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"Guerra Traduzida", estamos na Rádio Observador. Vamos neste programa analisar a imprensa russa e também a imprensa ucraniana de hoje, dia 14 de dezembro de 2023. Hoje começamos com os jornais da Rússia. É um trabalho do jornalista João Filipe Cruz, tem colaboração de Larissa Tovmazian. João, para começar, o episódio de hoje vai ser completamente dedicado à conferência de imprensa de Vladimir Putin, porque é definitivamente o tema que está a preencher quase por completo as páginas dos jornais russos.
É inevitável. Vamos olhar para algumas das respostas, alguns dos temas destacados pela imprensa de Moscovo, nesta que foi a primeira edição da habitual conferência de imprensa de fim de ano. No ano passado foi cancelada a Linha Direta, que abre também espaço a perguntas de cidadãos russos, já lá vamos, para além de perguntas aos jornalistas. Vamos também aproveitar para mudar um pouquinho a estrutura da nossa "Guerra Traduzida" e vamos hoje começar pelos meios independentes, porque o portal Meduza destaca as perguntas e as respostas relacionadas sobretudo com a guerra na Ucrânia. Putin, sobre isto, entende que os brindes ocidentais a Kiev terminaram e garante que o objetivo mantém-se de desnazificar a Ucrânia. Sublinhou ainda que o que se passa na guerra no leste da Europa não tem nada a ver com a catástrofe em Gaza, e é a expressão que utiliza. O Meduza destaca ainda as perguntas enviadas pelos russos ao presidente, pelos cidadãos da Rússia ao líder do Kremlin. A maior parte delas, de acordo com o site independente, questionam Putin sobre quando a guerra chega ao fim e quando é que as negociações de paz com a Ucrânia começam. O Meduza cita ainda os organizadores deste Linha Direta com Putin para partilhar que chegaram ou foram enviadas mais de duas milhões de perguntas ao presidente da Rússia por parte dos cidadãos.
Vamos então à imprensa estatal, que o João prefere destacar questões mais internas, ainda que também partilhe críticas do líder do Kremlin ao Ocidente.
E começamos com a afirmação em destaque no jornal Komsomolskaya Pravda, que é tido como o jornal preferido de Vladimir Putin. Nesse título, o jornal dá a entender que o presidente russo desapontou os críticos mais rancorosos, é esta a expressão utilizada, ao garantir que nada colapsou na Rússia. Putin assegura que todos os que esperavam que, sem o contributo das empresas ocidentais que se retiraram da Rússia, a economia em Moscovo colapsasse, e para o chefe de Estado, as previsões foram muito mal calculadas. Nada colapsa aqui, é o que disse Vladimir Putin nesta conferência de imprensa. Apesar disso, admite algumas dificuldades, sobretudo na indústria automóvel, que precisa, de acordo com o presidente russo, de um maior desenvolvimento, sobretudo no campo dos componentes. Porém, destaca que em muitos países, e dá o exemplo dos Emirados Árabes Unidos, tem havido uma clara preferência pela compra de viaturas russas premium, de gama mais alta.
O líder do Kremlin falou também sobre o que entende ser a crescente vaga de nacionalismo no mundo.
É uma ideia que já tem repetido, não é nova. De acordo com Putin, o nacionalismo e o antissemitismo estão a crescer. Citou estudos recentes para partilhar que quase a totalidade dos cidadãos russos consideram que há enormes vantagens na coabitação entre diferentes religiões, ao contrário do resto do mundo. O presidente russo entende que há tendência para a islamofobia, compara com a russofobia, que sublinha tem de ser prevenida porque a sociedade russa tem de ser protegida para que nada continue a abalá-la.
Outro dos destaques é a saúde. Putin diz que não vai impedir a importação de medicamentos.
É uma garantia que deu também nesta conferência de imprensa. Sublinha que até já foi criada uma comissão de acompanhamento por parte do Ministério da Saúde, que também já identificou que existem de facto problemas, sobretudo no estoque de medicamentos, mas apela também a todos os investigadores e médicos russos para que trabalhem nesta situação. Putin garante que a Rússia vai continuar a comprar medicamentos a outros países, mas reforça que é importante desenvolver produção própria.
Vladimir Putin falou também sobre a devolução de prisioneiros ao Ocidente ainda nestas declarações.
Foi questionado concretamente sobre as negociações com Washington, relativamente à libertação de cidadãos norte-americanos que estão acusados de espionagem. Putin garante que está ainda aberto o diálogo, mas qualquer entendimento tem de ser benéfico para ambas as partes, para Estados Unidos e para Rússia, obviamente. O líder do Kremlin assegura que a linha de diálogo está aberta, os contactos mantêm-se, ainda que as negociações não estejam propriamente a correr bem.
Terminamos assim esta "Guerra Traduzida", com destaque para a imprensa russa.