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Guerra Traduzida especial Irão para abordarmos os conflitos no Médio Oriente. Nos próximos minutos, damos destaque à imprensa norte-americana e também do Médio Oriente, hoje com a edição do jornalista Miguel Pina Andrade. Eu sou o Carlos Pedro. Miguel, boa tarde. Vamos começar com o anúncio do presidente dos Estados Unidos. Donald Trump vai dar início a uma guerra inédita contra o Irão.
E deixa ameaças aos países que apoiem Teerão enquanto não se alcançar um acordo de paz. O presidente dos Estados Unidos avisa que qualquer país que ajude ou faça negócios com o Irão vai também sofrer consequências económicas. Donald Trump fala na operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país. O anúncio foi feito esta madrugada na rede social Truth.
E o líder norte-americano explica que o objetivo é cortar as vias utilizadas para evitar as sanções e, Miguel, manter os fluxos financeiros para o Irão.
Sim, como por exemplo, o contrabando de petróleo, as linhas de câmbio de divisas, as transferências de dinheiro vivo, as casas de câmbio, os registos de navios e também as empresas ditas fantasma. Trump exige que todas estas operações parem agora e avisa que Washington vai vigiar os países e entidades que permitam a manutenção. Apresenta a iniciativa como uma nova fase da pressão norte-americana sobre Teerão, após assegurar que as Forças Armadas iranianas ficaram gravemente debilitadas. Isto depois dos recentes confrontos e que também a economia está perto do colapso. Na análise, o historiador Bruno Cardoso Reis critica esta decisão de Donald Trump. Diz que o líder norte-americano está, neste momento, sem credibilidade no processo de paz.
O problema de base aqui, desde logo, é que nunca sabemos se as ameaças de Donald Trump ou as concessões de Donald Trump são para levar a sério. Ou seja, temos este problema de base com a falta de credibilidade de Donald Trump, que torna muito problemático depois ou chegar a compromissos, ou também este efeito de dissuasão ou de coerção estratégica. O que a história também nos mostra é que a guerra económica, as sanções, até podem ter um impacto grande, mas por regra, dificilmente é um impacto decisivo ou um impacto rápido.
Análise do historiador Bruno Cardoso Reis no Gabinete de Guerra da Rádio Observador.
E na resposta, o Irão fala numa manobra de distração de Donald Trump, diz que essa manobra está condenada ao fracasso.
Sim, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros desvaloriza. Considera que Trump quer apenas desviar a atenção dos problemas internos nos Estados Unidos. Numa declaração na rede social X, Abbas Araqchi afirma que a continuidade das políticas da Casa Branca estão destinadas ao fracasso e isto só levará a uma derrota ainda maior e também à hostilidade dos iranianos. O governante refere ainda que o terrorismo económico dos Estados Unidos ameaça não só a economia internacional, mas também a soberania de países por todo o mundo.
E continuamos a falar da guerra entre os Estados Unidos e o Irão. Isto porque há um novo balanço de militares norte-americanos feridos.
Sim, foi um balanço divulgado pela CNN que dá conta que desde o início da guerra já ficaram vítimas, feridos, 750 soldados. A transmissora cita uma base de dados de baixas de guerra do Departamento de Defesa norte-americano. O Pentágono atualizou a base de dados e registou um aumento de 50 soldados feridos, enquanto as negociações entre Teerão e Washington para pôr fim ao conflito permanecem ainda num impasse. O Departamento de Defesa criou no último mês a categoria "operações no estrangeiro" para militares mortos e feridos a partir de 7 de julho. O Pentágono ainda não forneceu quaisquer detalhes adicionais, nem especificou o conflito em que as baixas ocorreram. A data de 7 de julho coincide com o dia em que a administração Trump informou o Congresso, através de uma notificação ao abrigo da Lei dos Poderes de Guerra, que tinha começado um novo conflito com o Irão.
Foco agora em Israel. O exército de Tel Aviv realizou exercícios militares na Cisjordânia.
Sim, exercícios estes que já estavam previamente planeados no norte e no sul da região. De acordo com o "Times of Israel", foram levados a cabo pelas IDF, as Forças de Defesa de Israel. Os exercícios foram conduzidos pelas brigadas regionais de Menashe e Judeia, são responsáveis pelas zonas de Jenin e Hebron. As tropas treinaram para responder a uma variedade de cenários extremos e complexos, o que também inclui situações que envolvem a defesa de comunidades. O objetivo, Carlos, é avaliar a preparação das forças e também a capacidade de responder de forma rápida e eficaz a vários incidentes em simultâneo.
E Omã afirma que a paz regional é uma condição necessária para existir, Miguel, a segurança do Estreito de Ormuz.
É o que diz o ministro dos Negócios Estrangeiros do Omã ao homólogo japonês, citado pela agência de notícias Omanita. O governante diz que a paz duradoura só pode ser alcançada na região através da contenção, da diplomacia e também do envolvimento contínuo para abordar as causas profundas da instabilidade que neste momento se vive nesta região. Isto inclui políticas de exclusão e o incumprimento do direito internacional. O Irão anunciou no início desta semana que chegou a acordo com Omã para a definição das rotas de navegação no Estreito de Ormuz. No mesmo dia, na segunda-feira, Trump ameaçou bombardear Omã, que é aliado dos Estados Unidos, isto se o país se intrometer no acordo sobre o Estreito de Ormuz.
Ponto final nesta edição da Guerra Traduzida sobre o Médio Oriente. Eu sou o Carlos Pedro, a edição de hoje foi do jornalista Miguel Pina Andrade.