disponível, Nadine, para apresentar uma nova proposta para reabrir o estreito de Ormuz.

Uma informação do portal Axios. Teerão adiou assim para mais tarde as negociações sobre o programa nuclear.

Continuamos a falar sobre o estreito por onde passa um quinto do petróleo mundial, o estreito de Ormuz, numa altura em que quase 2500 marinheiros estão retidos precisamente nesta localidade.

Sem certeza de quando poderão voltar à casa. Mais de uma centena de embarcações estão paralisadas no local, com quase 2500 marinheiros. É uma informação da BBC que cita a associação Intertanko, que representa os donos de navios militares. Em entrevista ao programa "Today", o porta-voz da associação, Tim Wilkins, indica que há tripulações em estresse já a gerir alimentos e água.

Esta é uma guerra que vai além do Irão e no Líbano, o líder do Hezbollah rejeita negociações do governo libanês com Israel se não houver, Nadine, garantias de segurança.

Naim Kassem defende que são necessárias cinco condições que devem ser cumpridas antes de existir qualquer tipo de conversa direta entre o Líbano e Israel, entre elas a pausa dos ataques por terra, mar e ar, e a retirada de Israel dos territórios ocupados e ainda a libertação de prisioneiros. O líder do Hezbollah considera que as autoridades do Líbano devem privilegiar o diálogo interno, que coloque os interesses do país em primeiro lugar antes de conversarem com o inimigo.

Do lado europeu, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, defende que é muito cedo para acabar as sanções impostas ao Irão.

Seria prematuro, diz a presidente da Comissão Europeia, de visita a Berlim. É preciso uma mudança de comportamento por parte do Irão para que a União Europeia pondere levantar as sanções aplicadas. Entre elas está, por exemplo, a proibição da exportação de armas para o Irão ou o impedimento do acesso dos voos de transporte de carga iranianos a aeroportos da União Europeia.

E já se começam a fazer contas aos impactos da guerra. É o caso do Reino Unido. O primeiro-ministro britânico marcou uma reunião para analisar o impacto do conflito na economia do país.

É um encontro com o comitê de emergência do governo. Keir Starmer quer preparar um plano de resposta aos impactos da guerra do Médio Oriente. O primeiro-ministro britânico promete estar ao lado dos trabalhadores. Admite que as consequências económicas desta guerra, da guerra do Irão, vão afetar a Europa durante algum tempo. Dá o exemplo dos preços elevados dos combustíveis.

E é com a preparação da Europa às consequências da guerra que encerramos este episódio da Guerra Traduzida, uma edição dedicada à guerra no Irão, com a edição da jornalista Nadine Soares. Está de regresso amanhã à antena da Rádio Observador.

Até amanhã.