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Começa agora mais uma edição da "Guerra Traduzida", mais um episódio especial para acompanhar a situação no Irão em tempo de guerra. Passamos em revista aos jornais do Médio Oriente e dos Estados Unidos. O meu nome é João Lourenço e comigo está, esta tarde, a Rita Lourenço. Olá, Rita.

Olá, João.

Começamos com a visita de Donald Trump à China. Faz manchetes tanto nos Estados Unidos como na Europa. Vamos, por isso, começar esta quarta-feira pela imprensa norte-americana e olhamos para o New York Times.

O jornal norte-americano descreve os presidentes Trump e Xi Jinping como distraídos e sobrecarregados numa cimeira de ambições reduzidas. É o título de um artigo do New York Times que dá conta da visita de Trump à China. Não era assim, precisamente, que Trump queria chegar à China, adianta o jornal norte-americano. Quando adiou por seis semanas a viagem a Pequim, Trump apostou que chegaria a Pequim esta semana, depois de ter forçado os iranianos a ceder às suas exigências. Neste caso, a mensagem para o presidente Xi Jinping teria sido mais clara: as declarações chinesas sobre uma superpotência em declínio eram prematuras.

Porém, não foi isso que aconteceu. Não só ainda não há acordo de paz com o Irão, como o Estreito de Ormuz continua fechado.

Exatamente. Por isso mesmo, o mesmo artigo do New York Times adianta que o presidente norte-americano chegou à China com muitos a questionarem-se como é que Trump ficou sobrecarregado por uma potência muito inferior numa guerra que ele próprio iniciou. Mas a guerra no Irão também traz complicações para o presidente chinês. Apesar de todas as ambições globais da China, Xi Jinping tem sido incapaz e relutante em ajudar o Irão, que é um parceiro político e fornecedor fundamental. Em simultâneo, não apresentou nenhum plano próprio para retomar o fluxo vital de petróleo e gás com destino à China e, de acordo com o New York Times, o resultado será então uma cimeira com as duas principais superpotências mundiais ansiosas por demonstrar o domínio, ambas num impasse e inseguras quanto ao desfecho do conflito com o Irão, num contexto da luta pela supremacia militar, económica e tecnológica.

E ainda na imprensa norte-americana, o Wall Street Journal dá conta de uma nova rota em torno do estreito de Ormuz, que envolve um comboio de camiões.

A guerra com o Irão impulsionou uma expansão do transporte terrestre que evita a via navegável. Assim, as autoestradas, vias férreas e portos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e de Omã transformaram-se agora numa válvula de escape para a economia global, contornando assim a via navegável do estreito de Ormuz. Depois dos Estados Unidos e Israel terem atacado o Irão, Bob Wilt, CEO de uma empresa mineira controlada pelo Estado saudita, enviou executivos para os portos do Mar Vermelho. Em duas semanas, reuniu operadores ferroviários e de camiões para transportar fertilizantes por todo o Reino Saudita.

O ingrediente-chave: muitos camiões, na sua maioria a funcionar 24 horas por dia, com dois motoristas cada.

Com essa frota, a empresa conseguirá então recuperar o atraso nas exportações até o final de maio, é o que afirma Wilt. Esta iniciativa está a contribuir significativamente para aliviar a escassez de fertilizantes, que ameaça o abastecimento alimentar global. Numa altura em que as negociações entre os Estados Unidos e o Irão estão num impasse, cada carregamento que consegue atravessar o deserto atenua a pressão de um estreito bloqueado e dá aos governos do Golfo margem para aguardar o desfecho das negociações.

E o portal de notícias iraniano Midzen avança que o Irão executou um homem condenado por espionagem para os serviços de informações israelita Mossad.

A execução surge depois de o Supremo Tribunal ter confirmado a sentença de morte do homem que confessou ter sido recrutado e ter trabalhado para o Mossad. Segundo o que indica o Poder Judicial, Ehsan Hafrasteh, de 32 anos, recebia pagamentos para realizar tarefas como documentar locais-alvo, incluindo o Ministério dos Serviços de Informação do Irão, e comparecer a reuniões onde fotografava várias pessoas, alegou então o Poder Judicial. A agência de notícias Human Rights Activist News Agency indica que Hafrasteh foi detido em 2024 após regressar de uma viagem à Turquia, tendo sido condenado à morte em 2025. O Irão é o segundo país que mais pessoas executa no mundo, a seguir à China, de acordo com os grupos de defesa dos direitos humanos.

O porta-voz do Ministério da Defesa do Irão alerta que qualquer nova ameaça, ataque ou ato de agressão por parte do inimigo será imediatamente recebida como uma resposta decisiva e esmagadora por parte do Irão.

Citado pela agência iraniana Tasnim, o brigadeiro-general afirma que o inimigo americano e sionista teria de se submeter aos direitos legítimos e definitivos da nação iraniana, quer no campo de batalha, quer na mesa de negociações diplomáticas. Taleinik afirmou que a repetição das derrotas do inimigo no campo de batalha era previsível, tendo em conta as realidades regionais, e acrescentou ainda que a nação iraniana continuaria a ser a principal vencedora da guerra no futuro. O porta-voz defendeu também que as repetidas retiradas de navios e embarcações de guerra americanas da zona de conflito refletem a determinação e as capacidades das Forças Armadas do Irão, da Guarda Revolucionária Islâmica e do exército no campo de batalha.

Com as tensões no Golfo a marcarem a atualidade regional e internacional, o Reino Unido reafirma o apoio à defesa do Kuwait.

"A diplomacia calma do Kuwait continua a ser um pilar fundamental da estabilidade regional", é o que afirma o embaixador do Reino Unido no Kuwait, numa entrevista exclusiva ao Kuwait Times. À medida que as tensões em torno do conflito com o Irão continuam a suscitar preocupações internacionais, o papel das principais potências globais tem estado cada vez mais em foco. Na entrevista ao Kuwait Times, o embaixador britânico reconhece o longo historial do Kuwait no envolvimento ponderado e a estreita cooperação com os parceiros do Golfo. Defende ainda que o país tem contribuído consistentemente para a estabilidade regional.

O embaixador revela ainda ao jornal do Kuwait que tem havido conversas entre Londres e o país do Golfo no sentido de manter o cessar-fogo.

E também sobre formas do Reino Unido e do Kuwait trabalharem em conjunto para reabrir o estreito e restabelecerem a navegação comercial. Reforça ainda que o Reino Unido está focado em garantir que o Kuwait tem capacidades defensivas necessárias, caso as tensões voltem a aumentar no futuro. O embaixador britânico relembra também que, apesar da sua aliança em manter a segurança dos países do Golfo, o Reino Unido não discutiu qualquer envolvimento militar direto no conflito.

Tempo ainda para olhar para a Sky News, que revela a mais recente ameaça de Donald Trump ao Irão.

A Sky News revela que antes de embarcar para a China, o presidente norte-americano disse que vai ter uma longa conversa com Xi Jinping sobre a guerra no Irão, mas acrescentou que tem o Irão sob controle, pelo que não vai precisar da China para o efeito da guerra. Continuando a citar Trump, a Sky News acrescenta ainda que o presidente norte-americano deixou mais uma ameaça: "Ou o Irão fará a coisa certa ou terminaremos o trabalho".

É com esta ameaça que terminamos mais um episódio da "Guerra Traduzida", especial Irão, na Rádio Observador. Está de volta já amanhã, à mesma hora.