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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com o jornalista Martim Madeira. Martim, boa noite. Começamos pela imprensa russa. Putin teme pela vida caso falhe o objetivo de capturar o Donbass.
Boa noite. Iniciamos a análise da imprensa russa com uma revelação trazida pelo jornal The Economist. De acordo com uma investigação avançada pela revista, o presidente Vladimir Putin estará muito apreensivo com a possibilidade de falhar a conquista total das províncias ucranianas de Donetsk e Lugansk. Fontes próximas do Kremlin revelam que Putin opera sob a lógica rígida do regime russo, onde não existe tolerância para um falhanço militar desta escala, tendo mesmo confidenciado a aliados próximos a frase: "Eles vão enforcar-me". Como consequência deste receio pessoal, o líder russo está preparado pra aumentar a intensidade dos combates, admitindo a mobilização e o envio de mais de 300 a 400 mil homens pra linha da frente.
Martim, ainda sobre o presidente russo, Putin encontra-se com Xi Jinping na Cimeira de Segurança na Ásia Central.
A informação sobre este encontro diplomático de alto nível é detalhada pelo jornal The Moscow Times. O presidente russo Vladimir Putin chegou ao Quirguistão para participar na Cimeira de Chefes de Estado da Organização de Cooperação de Xangai. Putin reuniu-se com o presidente da China, Xi Jinping, num encontro classificado pelo Kremlin como muito amigável e focado na cooperação econômica bilateral. O grande objetivo de Moscovo nesta viagem é voltar a colocar na mesa das discussões a construção do novo gasoduto Power of Siberia 2, uma infraestrutura que a Rússia tenta aprovar há vários meses pra compensar a perda do mercado europeu.
O encontro entre os ministros das Finanças da Rússia e dos Estados Unidos gera polêmica no G20.
De acordo com a agência oficial russa TASS, o Ministério das Finanças em Moscovo confirmou que o ministro Anton Siluanov reuniu-se com o secretário do Tesouro norte-americano Scott Bessent. A reunião decorreu à margem da Cimeira do G20, em Asheville, nos Estados Unidos, marcando a primeira presença oficial de um alto funcionário russo em solo norte-americano desde o início da invasão à Ucrânia, em 2022. Segundo as autoridades russas, o encontro centrou-se estritamente na cooperação financeira bilateral e em matérias de colaboração no quadro do G20, sem fazer qualquer menção a propostas de paz para a Ucrânia, ao contrário do que foi veiculado pela imprensa norte-americana. Apesar deste enquadramento técnico, a presença de Siluanov provocou uma forte contestação entre as delegações europeias, com o ministro alemão das Finanças, Lars Klingbeil, a repreender publicamente Siluanov pela invasão e a ameaçar, juntamente com os parceiros europeus, boicotar a fotografia oficial do grupo caso a delegação russa participasse.
Martim, os serviços secretos russos alertam que a Europa quer intensificar os ataques da Ucrânia contra a Rússia.
Uma advertência da segurança nacional que faz manchete no jornal russo Komsomolskaya Pravda. O Serviço de Informações Externas da Rússia, o SVR, emitiu um comunicado oficial onde acusa diretamente os governos europeus de estarem a pressionar a Ucrânia a aumentar a violência do conflito. Segundo Moscovo, os parceiros ocidentais de Kiev estão a orientar as forças ucranianas pra que realizem ataques muito mais frequentes e profundos contra territórios da Federação Russa. O relatório das secretas russas alerta ainda que a Europa está a planear ciberataques contra os sistemas eleitorais russos, numa tentativa de interferir na estabilidade política interna do país.
As forças europeias interceptam o petroleiro da frota fantasma russa no Mediterrâneo.
Fechamos com uma notícia econômica e militar que está em destaque no jornal The Moscow Times. Navios militares europeus detiveram e abordaram o petroleiro MV Sun em águas do Mar Mediterrâneo, sob a suspeita de o navio pertencer à chamada frota fantasma que a Rússia utiliza pra contornar as sanções internacionais. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, confirmou a operação de apreensão e declarou que as vendas de crude por parte desses petroleiros não declarados representam uma fonte de receita essencial que ajuda o Kremlin a financiar o esforço militar. Moscovo tem recorrido a estes canais alternativos de transporte marítimo pra manter as exportações de crude ativas, mas o aperto do controle europeu ameaça bloquear estas rotas de abastecimento financeiro.
São estes os principais destaques da imprensa russa. Voltamos já a seguir com os destaques dos jornais ucranianos.