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Seguimos com Guerra Traduzida na Rádio Observador, agora com análise e detalhes da imprensa ucraniana de hoje, um trabalho de João Filipe Cruz, jornalista, com colaboração de Tânia Oleinik. João, vamos começar com o ataque russo a Kiev e a reação de Zelensky.
A notícia está em destaque, obviamente, em todos os jornais ucranianos. Nós pegamos no TSN. O ataque aconteceu durante a madrugada à capital da Ucrânia, causou danos num hospital pediátrico, por exemplo, fez pelo menos 53 feridos. A defesa antiaérea ucraniana abateu os 10 mísseis disparados em direção à capital, mas os destroços provocaram efetivamente estragos, não só nesse hospital pediátrico, mas também em muitas casas ao longo do rio Dnipro, que atravessa Kiev. Esta foi a segunda investida russa contra a capital ucraniana esta semana. A primeira foi no domingo, também aconteceu à noite. Na reação, o presidente ucraniano prometeu uma resposta, e já vimos na guerra traduzida da Rússia, que pediu também mais mísseis e mais sistemas de antidefesa Patriot norte-americanos. Diz que faltam esses equipamentos para garantir a proteção não só de Kiev, mas também de outras cidades que, como já vimos, já não têm proteção garantida pelo presidente ucraniano.
Entretanto, há também notícias sobre Zelensky, que está na Noruega, um país que anunciou mais um pacote de ajuda à Ucrânia.
253 milhões de euros. Zelensky foi a Washington, veio de lá com muito pouco, ou pelo menos não veio com o que queria ter vindo, mas na Noruega, em Oslo, já ficou a saber, através do primeiro-ministro Jonas Gahr Støre, que a Ucrânia vai receber mais de 250 milhões de euros, são cerca de 3 mil milhões de coroas norueguesas. Zelensky agradeceu o papel de liderança global da Noruega nesta ajuda à Ucrânia. Na capital nórdica, o presidente ucraniano agradeceu ao primeiro-ministro da Noruega e foi através da conta social do X, o antigo Twitter, que saudou as decisões e ações norueguesas, que definiu como significativas e que estabelecem também um bom exemplo a outros países.
Em Oslo, Volodymyr Zelensky disse que o primeiro-ministro da Hungria não tem motivos para bloquear a adesão da Ucrânia à União Europeia.
É também uma notícia em destaque, tal como a anterior, no jornal Pravda. Lembro que Viktor Orbán descreveu a eventual adesão da Ucrânia à União Europeia como um erro terrível e defendeu ainda que a Hungria tem de prevenir que isso aconteça. A resposta de Zelensky surgiu hoje em Oslo, nessa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro norueguês. Volodymyr Zelensky admite que teve uma breve conversa com o primeiro-ministro húngaro na tomada de posse de Javier Milei, o presidente argentino. O chefe de Estado da Ucrânia relatou que pediu a Viktor Orbán uma razão, não três, não cinco, nem 10, é esta a frase de Zelensky, uma razão pela qual Budapeste se opõe à entrada da Ucrânia na União Europeia. Uma resposta a uma pergunta, a um pedido que fica sem resposta, diz Zelensky, está ainda à espera dela. E sobre este bloqueio húngaro, o presidente ucraniano diz que é um facto, reconhece que está efetivamente a acontecer, mas sublinha que Kiev, apesar de tudo, tem assumido um papel construtivo.
Para fechar, o preço dos festejos natalícios na Ucrânia. João, temos um preço surpreendente.
É. Esse, o preço surpreendente, é o título do jornal TSN, porque começou a circular pelas redes sociais nos últimos dias um valor que afinal é falso, mais de 15 milhões de euros. Foi este valor que muitos ucranianos ficaram a saber. E agora o TSN cita cálculos de um movimento independente que questionou várias autarquias na Ucrânia sobre os gastos que cada cidade vai ter com o Natal, com a passagem de ano. No total, foram gastos pouco mais de 1500 euros em todo o país. É o recorde por baixo, o número mais baixo de sempre com as festividades, com a quadra na Ucrânia. Só para termos uma noção, em 2021, que foi o último Natal e passagem de ano sem guerra, em todo o país foram gastos mais de 1 milhão e 200 mil euros em árvores de Natal e decorações pra passagem de ano. Este ano, as autarquias decidiram poupar. E como é que pouparam? Recorreram a decorações e árvores que já existiam, antigas. Algumas cidades receberam também adereços por intermédio de doações. Há ainda outras que abdicaram por completo de instalar elementos alusivos à festa, ou pelo menos aquelas grandes árvores de Natal, optaram por coisas mais modestas e também as decorações das árvores de Natal fizeram-se sobretudo por meio de ofertas, doações. Há cidades em que foram as próprias crianças a construírem uma espécie de adereços pra que as autarquias colocassem nas árvores. Mas fica a nota: 1500 euros gastos em toda a Ucrânia com as festividades, com árvores natais e elementos que sugerem a passagem de ano.
Poupar em tempos de guerra. Fecha assim mais este episódio de Guerra Traduzida, com destaque para a imprensa da Ucrânia.