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É a Guerra Traduzida da Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana em tempo de guerra com a jornalista Diana Rosa. Diana, boa noite.
Boa noite, João.
Vamos olhar pra imprensa de Moscovo. Hoje começamos por recordar Alexei Navalny, o principal opositor russo que morreu há dois anos numa colônia penal no Ártico.
E há dois anos, João, também aqui na Guerra Traduzida, dávamos aqui essa notícia. Tudo indicava que Navalny, que fez da luta contra Putin a causa de vida, tinha sido envenenado e morreu antes de consegui-lo. Há poucos dias, confirmou-se que tinha sido envenenado com uma toxina presente em rãs venenosas, é o que garante o governo britânico, e há outros quatro países que se juntam a essa acusação: Suécia, França, Alemanha e Países Baixos. As alegações basearam-se em análises laboratoriais de amostras retiradas do corpo de Navalny, e o Kremlin respondeu hoje. Diz que as acusações são tendenciosas e infundadas. Já no domingo, a embaixada russa em Londres tinha classificado as acusações dos governos dos cinco países ocidentais como necropropaganda e um ultraje aos mortos. Ainda hoje, familiares e apoiantes de Navalny, que ainda estão na Rússia, assim como diplomatas estrangeiros, reuniram-se no cemitério Borissovskoe, onde está enterrado Navalny, uma zona que foi fortemente vigiada ao longo do dia. A mãe de Navalny, Ludmila Navalnaya, pede justiça. Nunca teve dúvidas de que o filho tinha sido assassinado.
E mudamos de tema, Diana. O Ministério Russo da Defesa aprovou o destacamento de recrutas para atuarem como bombeiros durante o serviço militar obrigatório.
Notícia da TASS. A decisão acontece depois de meses de ataques ucranianos à infraestrutura energética da Rússia, que provocaram inúmeros incêndios em todo o país. Os recrutas entre os 18 e os 30 anos são obrigados a fazer serviço durante um ano, podem ser destacados para as equipes de combate aos incêndios. O Kremlin tem escassez de pessoal no Ministério das Situações de Emergência, principalmente devido aos baixos salários, tanto para os funcionários de base como para os especialistas altamente qualificados. As autoridades russas não esclarecem se estas unidades podem ser mobilizadas para regiões ucranianas anexadas pela Rússia.
E a Coreia do Norte presenteou famílias de soldados mortos em combate pela Rússia com novos apartamentos.
Kim Jong-un presidiu à cerimônia de inauguração, que marcou a conclusão de um novo bloco de apartamentos para as famílias de soldados mortos que lutaram ao lado da Rússia contra a Ucrânia. No discurso do corte da fita, o líder norte-coreano disse que a nova rua foi construída graças ao desejo ardente da pátria, que anseia que os seus ilustres filhos, que defenderam as coisas mais sagradas, sacrificando os seus bens mais valiosos, vivam pra sempre. Isto depois de Kim Jong-un ter prometido, na semana passada, apoiar de forma incondicional todas as políticas e decisões de Vladimir Putin. Há fotos divulgadas pela agência norte-coreana KCNA e replicadas pela imprensa russa que mostram o líder supremo da Coreia do Norte a visitar as novas casas ao lado da filha adolescente, que, de acordo com esta agência de espionagem sul-coreana, aliás, há pouco disse que era norte-coreana, foi um lapso, foi designada como sucessora do pai.
Um tema bem diferente agora, Diana. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Quênia vai à Rússia para protestar contra o recrutamento de soldados quenianos que vão pra guerra na Ucrânia.
Musalia Mudavadi afirma que o país tem assistido a perdas de vidas e por isso vai a Moscovo sublinhar que esse recrutamento tem de ser travado. Nairóbi estima que cerca de 200 quenianos foram recrutados para lutar pela Rússia, todos eles tendo viajado do país da África Oriental por canais não oficiais. Acredita-se que o número real seja, portanto, maior. Os serviços de informações ucranianos estimam que a Rússia recrutou mais de 1400 pessoas de 36 países africanos para as Forças Armadas. Mudavadi garante que nos últimos meses, 600 agências de recrutamento que enganaram quenianos com promessas de emprego no exterior foram fechadas, já não existem. Quer também a libertação dos cidadãos mantidos como prisioneiros de guerra na Ucrânia. Ainda há quatro meses, João, mais de 20 jovens terão seguido para a Rússia para lutar contra Kiev. O embaixador da Ucrânia no Quênia, Yurii Tokar, diz que a Rússia primeiro observou as ex-repúblicas soviéticas na Ásia Central, depois passou pra Índia e para o Nepal, também tem lá soldados na Ucrânia, até se voltar para a África.
E é que assim que fechamos esta primeira parte da Guerra Traduzida, voltamos já a seguir para saber o que conta a imprensa ucraniana.