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Vamos a mais uma Guerra Traduzida na Rádio Observador. Olhar para o que diz hoje a imprensa ucraniana neste dia 12 de outubro de 2022, quarta-feira. Contamos com a ajuda da jornalista Inês Ameixa. Inês, boa tarde.
Boa tarde.
Um programa feito em colaboração com a Tânia Olinik, natural da Ucrânia, residindo em Portugal há vários anos. Começamos, Inês, com as declarações do secretário-geral da NATO, que estão a ser notícia nos jornais ucranianos.
E que dão conta de que Jens Stoltenberg garantiu que fortalecer a defesa aérea da Ucrânia vai ser a principal prioridade da NATO. O líder da Aliança Atlântica falou ao final desta manhã, antes de uma reunião em Bruxelas, e acabou também por ser notícia nesses jornais ucranianos. Stoltenberg sublinhou também o fato de os aliados estarem a fornecer à Ucrânia mais sistemas de defesa aérea para proteger as cidades ucranianas dos ataques de mísseis russos. Ainda assim, o líder da NATO diz que é preciso mais desses sistemas antiaéreos e também outro tipo de armas de defesa.
A imprensa ucraniana também dá conta da área já atacada pela Rússia. Em dois dias, as tropas russas explodiram cerca de um terço da infraestrutura energética da Ucrânia.
É o que noticia a Pravda ucraniana, que cita declarações do ministro da Energia. Diz que cerca de 30% da infraestrutura energética da Ucrânia foi atingida por mísseis russos desde segunda-feira, portanto, nos últimos dois dias, e tem sido este um dos alvos da Rússia desde o início da guerra. O jornal cita declarações do ministro da Energia da Ucrânia, que explica as alegadas causas para que as infraestruturas energéticas sejam agora, de alguma forma, um novo alvo para Moscovo. Será porque a exportação de eletricidade proveniente da Ucrânia para a Europa ajuda os países europeus a economizar em gás e carvão, que são vindos da Rússia, portanto, Moscovo não quer que isso aconteça e essas infraestruturas ucranianas estão, por isso mesmo, a ser alvo nesta guerra por parte das tropas russas.
Avançamos agora, Inês, para a história de uma mulher que foi presa pelas autoridades russas. O que é que fez? Visitou a campa dos pais de Putin no cemitério.
Não só visitou, como deixou também um bilhete junto aos túmulos em São Petersburgo. O portal ucraniano TSN, que cita a Mediazona, conta que não se sabe ao certo o que dizia o bilhete, mas o filho da mulher de 60 anos explica a este jornal que a mãe terá deixado uma nota de desejo de morte a Vladimir Putin, que, de resto, a imprensa ucraniana está a descrever nesta notícia como ditador Putin. Na notícia, é também apontado que nessa mesma nota, a mulher ter-se-á dirigido aos pais de Putin para dizer que o filho deles está a portar-se mal, que chateia os vizinhos e ameaça explodir a escola, numa clara metáfora para aquilo que está a acontecer com esta guerra na Ucrânia. Diz, depois de ter deixado esse bilhete no cemitério junto às campas dos pais do líder russo, esta mulher terá tido em casa a visita da polícia russa e acabou por ser levada pelas autoridades. Ontem, ela acabou por comparecer em tribunal. É acusada do crime de insulto aos corpos e sepulturas, cometido com base em ódio ou oposição política, ideológica, racial ou religiosa, um crime em vigor na Rússia. Ora, os procuradores russos pedem pena de prisão para esta mulher de 60 anos. É uma notícia que também está a ser divulgada pela imprensa ucraniana.
Que insultou não os pais de Vladimir Putin, mas o próprio Vladimir Putin. Por fim, olhamos também para uma história que é contada pela Pravda ucraniana sobre refugiados na Irlanda que estão a ser obrigados a mudar de cidade, Inês.
Exatamente. A reportagem conta que na Irlanda, 135 mulheres e crianças ucranianas estão a ser despejadas da cidade onde já moravam há seis meses. Isto para dar lugar a homens refugiados de outros países. A história passa-se no condado irlandês de Kerry, onde centenas de refugiados ucranianos estão alojados desde março, desde o início da guerra. Muitas mulheres encontraram trabalho, as crianças entraram para escolas locais, portanto, aqui com uma boa adaptação, mas agora as autoridades decidiram que estes refugiados ucranianos devem ser transferidos para uma outra cidade, já no condado de Mayo, no oeste da Irlanda, isto para que cerca de 200 homens sejam acomodados nesses locais até aqui ocupados, incluindo migrantes da Líbia, Argélia, Irão e Geórgia. Esta decisão estará a indignar as autoridades locais e a própria comunidade irlandesa, que ajudou os refugiados ucranianos a adaptarem-se àquela cidade e que agora se veem obrigados a mudar de local. É o que conta também o jornal ucraniano Pravda.
E é com esta notícia que fechamos a revista de imprensa ucraniana desta quarta-feira, dia 12 de outubro. Revista de imprensa com a Inês Ameixa, contou com a colaboração da Tânia Olinik.