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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Seguimos com a imprensa ucraniana, com a jornalista Diana Rosa.
Olá, Ricardo, mais uma vez.
Está aprovado o pacote número 20 de sanções à Rússia. A ajuda de €90.000 milhões à Ucrânia foi também finalmente desbloqueada pela Hungria.
Uma vez que o oleoduto Druzhba já está a funcionar, Zelenskyy cumpriu com a promessa, Viktor Orbán também. Quer isto dizer que foi reparado depois de um ataque que foi atribuído à Rússia. As duas medidas vão agora passar pela assinatura oficial dos diplomatas europeus. Volodymyr Zelenskyy afirmou ontem que a reparação do oleoduto que atravessa a Ucrânia estava condicionada à libertação dos fundos bloqueados pela Hungria e pela Eslováquia. António Costa agradeceu a Zelenskyy pela reparação da estrutura. O presidente do Conselho Europeu, que vai dirigir a Cimeira de líderes da União Europeia a partir de amanhã, saúda Zelenskyy por ter cumprido com a sua palavra.
E hoje um ataque russo a uma infraestrutura de transportes em Zaporíjia fez um morto e um ferido.
Esta noite começou com mais um ataque russo contra essa cidade no sul da Ucrânia. De acordo com o Ukrainska Pravda, que cita autoridades locais, o bombardeamento atingiu instalações ligadas ao transporte nesta madrugada. Horas depois, um novo ataque visou a linha férrea da mesma região, provocou a morte de um assistente de maquinista e danos significativos na infraestrutura ferroviária, crucial para o transporte civil, mas também para a logística militar. As equipes de emergência trabalharam durante a manhã para remover destroços e restabelecer a circulação, sob o risco de novos ataques aéreos e também com drones. Kiev insiste que estas ações fazem parte de uma campanha sistemática da Rússia para paralisar a rede de transporte ucraniana, dificultar o envio de reforços para a linha da frente e aumentar a pressão sobre a população civil nos centros urbanos do sudeste do país.
Apesar destas ofensivas russas, a defesa ucraniana afirma ter abatido 189 de 215 drones russos numa única noite.
As Forças Armadas Ucranianas relatam uma das maiores ofensivas aéreas russas recentes com recurso massivo a drones de fabrico iraniano e russo também. Segundo o Estado-Maior da Ucrânia, citado pelo Pravda, esta noite a Rússia lançou 215 drones do tipo Shahed, Geran e Talmas e outros modelos semelhantes contra várias regiões do país. As baterias de defesa aérea e grupos móveis de fogo ucranianos terão abatido quase 190 destes aparelhos num esforço que envolveu sistemas fixos, meios móveis e equipes com armamento antiaéreo ligeiro. Apesar da elevada taxa de interceção, foram registados impactos em pelo menos 13 pontos, incluindo infraestruturas de energia e logística, o que levou a que houvesse cortes de eletricidade, cortes localizados, ainda assim, e também alguns incêndios. As autoridades sublinham que o objetivo de Moscovo continua a ser desgastar a rede energética e obrigar a deslocação de sistemas de defesa aérea de setores sensíveis da frente de combate para proteger grandes cidades.
A Ucrânia, entretanto, responde a estas ofensivas de Moscovo e reivindica um ataque a um centro de tráfego naval russo em Sebastopol.
Na frente de operações de longo alcance, a Ucrânia diz que atingiu essa estrutura na Crimeia ocupada numa operação noturna com recurso a mísseis e a drones. Fontes militares citadas pelo Pravda referem que a instalação coordenaria o movimento de navios da Frota do Mar Negro e serviria de ponto de apoio à logística de munições e combustível na região. Imagens não verificadas que circulam nas redes sociais mostram explosões e incêndios junto à zona portuária, enquanto Moscovo admite danos limitados em infraestruturas, mas assegura que a capacidade operacional da frota se mantém. Kiev enquadra o ataque na estratégia de enfraquecer a presença naval russa no Mar Negro e proteger os corredores de exportação de cereais e metais ucranianos. Analistas militares lembram que ações deste tipo obrigam a Rússia a deslocar meios de defesa aérea e navios para locais mais recuados, reduzindo a pressão direta sobre portos ucranianos como Odesa.
E o comandante-chefe das Forças Armadas Ucranianas ordenou o reforço urgente da frente de Pokrovsk, na região de Donetsk, no leste do país.
Que Oleksandr Syrskyi descreve como um dos setores mais críticos da guerra. Em declarações divulgadas pela imprensa ucraniana, Syrskyi afirma ter atribuído às unidades do terreno a tarefa imediata de reforçar posições defensivas, rodar unidades que estão exaustas e intensificar o reconhecimento com drones nas zonas mais pressionadas pela Rússia. O militar admite que o inimigo continua a tentar romper as linhas ucranianas com assaltos diários e forte apoio de artilharia, mas garante que a defesa se mantém estável graças à combinação de campos de minas, fortificações e fogo de contrabateria. Oleksandr Syrskyi insiste que para travar definitivamente o avanço russo, Kiev precisa acelerar a recepção de munições e sistemas de defesa aérea prometidos pelos aliados ocidentais, sob pena de perder tempo crítico e fundamental nas próximas semanas. A mensagem dirige-se tanto ao público interno, para manter a moral, como às capitais europeias e também a Washington, onde ainda decorrem negociações sobre novos pacotes de ajuda.
É o ponto final neste episódio da "Guerra Traduzida". Até amanhã, Diana.
Até amanhã, Ricardo.