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Guerra traduzida, dia 399 da invasão. Agora com um olhar para a imprensa que nos chega da Rússia, um trabalho do jornalista Rui Casanova, desta feita em colaboração com a Larissa Tovmazian. Rui, hoje começamos com as declarações de Vladimir Putin.
Vladimir Putin anuncia que a Rússia e a China identificaram oito grandes áreas de cooperação. É o que afirma o presidente russo durante uma reunião com membros do governo, que foi transmitida por videoconferência. A transmissão foi conduzida pelo canal de televisão estatal Rússia 24. Entre essas áreas estão a criação de parcerias tecnológicas, o desenvolvimento de infraestruturas e também a cooperação no setor financeiro. De recordar, ainda há pouco falamos sobre esta questão no episódio da guerra traduzida da Ucrânia, que o presidente chinês Xi Jinping visitou a Rússia muito recentemente. Também esta quarta-feira, Zelensky convidou Xi Jinping a visitar Kiev.
E Putin admitiu o impacto negativo das sanções na economia russa.
Foi também durante esta reunião virtual com membros do governo. As sanções contra a Rússia podem ter um impacto negativo na economia russa no futuro. Declarações de Vladimir Putin nesta videoconferência, ele que volta a sublinhar que são sanções ilegítimas. De acordo com o chefe de Estado russo, na conjuntura atual, tendo em conta a guerra, a procura interna é o principal fator de crescimento econômico para Moscovo. Por isso, Vladimir Putin defende que é preciso garantir um aumento sustentável dessa mesma procura interna. São declarações nesta videoconferência, um encontro virtual com membros do governo, e aqui declarações citadas pelo jornal estatal russo Vesti.
Entretanto, uma declaração que faz pensar: o Kremlin reforça que os objetivos da operação militar não podem ser alcançados por meios políticos e diplomáticos.
Sim, é o que diz o porta-voz do Kremlin, afirma que a condução de uma operação militar especial, como a Rússia descreve a guerra na Ucrânia, continua a ser a única maneira de atingir os objetivos de Moscovo. Afirma Dmitry Peskov que os objetivos da Rússia podem ser alcançados de várias maneiras, de forma política ou diplomática, mas como a Ucrânia não permite, diz o porta-voz do Kremlin, tem que ser através de meios militares, ou seja, através da guerra no terreno. São declarações de Dmitry Peskov no habitual briefing diário que decorreu esta manhã. Declarações aqui citadas pela agência estatal RIA.
Rui, olhamos agora para a imprensa russa independente, o que conta?
Como sempre, à boleia do canal Medusa, como é habitual aqui na guerra traduzida, um canal russo independente. Olhamos novamente para a entrevista de Volodymyr Zelensky à Associated Press. É interessante que esta entrevista foi divulgada esta quarta-feira e nenhum canal estatal russo dá destaque a esta entrevista, apenas a imprensa independente russa.
Sintomático.
Exato. Diz tudo. Aqui, o canal Medusa dá destaque para a situação de Bakhmut, para as declarações de Zelensky sobre Bakhmut. Falamos há pouco sobre essas declarações no episódio da guerra traduzida da Ucrânia. Falamos agora novamente na Rússia. Isso porque Zelensky afirma que a queda de Bakhmut seria uma derrota política mais cara do que propriamente tática. Uma derrota política, exato, mais cara do que propriamente tática. Isso porque, diz Zelensky, se Bakhmut cair, o presidente russo Vladimir Putin vai vender essa vitória tanto ao Ocidente como à Rússia, à China e até ao Irão. E passo a citar, diz Zelensky: "Assim que Putin sentir o cheiro do sangue, ele sente que somos fracos, vai começar a pressionar". É o alerta deixado por Volodymyr Zelensky nesta entrevista à Associated Press. Portanto, Zelensky aqui a garantir que vai continuar a defender com unhas e dentes a cidade ucraniana de Bakhmut.
E é com essa garantia que fechamos mais um episódio de Guerra Traduzida com o Rui Casanova, em colaboração com a Larissa Tovmazian.