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Seguimos agora com a imprensa russa neste episódio de Guerra Traduzida, dia 27 de novembro. Trabalho do jornalista João Filipe Cruz, com colaboração de Larissa Tovmazian. João, para começar, a adesão da Ucrânia à NATO está em destaque nos órgãos russos, que vai receber luz verde esta semana.

Foi isso mesmo que adiantou o secretário-geral da aliança. Os aliados vão dar luz verde à adesão da Ucrânia amanhã ou depois de amanhã, durante a Cimeira dos Ministros dos Negócios Estrangeiros em Bruxelas. A notícia está em destaque na rádio estatal pública russa "Kommersant", que cita Jens Stoltenberg, que adiantou que essa reunião vai servir para se chegar a uma lista de recomendações para reformas na Ucrânia, assim por possibilitar que Kiev adira à NATO. A "Kommersant" lembra que no final do mês de setembro do ano passado, o Zelensky anunciou que Kiev tinha completado a candidatura para adesão, mas que, de acordo com o Financial Times, os Estados-membros estavam deliberadamente a ignorar o documento porque não conseguiam garantir que a Ucrânia se juntasse à aliança num futuro próximo. Hoje, Jens Stoltenberg relembrou também que uma adesão da Ucrânia à aliança só se efetiva ou provavelmente só ficaria concluída depois do final da guerra.

E o mau tempo na Ucrânia, se nevão também chega aos jornais russos, mais concretamente a situação na região anexada da Crimeia. Putin já deu instruções para que seja dada resposta. O que são as consequências desta tempestade?

A informação é adiantada pelo principal porta-voz do Kremlin, citado também pela "Kommersant". Dmitry Peskov adianta que foram definidas as regiões prioritárias e aqui, como é óbvio, nos órgãos russos, o destaque é todo dado para a península anexada da Crimeia. Não é a única afetada. Também há regiões dentro da fronteira russa afetadas pela tempestade, nomeadamente Krasnodar. Está em vigor o estado de emergência na Crimeia, foi declarado pelo governo da península. Cerca de 500 mil habitantes, meio milhão, estão nesta altura sem eletricidade. E há, como já vimos no episódio dedicado à imprensa ucraniana, uma morte a registrar. É também esse o dado que tem a "Kommersant".

E hoje o ministro russo dos Negócios Estrangeiros falou sobre o possível reatar das relações com a Europa.

E deixou uma garantia: Moscovo vai pensar 10 vezes se o velho continente propuser esse restauro das relações. Sergey Lavrov estava a falar durante um fórum científico, o fórum Primakov Readings, em Moscovo, que no fundo serve para discutir as tendências na política global. De acordo com o Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros, esta não é definitivamente a altura para pensar na forma de restabelecer relações com a Europa. Para Lavrov, a União Europeia, em particular, está a perder peso econômico e está a perdê-lo muito rapidamente. Neste evento, o governante russo também assegurou que Moscovo não tem qualquer plano para uma agressão no velho continente, na Europa.

Continuamos nesta guerra traduzida para fechar com a imprensa livre da Rússia, que hoje fala dos planos da Finlândia para fechar por completo as fronteiras com a Rússia.

Não é novo, temos falado isto na última semana. É um processo em andamento, também de acordo com o portal independente Medusa, que aqui cita dois jornais finlandeses. O governo de Helsinki vai fechar todos os postos fronteiriços para limitar as entradas de pessoas que vêm da Rússia. O plano era para ter avançado na semana passada, mas esbarrou na Constituição finlandesa e também na legislação europeia, porque não garante a preservação do direito à proteção e asilo internacional. Apesar disso, Helsinki já admitiu que está nos planos fechar completamente a fronteira com a Rússia se o interesse nacional assim o exigir. Nesta altura, quase todos os checkpoints estão fechados há mais de uma semana, com exceção do da região de Murmansk. A decisão deve-se à entrada descontrolada de pessoas que não têm os documentos necessários para o fazer. E algo que tem tido também, de acordo com os finlandeses, a complacência dos agentes de fronteira russos, que deixam passar estes cidadãos que pedem asilo do outro lado da fronteira sem toda a documentação necessária.

Termina assim este episódio de Guerra Traduzida.