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Esta é a história do dia da Rádio Observador: se um banco voltar a cair, quem vai pagar?

"Today, thanks to the quick action of my administration over the past few days, Americans can have confidence that the banking system is safe. Your deposits will be there when you need them."

Na segunda-feira, às 9h de Washington, o presidente norte-americano afirmava que o sistema bancário está saudável, a funcionar e é de confiança. Entre sexta-feira e domingo, dois bancos caíram, o Silicon Valley Bank, na Califórnia, e o Signature, em Nova York. O governo norte-americano assegurou o dinheiro dos depósitos dos clientes, despediu os gestores e garantiu que nem 1 cêntimo dos contribuintes será usado para resgatar os bancos. Agora, a queda destas instituições financeiras pode levar a um arrefecimento na política de subida das taxas de juro. Mas por quê? E se fosse cá? Os contribuintes também não seriam chamados a pagar? Vou conversar com o jornalista da seção de economia do Observador, Edgar Caetano. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vindo, Edgar.

Obrigado, Ricardo.

Temos de começar esta conversa pela queda de um banco nos Estados Unidos, um banco em Silicon Valley, na Califórnia, terra de startups e empreendedores. Caiu devido a uma corrida aos depósitos? Foi isso que aconteceu?

Foi uma corrida aos depósitos que se seguiu àquilo que era um plano de recapitalização que aquele banco em particular tentou executar sem sucesso. E aquilo que era basicamente um trunfo daquele banco, o fato de ser um banco muito ligado às empresas tecnológicas e às pessoas tecnológicas também, acabou por virar-se contra ele, porque também é um tipo de público e um tipo de cliente que é muito reativo e está sempre conectado às redes sociais e às comunicações. E, portanto, foi curioso ver como é que um banco que era tão focado naquele tipo específico de cliente, que acabou por exibir ali uma espécie de mentalidade de rebanho, causou um pânico que se espalhou muito mais subitamente e muito mais rapidamente do que seria expectável num banco tradicional.

E quanto é que esses clientes levantaram em poucas horas ou num dia?

Em poucas horas foi cerca de 40 mil milhões de dólares, o que era cerca de um quarto de todos os depósitos que existiam naquele banco.

E depois caiu um segundo banco, este mais pequeno, em Nova York, mas foi pela mesma razão?

Era um banco um pouquinho diferente, porque o Silicon Valley Bank era um banco, apesar de tudo, apesar desse enfoque nos clientes tecnológicos, das startups, das empresas tecnológicas, era um banco tradicional, era um banco que recebia depósitos e fazia crédito. Até fazia crédito a empresas que às vezes a banca tradicional não compreendia ou não se atrevia a tocar. Eles eram o banco conhecido por isso. Este era um banco diferente, era um banco mais ligado, o Signature Bank era um banco mais ligado às criptomoedas, esse universo que também tem tido meses conturbados, para dizer o mínimo.

E estes bancos acabaram ou não por ser resgatados pelo governo norte-americano?

Se perguntares a Joe Biden, ele diz-te que não. Se perguntares a muitas outras pessoas.

E a Edgar Caetano, o que diz?

Hoje em dia os resgates já é uma expressão que tem os seus matizes, porque mesmo aquilo que aconteceu em Portugal com o BES e com o BANIF foram resoluções. Aqui o que aconteceu foi que as autoridades fizeram uma intervenção no banco, tomaram conta do banco, criaram um banco novo, no caso do Silicon Valley Bank, criaram o Santa Clara National Bank, penso que é assim o nome, onde foi criada uma nova instituição e foram passados para lá todos os ativos, nomeadamente os depósitos, que foram garantidos totalmente. E no fundo, por que o Joe Biden diz que isto não é um resgate? Porque ele garantiu, uma frase que também nos é familiar, que não haveria custos diretos para os contribuintes, porque diz que serão as contribuições que os bancos comerciais, os bancos privados americanos, vão fazendo ao longo do tempo para conseguir capitalizar aquele banco. Mas esta história nós também já a conhecemos.

"No losses will, and this is an important point, no losses will be borne by the taxpayers. Let me repeat that. No losses will be borne by the taxpayers."

E todos nos lembramos do Lehman Brothers. Aqui também há perigo de contágio ou estamos a falar de uma dimensão completamente diferente?

O Lehman Brothers era um banco totalmente diferente. Não é por dizer que é diferente e que não vai acontecer a mesma coisa, não é isso que eu estou a dizer. De facto, eram bancos muito diferentes. Este era um banco tradicional de crédito e depósitos. Portanto, o Lehman Brothers era um banco de investimento, que investia em ativos financeiros, é totalmente diferente. Agora, eu tenho dito a várias pessoas, nas conversas que tenho tido e ouvido também, não é uma questão de contágio do Silicon Valley Bank ou do Signature. Não é isso que está em causa, embora possa haver instituições que pudessem ser credoras daqueles bancos e que possam ter algum tipo de exposição e perder, mas acho que não é isso que é preocupante. O problema aqui é que nós estamos num enquadramento muito particular, como em todos os mercados globais, que é um aperto muito rápido da política monetária, que faz com que as taxas de juro subam muito rapidamente, o que tem na sua base, porque é assim que as obrigações funcionam, tem na sua base uma desvalorização das obrigações, até as obrigações do Estado americano.

Obrigações é dívida, não é?

Dívida pública. Nesse caso, dívida pública. Portanto, não é uma questão de contágio direto do Silicon Valley Bank. O que pode estar aqui em causa é que outros bancos que também sofram da mesma maneira, embora haja coisas muito particulares no Silicon Valley Bank, outros bancos possam ter a mesma vulnerabilidade. Ou seja, o Silicon Valley pode não ser um causador de contágio, pode é ser um símbolo e um prenúncio daquilo que outros bancos, cada um individualmente, pode vir a sofrer, individualmente e o sistema como um todo, já sabemos que isto depois está tudo interligado. Mas é esse enquadramento em que, de repente, um ativo muito importante que está no balanço dos bancos, onde eles investem, que é a dívida pública, que é supostamente um ativo seguro, ainda mais a dívida pública da América, a maior economia do mundo, isso significa que estamos num enquadramento em que esses ativos perdem valor e os bancos, num caso, como houve uma corrida a depósitos no Silicon Valley Bank, obrigou esse banco a desfazer-se antes do tempo, antes da maturidade, antes dessas obrigações chegarem à sua maturidade, o banco teve que vendê-las ao preço do mercado. E neste momento, como o preço está abaixo daquilo que eles compraram, porque o preço das obrigações, como estávamos a dizer, caiu, eles viram-se ali com uma insuficiência.

Isso quer dizer, Edgar, que para fazer face a essa solicitação dos clientes, que de repente queriam levantar o dinheiro que tinham depositado naquele banco, aquele banco, para ter dinheiro, porque já sabemos que os bancos nunca têm o dinheiro no banco, teve de vender parte dessas obrigações, dessa dívida, por exemplo, dívida pública, antes do fim do prazo e por isso ficou com menos dinheiro. É isso?

Sim, porque se deixasse chegar ao fim do prazo, a dívida pública é emitida com prazo de cinco anos, 10 anos. Quando se chega ao fim do prazo, é devolvido os 100% do valor. Quando temos que vender antes do tempo, temos que vender a outro investidor. E aí sujeitamos ao preço que está no mercado. E foi esse o efeito. Agora, o Silicon Valley Bank, em particular, e acho que é importante dizer isso pra não se achar que todos os bancos são assim, aquele banco era muito particular. Primeiro, por três razões, quais consigo resumir em pouco tempo. Primeiro, porque era um banco que tinha um excesso de concentração em investimentos de dívida pública. Por muito que seja um ativo seguro, é um ativo e deve-se investir em vários ativos. Depois, pra ganhar mais um bocadinho de rendimento, eles investiam muito em prazos mais longos, o que significa que expuseram-se a prazos muito longos para ganhar um bocadinho mais de rentabilidade, para no fundo, rentabilizar mais um bocadinho os depósitos das pessoas e empresas, e foram muito pro fim da curva, como costumo dizer, pros prazos mais longos. Se fossem prazos mais curtos, não haveria tanta perda potencial. E depois o terceiro fator, que é crucial, e que aí é que nós temos que perceber se os reguladores fazem seu trabalho ou não, é que eles não fizeram aquilo que os bancos têm que fazer, que é cobertura de risco, taxa de juro. Tu tens, quando és um banco, tens de subscrever investimentos, fazer investimentos, mas há formas de proteger o teu risco nesses investimentos. Há contratos que se assinam, há swaps, há uma série de instrumentos que tu podes subscrever no fundo para acautelar o teu risco. Qual é que era o problema de acautelar o risco e comprar esses swaps? É que subtraíam os lucros. E se subtraíam os lucros, subtraíam os bônus. E, portanto, a gestão não quis ter essa posição mais cautelosa. Claramente fizeram asneira. O que queremos perceber é se até mesmo os bancos que não correram esses riscos estão em perigo ou não. Isso é que vamos perceber nos próximos meses.

Já voltamos à conversa com o jornalista do Observador, Edgar Caetano. Como a queda de um banco poderá ou não arrefecer a política de subida das taxas de juro e se um banco cair por cá, quem vai pagar? Já está disponível o primeiro episódio da série em podcast "O Sargento na Cela 7". É o primeiro de seis episódios narrados pelo ator PP Rapazote e com música original de NoiZrf, que estamos aqui a ouvir. "O Sargento na Cela 7" é um dos podcast plus do Observador e conta a história de António Lobato, o português que mais tempo passou em cativeiro na guerra em África. Foram sete anos e meio em condições verdadeiramente miseráveis. Uma história de guerra, de amor e também de uma operação secreta que foi lançada para resgatar esses prisioneiros de guerra portugueses. Os episódios são publicados às terças-feiras. "O Sargento na Cela 7" está disponível no site Observador e nas plataformas de podcast e é como a história do dia. Para não perder um episódio, basta clicar em seguir. Estamos de regresso à conversa com Edgar Caetano, jornalista da seção de economia do Observador. Edgar, e afinal, como é que a queda de um banco, que estavas a descrever há pouco, pode arrefecer a política de aumento das taxas de juro?

O verbo-chave aí é pode. Ninguém está a dizer que isso vai acontecer, pode não acontecer. Pode acontecer também. Como é que pode? Basicamente, este banco cai, como explicávamos há pouco, porque existe este enquadramento de um aperto muito rápido das taxas de juro. O que esse aperto muito rápido das taxas de juro tem subjacente é uma desvalorização desses títulos, ou seja, quando um banco central aumenta as taxas de juro, isso vai rapidamente alastrar-se para a forma como outros ativos financeiros se cotam no mercado, o valor que eles têm nos mercados financeiros, nomeadamente a dívida do Tesouro americano. Não é a mesma coisa, não é uma coisa direta. A Reserva Federal não determina o valor das obrigações do Tesouro americano, mas o fato da Reserva Federal ter a taxa de juro em 2% ou em 5% influencia a forma como os bancos e outros investidores, fundos de pensões, seguradoras, aplicam o seu dinheiro.

Mas Edgar, e afinal de contas, vai arrefecer ou não esta política de aumento da taxa de juro?

Já havia uma perspetiva para poucas semanas de que os bancos centrais, designadamente a Reserva Federal dos Estados Unidos, que iam começar a tirar um bocadinho o pé do acelerador. Essa perspetiva levou um abalo na última semana quando o presidente da Reserva Federal disse que podia voltar a acelerar o ritmo das subidas. Havia toda uma perceção que estava a desacelerar e ele disse isso porque os resultados da inflação continuam teimosamente preocupantes. Ainda ontem os números da inflação saíram na América e voltam a ser preocupantes e deixou de haver a perspetiva de que a Reserva Federal possa acelerar a subida das taxas de juro quando tem um sistema financeiro a obrigar o presidente americano a acordar às 9h de uma segunda-feira e fazer um alerta à população, porque senão tinha uma corrida aos depósitos que podia afetar dezenas de bancos. Não parece o enquadramento ideal para subir taxas de juro. Se há uma semana havia uma perspetiva de que a Reserva Federal poderia de facto subir a taxa de juro outra vez em 50 pontos, voltando a acelerar, até certo ponto temperou-se um bocadinho essa perspetiva, mas ninguém pode garantir que não acontece. Se acontecer, significa que de facto a Reserva Federal está mesmo muito preocupada com a inflação e os mercados vão reagir negativamente a esse facto, certamente.

E esta quinta-feira há nova reunião do Banco Central Europeu, que andava ainda a prometer subidas ou não? O que é que podemos esperar?

Foi muito interessante ver como a seguir ao colapso do Silicon Valley Bank, vários responsáveis do BCE vieram, de forma anónima ou colocando o seu nome nas declarações, dizer que aquele aumento de 50 pontos base ou 0,5 ponto percentual que estava pré-prometido para esta quinta-feira já podia não ser bem assim, que isso podia não ser um dado adquirido, como aparentemente para toda a gente era um dado adquirido. Mas eu tenho muitas dúvidas que não seja um dado adquirido. Eu acho que é, e acho que não é por causa de uma falência de um banco que teve práticas estranhas e repreensíveis na América, ainda mais tendo em conta que todos vieram na Europa dizer que está tudo controlado e que aquilo é um banco muito específico.

Por isso é uma situação que não é sequer comparável do ponto de vista da realidade que existe no quadro europeu.

Sinceramente, achar que isso vai levar o Banco Central Europeu, que está em face a uma inflação subjacente de mais de 5,5%, uma inflação global que ainda está três ou quatro vezes acima do objetivo, tenho muitas dúvidas que haja razões para que o BCE vá sessionar ou que vá mudar o plano em relação àquilo que indicou que iria fazer nesta reunião. E indicou na última reunião, já prometendo este aumento de 50 pontos. A grande dúvida é o que acontece depois disso. Isso é que ninguém sabe responder.

Edgar, e nos Estados Unidos, os depósitos estão cobertos até aos $ 250 mil. Já percebemos, por tudo aquilo que fomos conhecendo ao longo desses últimos dias, que Washington, neste caso, cobriu todos os depósitos, mesmo os depósitos acima dessa fasquia dos $ 250 mil.

All customers who had deposits in these banks can rest assured they'll be protected and they'll have access to their money as of today.

Por cá, a cobertura dos depósitos vai até que valor?

Vai até € 100 mil por titular, por conta. Essa é a definição. Tu tocaste num ponto que é essencial para mim nesta história, mais do que o contágio do Silicon Valley Bank. Não sei se as pessoas perceberam de um modo geral, neste caso na Europa, mas na América resgatou-se um banco e garantiram-se todos os depósitos. Isso é uma decisão absolutamente histórica, porque por um lado pode fazer-nos questionar até que ponto é que essas regras de que só se garantem depósitos até 100 mil, ou neste caso na América $ 250 mil, até que ponto é que de facto há coragem entre os políticos para quando um banco vai à falência, se absorve os depósitos das pessoas que têm mais do que € 100 mil na Europa ou senão $ 250 mil na América.

Também não era um banco muito grande.

Não era um banco muito grande, mas tinha uma característica, é que 97% dos depositantes daquele banco tinham mais do que os tais $ 250 mil. Portanto, das duas uma: ou se garantia ou não se garantia. A aniquilação ia ser quase total. E foi por isso que rapidamente se tentou perceber, e só se percebeu no domingo à noite, se as autoridades iam ou não salvar todos os depósitos ou só os depósitos até 250 mil euros. O que neste caso era um bocado irrelevante, porque ou salvava todos ou salvava praticamente nenhum.

E Edgar, por cá estamos apenas a falar de depósitos à ordem. Não estamos a falar de dinheiro aplicado em produtos financeiros vendidos pelo próprio banco. Só os depósitos à ordem é que estão garantidos?

À ordem ou a prazo. Tu podes ter a tua conta bancária, se tiveres 10 mil à ordem e 90 mil no depósito a prazo, isso para efeitos de Fundo de Garantia de Depósitos é a mesma coisa, são depósitos. O que não se pode confundir é com outros investimentos, que às vezes as pessoas pensam que contam como depósitos porque têm um juro maior, seja papel comercial de grupos económicos, seja outro tipo de fundos de investimento, isso não tem Fundo de Garantia de Depósitos, as pessoas sabem isso. E até é curioso que o presidente Joe Biden, ao mesmo tempo que anunciava que as autoridades tinham de facto coberto todos os depósitos do Silicon Valley Bank, incluindo os depósitos com valores muito superiores aos tais $ 250 mil, ele disse que todos os outros, todos aqueles que são credores do banco, iam perder tudo.

Investors in the banks will not be protected. They knowingly took a risk, and when the risk didn't pay off, investors lose their money. That's how capitalism works

É para as pessoas se lembrarem que quando estão a investir em ativos com mais risco, seja a investir em dívida de um banco, seja usando um banco pra investir em dívidas de outras empresas quaisquer, isso não são depósitos. E aí as pessoas estão a correr riscos. No fundo, como disse Joe Biden, é assim que funciona o capitalismo.

Ainda não recuperamos do colapso do BES e do BANIF, que não provocou tantas ondas de choque, ou pelo menos tão poderosas, e quando ouvimos notícias a falar de queda de bancos, acende-se aquela luzinha vermelha que indica: vamos ter de ser nós, contribuintes, a salvar mais um banco se voltar a cair? Se por cá acontecer o que aconteceu esta semana nos Estados Unidos, Edgar, vamos ser nós a pagar outra vez?

Temos sempre que ter muito cuidado ao dizer isto, porque os bancos trabalham com confiança e às vezes as pessoas podem ficar assustadas quando se fala em bancos a cair e riscos enormes, como às vezes se ouve certos comentadores na televisão a falar de riscos enormes de bancos caírem. Temos que pensar numa coisa muito simples: até 2014 não havia regras de resolução bancária. Quando um banco caía, ou ele era liquidado ou era nacionalizado, como aconteceu, por exemplo, com o BPN. Neste momento, existe uma regra que diz que os bancos, quando têm problemas, são alvo de uma resolução. E uma resolução normalmente passa por pegar na parte boa do banco, vendê-la a outra instituição e o resto fica a ser digerido, e é aí que vai ser chamado às perdas dos investidores daquele banco, quem tinha emprestado dinheiro àquele banco, os tais depositantes acima do valor garantido, nos casos em que houver, de facto, coragem pra fazer isso. No fim da linha, esse dinheiro, que é absorvido para pagar a massa falida do banco, para simplificar um pouco, usa-se os dinheiros dos depositantes com mais capital, usa-se as obrigações que foram emitidas por aquele banco e subscritas por outros investidores. Se isso não chegar, é um ponto assente no sistema financeiro que nós temos, que na última linha está sempre o contribuinte, até porque os bancos, e isso vale para o bem e vale para o mal, desempenham uma função essencial na economia ocidental como nós a conhecemos. São eles que têm uma função muito especial, nomeadamente a capacidade de criar dinheiro e criar crédito, que é isso que está em causa. Já sabemos que no fim da linha está sempre o contribuinte, seria uma ingenuidade dizer outra coisa. Por isso é que tem que haver regulação e por isso é que tem que haver supervisão. Mas temos é que ter muito cuidado em dizer, porque cai um banco na América, na Califórnia, que vamos começar a falar em quedas de bancos aqui. Os bancos podem sempre cair, faz parte dos ciclos econômicos, mas é importante perceber que as coisas não são aquilo que eram há 10 anos. Essa diferença é muito importante e é por isso que eu procuro sempre dizer às pessoas que é preciso ter um pouco de calma e não ser alarmista, como às vezes se ouve nas televisões, porque acho que nenhum de nós ganha com isso.

Obrigado, Edgar.

Obrigado.

Edgar Caetano é jornalista da seção de Economia do Observador. Esta foi a história do dia. Os sons que ouvimos de Joe Biden foram retirados da transmissão em direto da Casa Branca e o som do ministro das Finanças, Fernando Medina, em Bruxelas, foi registrado pela RTP. Este episódio contou com a colaboração do jornalista Manuel Rocha Leite, sonoplastia de Beatriz Martelo Garcia e a música do genérico é do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.