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Na Rádio Observador seguimos com a Guerra Traduzida, agora com destaque para a imprensa russa. Um trabalho do jornalista Miguel Cordeiro, desta feita em colaboração com a Larissa Tovmazian. Em destaque, o Kremlin fala sobre o fim da mobilização parcial em várias regiões. Miguel.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, sentiu necessidade de explicar que Vladimir Putin ainda não assinou o decreto sobre a conclusão da mobilização parcial no país, apesar desse anúncio do fim da campanha de mobilização em várias regiões. Ainda ontem falámos sobre o fim da mobilização parcial em Moscovo, na capital. O Ministério da Defesa, para cada região, estabeleceu indicadores de mobilização em termos de números e as regiões afirmam que a tarefa de mobilização foi concluída. Isto é o que explica Peskov. Ou seja, foi estabelecido o número de pessoas que tinham que ser mobilizadas por região e as regiões que já conseguiram atingir esse número dizem que está concluída a mobilização, mesmo tendo pessoas que possam vir a ser abrangidas pelos critérios para esta mobilização. Segundo o porta-voz do Kremlin, o processo de mobilização parcial foi concluído nas regiões que deram conta dessa tarefa. Quanto ao decreto presidencial, ainda não há nenhum. Ontem referimos essa mobilização parcial a chegar ao fim em Moscovo, mas depois ao longo do dia outras regiões anunciaram o mesmo. Hoje, Peskov também quis garantir que só vão mesmo ser mobilizadas 300 mil pessoas. Condenou o que considera de notícias falsas as informações que apontam para uma mobilização mais alargada.

Na imprensa russa desta terça-feira, destaque também para as imagens publicadas dos danos no Nord Stream.

Sim, esse Nord Stream que teve problemas, teve uma rutura, como sabemos, provocou vários danos. Mas agora o jornal sueco Expressen publicou as primeiras imagens dos danos no Nord Stream. Esta publicação recebeu uma autorização exclusiva para filmar as autoridades que estiveram junto ao Nord Stream a tentar perceber tudo aquilo que se tinha passado, a fazer esses relatórios. O vídeo é filmado debaixo de água, claro, um drone submarino mostra danos significativos neste gasoduto. Existem claras ranhuras em algumas partes do tubo. O metal está significativamente deformado. Os danos apontam claramente para uma explosão no fundo do mar. São imagens submarinas, fotos e vídeos de como ficou essa canalização do Nord Stream. A agência RIA escreve que a polícia de Copenhaga, com a ajuda das Forças Armadas e em cooperação com o Serviço de Segurança da Polícia Norueguesa, realizaram uma investigação preliminar sobre o incidente no Mar Báltico. No final de setembro registaram-se essas explosões no Nord Stream e agora surgem as primeiras imagens. Nós tínhamos apenas aquelas imagens do mar e daquela poluição toda que ficava em redor do Nord Stream. Agora são as primeiras imagens submarinas que são divulgadas. São divulgadas por um jornal sueco, mas estão também na imprensa russa.

Também é notícia hoje: a Finlândia ameaça retirar propriedades a cidadãos russos.

Se for necessário, as autoridades finlandesas vão poder expropriar a propriedade adquirida por russos. A frase é do ministro da Defesa, Antti Kaikkonen, numa entrevista ao jornal Aamulehti. O ministro explica que esta vai ser uma decisão tomada tendo em conta a segurança da Finlândia, mas que nem todos os negócios imobiliários russos, nem todas as propriedades representam riscos de segurança. Aqui também a tentar deixar essa tranquilidade, mas que edifícios ou propriedades que possam ser consideradas como de risco para a Finlândia vão poder ser tomadas, ou seja, vão poder ser retiradas. Recordo também que já a 30 de setembro, no final do mês passado, a Finlândia fechou a fronteira para turistas russos. Não só turistas, mas mesmo pessoas de cidadania russa que possam entrar para o país por outras razões. Esse visto foi muito atrasado, esse pedido de visto passa a ser muito difícil de adquirir. E esta agora é mais uma fase, a Finlândia a admitir expropriar propriedade adquirida por russos.

Também destaque na imprensa russa desta terça-feira: a morte de 14 pessoas na sequência da queda de um avião militar.

Sim, isto aconteceu ontem à noite. Foi destaque também na imprensa internacional. Em Yeysk, um avião militar caiu numa zona residencial, atingiu um edifício alto. Os dados já desta tarde apontam para 14 mortos, dados atualizados, 19 pessoas que ficaram feridas. Estamos a falar do bombardeiro russo, um Su-34. Caiu perto desse edifício de nove andares. Yeysk fica no território de Krasnodar. De acordo com o Ministério de Situações de Emergência, o avião bateu no edifício durante a queda, acabou por desabar, mas tudo aconteceu porque o avião já estava com um problema num dos motores, na ignição de um dos motores e, portanto, quando embateu neste edifício, ele já estava em queda. O combustível que ficou derramado provocou incêndios. Uma das entradas do edifício ficou completamente incendiada, estava a ser engolida pelo fogo. Setenta e dois apartamentos ficaram danificados e agora temos esse dado: 14 pessoas morreram, 19 ficaram feridas. Foi também divulgado que as autoridades russas vão pagar o funeral de todas as pessoas que morreram. Prometeram também outro tipo de pagamentos. Os familiares de cada uma das pessoas que morreram vão receber cerca de 1 milhão de rublos, aponta para € 16 mil. E, portanto, começam a sair algumas informações também de como está a ser tratado. Já não há incêndios, continuam os trabalhos no local. E para já, esse dado divulgado já esta tarde, o número de vítimas total, 14 pessoas morreram, 19 ficaram feridas. Entre os feridos estão cinco crianças e duas mulheres grávidas.

Ficámos também hoje a saber que as sessões da Duma Estatal vão deixar de ser transmitidas em direto.

Sim, o Conselho da Duma decidiu interromper as transmissões online das reuniões da Câmara Baixa do Parlamento. Isto já foi relatado pela Ria Novosti e pela TASS, as duas agências russas. O motivo da recusa destas transmissões ao vivo é esse apoio legislativo que é dado à operação especial e, portanto, de certa forma, aqui o Parlamento impede que haja esse livestream, essa transmissão em direto daquilo que são as sessões do Parlamento, sessões em que são discutidas medidas relacionadas com o Exército, são tomadas decisões concretas sobre aquilo que é o Exército russo e aquilo que são medidas relacionadas com as Forças Armadas da Rússia. Ainda assim, os jornalistas vão continuar a ter acesso. Os jornalistas credenciados podem acompanhar a transmissão no centro de imprensa. Recordo que a imprensa independente na Rússia é considerada agente estrangeiro, não tem acesso a nada disto e, portanto, perdendo essa sessão em direto, em livestream, apenas os jornalistas credenciados, ou seja, a imprensa estatal vai poder ter acesso ao Parlamento e a informação que vai sair da Duma Estatal vai também começar a ser muito mais reduzida.

Termina assim esta Guerra Traduzida, análise à imprensa russa, trabalho, como sempre, do jornalista Miguel Cordeiro, em colaboração com a Larissa Tovmazian.