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Segunda parte da "Guerra Traduzida", hoje com o jornalista Vasco Maldonado Correia. Vamos agora saber o que dizem os jornais russos. Vasco, começamos com essa resposta russa às sanções da União Europeia.

Não descarta contramedidas contra as novas sanções da União Europeia, é o que diz o Ministério dos Negócios Estrangeiros. O representante do ministério, Alexander Grushko, garante que vão ser tomadas medidas que apoiem os interesses da Rússia, se isso for mesmo necessário. O Kremlin vai analisar o impacto das sanções contra a economia. O 18º pacote das sanções antirrussas da União Europeia, é assim que o descreve a Agência TASS, expande a lista negra de pessoas físicas e jurídicas, reduz o teto de preço para compras de petróleo russo na União Europeia, exclui também a possibilidade de retomar as operações dos gasodutos Nord Stream e introduz restrições contra petroleiros e bancos e estabelece ainda novas restrições às exportações.

E perante essas sanções, o porta-voz do Kremlin avisa que elas vão ter efeitos negativos para os países que as impuseram.

Dmitry Peskov acrescenta que o Executivo liderado por Putin considera estas restrições ilegais, mas afirma que a Rússia já adquiriu uma certa imunidade e já está adaptada a viver sob estas sanções. É a resposta oficial do Kremlin depois de a União Europeia ter aprovado hoje em Bruxelas este 18º pacote de sanções contra a Rússia.

Kremlin que garante também que a Ucrânia é uma questão à parte nas conversas com os Estados Unidos.

Linhas separadas no diálogo com Washington. Uma coisa é o conflito com a Ucrânia, outra são as relações bilaterais com a Casa Branca, mesmo que essas relações estejam num ponto irritante e até problemático. É assim que o descreve Dmitry Peskov, que esclarece que os comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a expressar decepção com o processo de acordo de paz com a Ucrânia, têm pouca influência na normalização das relações entre Moscovo e Washington. As duas potências têm se envolvido em negociações com o objetivo de aliviar as tensões e melhorar os laços bilaterais. A Agência TASS escreve hoje que o progresso nessa frente foi recentemente estagnado, mas por iniciativa dos Estados Unidos.

E Vasco, a Rússia queixa-se da tentativa de acesso do Ocidente aos metais das terras raras. Fala em neocolonialismo.

Denúncia feita também pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, num artigo de opinião intitulado, como dizias, Luís, "Neocolonialismo", no jornal Rossiyskaya Gazeta. A porta-voz Maria Zakharova diz que essa corrida pelos metais das terras raras se aproxima do roubo. Maria Zakharova explica que os metais de terras raras, cujas reservas são bastante limitadas, são o recurso essencial necessário para continuar a aumentar a produção e introduzir padrões de inteligência artificial de forma mais sólida, ou seja, são o prêmio nas guerras comerciais em curso entre os principais fornecedores de soluções desta tecnologia para o mercado. Diz, por isso, a porta-voz que as elites políticas dos países ocidentais, a maioria dos quais não possui estas reservas, buscam agora obter acesso antecipado e irrestrito aos campos detidos pelos países que têm, de facto, estas reservas. E ao fazê-lo, estão a perseguir, estes países ocidentais, uma política neocolonial agressiva que mais se assemelha ao roubo e à pilhagem.

Ainda na imprensa russa, o Telegram que iniciou o processo legal para abrir escritórios, precisamente, na Rússia.

Notícia em destaque no The Moscow Times. A medida ocorre quase quatro anos depois de a Rússia aprovar uma legislação exigindo que empresas estrangeiras de tecnologia estabeleçam uma presença física no país ou enfrentem consequências legais se não o quiserem fazer, incluindo proibições de publicidade e bloqueios definitivos. Embora empresas como a Google ou o TikTok tenham cumprido a lei, o Telegram, fundado pelo empreendedor russo Pavel Durov, até agora não tinha chegado a instalar-se em território russo. Ora, de acordo com o site de tecnologia Hi-Tech Mail, que é aqui citado pelo Moscow Times, o pedido de registro da empresa está em aprovação. De acordo com o jornal russo independente, o Telegram tomou medidas mínimas para cumprir as leis de localização russas. A plataforma de mensagens é, relembro, amplamente utilizada na Rússia, sendo popular entre as autoridades estatais, figuras pró-Kremlin e também vozes da oposição.

Vasco Maldonado Correia e mais uma edição da "Guerra Traduzida", que está de regresso na próxima segunda-feira.