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Na Rádio Observador seguimos com a Guerra Traduzida. Agora destaque para o que diz hoje a imprensa russa, neste dia 30 de setembro. Um trabalho da jornalista Inês Ameixa, com a colaboração da Larissa Tovmazian. Inês, começamos por uma das notícias que marca precisamente este dia, o ataque contra uma coluna de civis em Zaporizhzhia. Já olhámos para o que diz a imprensa ucraniana, mas a russa diz algo completamente diferente.

Sim, começamos desde logo por explicar que esta imprensa russa não assume a autoria do ataque, aponta o dedo à Ucrânia. Dois lados, duas versões diferentes da história. A agência de notícias russa RIA, a imprensa estatal, dá conta de que essas 24 pessoas foram vítimas de um ataque levado a cabo pelas Forças Armadas Ucranianas. É este o título da notícia que está a ser difundida pela imprensa estatal russa. No artigo pode ler-se que os militares de Kiev atingiram um comboio de carros de civis que esperavam para passar para a parte libertada da região de Zaporizhzhia. Aqui a parte libertada é referida pela Rússia, mas trata-se de facto desse território ucraniano que está nesta altura ocupado pelas tropas de Moscovo, algo que então é visto pela Rússia como território libertado. O artigo também antecipa que o lado da Ucrânia vai culpar a Rússia pelo bombardeamento desta manhã. São duas visões diferentes sobre esse mesmo acontecimento que também marcou esta manhã na Ucrânia, matou dezenas de pessoas e provocou dezenas de feridos civis.

Seguimos também para as declarações do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, citadas também por um órgão de comunicação social estatal.

A Ren TV dá conta de que Sergei Lavrov explicou aquilo que para ele é o objetivo nesta altura dos países do Ocidente. Diz o ministro russo que "não é nenhum segredo que a filosofia do Ocidente é dividir para reinar" em relação aos países da antiga União Soviética. É mesmo esta a frase dita por Sergei Lavrov. Ele explica que o objetivo do Ocidente é fragmentar ainda mais o espaço pós-soviético e contestar Estados e povos. Lavrov explica que a transformação na Ucrânia, diz o ministro, é mesmo um desses exemplos. Esta é uma notícia que também está a ser partilhada, neste caso, pela estatal Ren TV da Rússia.

Hoje foi também um dia de comemorações na Rússia, que formalizou a anexação de quatro regiões da Ucrânia. Várias ruas centrais na Rússia foram esta manhã cortadas por causa das comemorações.

Isso mesmo. O artigo dá conta de todo o plano que previa cortes em várias estradas logo a partir das 6h de hoje. A Ren TV, a imprensa estatal russa, já aqui falámos, mostra mapas das cidades com as ruas que estão nesta altura bloqueadas. Foram os preparativos para aquele que está a ser um dia grande na Rússia. Está a festejar o país a anexação de quatro territórios ucranianos, depois de referendos, que de resto não são reconhecidos pela comunidade internacional. Vladimir Putin já fez, entretanto, esse discurso, também já o vimos aqui nos espaços noticiosos da Rádio Observador. O líder russo afirmou mesmo que as regiões anexadas são da Rússia e ponto final, expressão utilizada por Vladimir Putin, que garantiu também que vai defender todas as regiões com todos os meios que tenha ao alcance.

Viramos agora, Inês, para a imprensa independente da Rússia. A Meduza dá conta das declarações de Zelensky, que desta vez falou em russo.

Falou em russo nesse vídeo para se dirigir diretamente aos russos. Volodymyr Zelensky pediu à população de Moscovo para que pare aquele que quer guerra, ou seja, aqui uma referência direta para Vladimir Putin e diz também Zelensky que quem trouxe todas essas mortes vai levá-las para casa. Nessa mensagem de vídeo, que é partilhada por esta imprensa independente na Rússia, a Meduza, Zelensky aponta também que a Rússia enche o território ucraniano com túmulos e também com câmaras de tortura. Diz ainda o líder ucraniano que esta é a única maneira de a polícia russa e os serviços especiais funcionarem atualmente. O líder ucraniano defendeu também que na Rússia há uma pessoa que quer continuar a guerra e que por causa dessa pessoa, toda a sociedade russa vai ficar sem uma economia saudável, sem uma vida decente e sem respeito por quaisquer valores humanos. É uma mensagem deixada por Volodymyr Zelensky, que não é difundida na imprensa estatal russa, mas aqui a ser partilhada pela imprensa independente do país.

Já a Mediazone, outro órgão independente de comunicação social na Rússia, relata que mais de 30 câmaras de vigilância vão ser instaladas em escritórios de registo e alistamento militar.

Pelo menos na província russa de Primorye. É pelo menos esta a cidade de que dá conta esta notícia avançada pela Mediazone. A Rostelecom, a maior empresa de serviços digitais da Rússia, terá recebido uma ordem para colocar videovigilância em mais de 30 locais onde estão instalados esses escritórios de registo e alistamento militar. É uma notícia que é avançada, em que é citada uma fonte da empresa de comunicação. É importante aqui recordar que Putin anunciou recentemente uma mobilização parcial que está a ser contestada por milhares de russos nas ruas, que não querem, de resto, ser obrigados a ir para a guerra. Este artigo da imprensa independente dá conta agora de que o Kremlin estará a avançar para controle mais apertado, de forma a evitar que os russos possam fugir ou conseguir ser apanhados depois disso, por exemplo, está aqui a adotar Putin e a Rússia esta possibilidade de instalar câmaras de videovigilância nesses edifícios que acabam por servir para alistar militares russos para esta guerra na Ucrânia.

E é com esta notícia que fechamos a Guerra Traduzida, a imprensa russa aqui trazida pela Inês Ameixa, em colaboração com a Larissa Tovmazian.