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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Nos próximos minutos vamos olhar para os destaques da imprensa russa e também da imprensa ucraniana nesta sexta-feira, dia 15 de dezembro, dia 660 da invasão russa à Ucrânia. Hoje, um trabalho do jornalista João Filipe Cruz, com colaboração de Laryssa Tavmazin. Vamos começar com esses jornais da Rússia. João, começamos com um aviso russo aos Estados Unidos sobre testes nucleares.
Moscovo vai responder em espelho a tudo o que Washington fizer. É a garantia do vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros. Foi numa entrevista à revista do Ministério, a International Affairs ou Assuntos Internacionais. Sergey Ryabkov assegura que se os Estados Unidos retomarem os testes nucleares, a Rússia vai fazer exatamente o mesmo, ainda que admita que há a noção de que Washington tem dado sinais de que não tem a intenção de os retomar. Assegura Ryabkov que o Kremlin está atento e o tema é tratado com precaução. No corpo do artigo da revista é relembrado que há dois meses os Estados Unidos conduziram um teste nuclear na zona de Nevada, precisamente no dia em que o Parlamento russo aprovou uma lei que revoga a ratificação do Tratado da Interdição Completa de Ensaios Nucleares.
João, falámos ontem deste tema no episódio dedicado à imprensa ucraniana, mas hoje faz eco nos jornais russos há mais ucranianos dispostos a ceder território.
É uma notícia do Komsomolskaya Pravda, que cita a Bloomberg, que por sua vez cita o estudo que trouxemos ontem do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev. O número de ucranianos que defendem ou que estão dispostos, melhor dizendo, a ceder territórios para que as negociações de paz com a Rússia avancem, têm aumentado de há seis meses para cá. De acordo com os investigadores, de maio do ano passado a maio deste ano, o número estava estável entre os 8% e os 10%, mas depois de maio houve essa subida: 10% em maio, 14% em outubro e quase 20% já neste início de mês de dezembro. Neste artigo, o jornal estatal russo lembra ainda que o Ocidente tem considerado que as negociações de paz são mesmo a única opção para que a guerra na Ucrânia acabe.
Continuamos a olhar para o KP, o jornal preferido de Vladimir Putin, que hoje destaca também a necessidade de as escolas começarem a partilhar histórias de coragem dos militares.
É uma ideia ou uma proposta de Svetlana Bessarab, que faz parte da Comissão de Trabalho e Política Social da Duma do Estado, ou seja, do Parlamento. A deputada entende que tem de haver mais educação patriótica nas escolas russas e que devia inclusivamente fazer parte do corpo das disciplinas das escolas. Bessarab admite que os alunos ainda veem filmes, leem livros e assistem a testemunhos, mas tem também a noção de que isso acontece cada vez menos. Refere-se sobretudo aos feitos na Grande Guerra Patriótica, mas entende que os que participam ou participaram nos combates na Ucrânia já podem começar a ser chamados às escolas russas e não é só para partilharem o que experienciaram. Para Svetlana Bessarab, os alunos precisam de, e estou a citar: "Homens a sério que sabem liderar para abrilhantarem o caminho das crianças e falarem sobre como ser uma pessoa a sério".
Destaque ainda para os meios independentes, que hoje escrevem que há 10 dias que não se sabe do paradeiro de um dos principais opositores de Vladimir Putin.
Falamos de Alexei Navalny. O Meduza escreve que os mais próximos não conseguem contactá-lo há quase duas semanas. Hoje, numa reunião do Tribunal Regional da região de Vladimir, foi lido um comunicado que dava conta da saída de Navalny para um outro estabelecimento prisional fora da região de Vladimir. A assessora do político disse apenas que o advogado de Navalny foi informado, mas assegura que já não o vê desde dia 6 de dezembro. Também hoje, e na habitual conferência de imprensa aos jornalistas, o principal porta-voz do Kremlin falou sobre o caso. Dmitry Peskov foi curto, disse apenas que o Kremlin não tem nem quer ter a possibilidade de monitorizar o destino de Alexei Navalny.
Deixamos assim este episódio de guerra traduzida, com destaque para a imprensa russa.