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Vamos a mais uma Guerra Traduzida na Rádio Observador. Nos próximos minutos, vamos olhar para o que está a ser noticiado hoje na imprensa ucraniana. Contamos com a ajuda da jornalista Inês Amach, num programa que é feito em colaboração com a Tânia Olinyk, natural da Ucrânia. Inês, boa tarde. Começamos com uma das notícias que está a marcar a imprensa ucraniana nesta sexta-feira, dia 30 de setembro, um ataque russo contra um comboio humanitário em Zaporízhia.

Boa tarde. Isso mesmo. Este ataque aconteceu esta manhã, provocou pelo menos 23 mortos e 28 feridos. Neste artigo do jornal ucraniano Pravda, pode ler-se que as tropas russas dispararam mísseis nos arredores da cidade de Zaporízhia. Este ataque acabou depois por atingir uma coluna de civis que estavam a ir para este, que é atualmente um território ocupado pela Rússia, Zaporízhia. Estavam a ir em carros, em longas filas, até essas zonas que estão nesta altura ocupadas pelas tropas russas, para tirarem familiares e também levarem ajuda humanitária. Por causa deste ataque, acabaram por morrer pelo menos esses 23 civis. Há também dezenas de feridos. São estes os dados que estão a ser avançados pela imprensa ucraniana. Entretanto, também as equipes médicas e de resgate continuam no terreno. E este mesmo artigo dá também conta da reação de Zelenskyy, que esta manhã, o presidente ucraniano, já veio classificar este ataque como uma "escória sanguinária". Foi esta a expressão utilizada pelo líder ucraniano, sendo que este mesmo jornal, o Pravda, relata, entretanto, que a partida para os territórios ocupados através de Zaporízhia foi temporariamente suspensa por causa deste ataque. Trata-se então da rota pela qual os ucranianos estão a tentar retirar familiares das zonas ocupadas e também a tentar levar ajuda humanitária.

Olhamos agora, Inês, para uma história emocionante de uma menina ucraniana que está a participar num programa de talentos em Espanha e que levou os jurados às lágrimas.

Ela chama-se Zlata Khomenko, tem oito anos, é uma refugiada ucraniana, está nesta altura em território espanhol. Ela dança, participou no programa Got Talent em Espanha, onde foi acompanhada pela mãe e pelo professor de dança. Antes de fazer a atuação, a criança conta que é ucraniana, fugiu do país por causa da guerra e explicou que iria dedicar aquela dança a todas as crianças ucranianas. Vamos ouvir.

"Me llama Zlata, mi ocho años. Yo soy ucraniana."

"¿A quién le quiere dedicar la actuación? ¿A alguien?"

"Я буду танцевать для всех украинских детей. Я посвящаю свой танец Украине."

Aqui um excerto desse programa em que esta menina, em ucraniano, diz que vai dançar por todas e para todas as crianças ucranianas e que dedica esta atuação ao país de origem. Enquanto isso, ela tenta também, como pudemos perceber neste som, fazer força pra não deixar cair as lágrimas, mas claro, foi de resto um discurso que acabou em emocionar muito os membros do júri. Esta história é contada no site da televisão ucraniana TSN, sendo que no final da atuação, a menina Zlata Khomenko agradeceu o apoio de todos, disse esperar que a guerra na Ucrânia termine o mais rápido possível para que também ela possa voltar ao país. Ela conta também que sente muita falta dos amigos que lá ficaram e que espera voltar em breve. Quanto ao programa de televisão, a competição, este Got Talent em Espanha, um dos jurados não resistiu, acabou por carregar no chamado botão dourado, que leva esta menina ucraniana, esta refugiada, diretamente às semifinais da competição.

De facto, uma história emocionante. Avançamos agora para um artigo que conta uma outra história, a história de uma família que foi morta em Dnipro. O cão da família sobreviveu e continua à espera dos donos nas ruínas da casa.

A história é contada pela Life Pravda, também um jornal ucraniano. Dá conta de que uma família morreu durante um bombardeamento na cidade de Dnipro. Duas crianças, a mãe e a avó acabaram por perder a vida neste ataque. Ora, esta família tinha um cão de estimação que sobreviveu a esse ataque russo e que foi resgatado, entretanto, ontem à noite. O Krim, assim se chama este animal, foi encontrado sentado junto às ruínas da casa e, ao que parece, estaria à espera dos donos. O artigo tem fotografias, pode mesmo ver-se o cão sentado nos escombros, no meio de pedras, também de muita destruição, e acaba por ser levado pelas autoridades. Ele está ferido e por isso está a ser acompanhado também por equipes médicas veterinárias. É mais um caso de animais de estimação que ficam à espera dos donos, que morrem em ataques russos e que não voltam mais. É também uma história que está a ser noticiada pela imprensa ucraniana.

Inês, a imprensa ucraniana de hoje também dá destaque às mulheres que combatem nesta guerra.

Sim, isto porque não só os homens o fazem, muitas vezes também nos esquecemos de como também é difícil para as mulheres, também por questões de higiene e saúde íntima. E foi precisamente isso que esta TSN na Ucrânia quis destacar. Revela que mais de 38 mil militares a servir nas Forças Armadas do país nesta altura são mulheres, das quais mais de 5 mil estarão na linha da frente, e são, por isso, dadas aqui algumas dicas com a ajuda de uma ginecologista. São ajudas para quando a mulher está, por exemplo, a menstruar e está numa trincheira. Há também dicas sobre que tipos de produtos femininos usar, que roupas íntimas usar e até que tipo de cuidados ter com os cabelos nas mulheres que também estão a lutar e a combater na linha de frente nesta guerra.

E é desta forma que terminamos a revista de imprensa ucraniana aqui trazida pela Inês Amach, com a ajuda da Tânia Olinyk, revista de imprensa de sexta-feira, dia 30 de setembro.