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Olá, sejam muito bem-vindos. Esta é a História das Histórias, eu sou o João Paulo Sacadura e hoje, na senda dessas homenagens que Alberto Correia, este historiador que está sediado em Viseu e que nos vai falar sobre personalidades— tem estado esta semana toda a homenagear personalidades de Viseu— vamos falar de Aquilino Ribeiro, uma escrita em letras de ouro, como escreve Alberto Correia nesta sua homenagem que vamos ouvir. Bem-vindo, Alberto.
Aquilino Gomes Ribeiro teve Viseu por pátria de adoção. Deixou o seu rasto pelo entrançado das ruas da cidade antiga, sonhando para ela o desenho de uma cidade nova, o corpo e a alma da cidade escrito em letras de ouro, em páginas de tantos dos seus livros. Aquilino Ribeiro, cuja vida se estendeu de 1885 a 1963, entrou em Viseu a primeira vez a 16 de junho de 1902. Tinha quase 17 anos, o sangue efervescente, e vinha fazer exame de Filosofia para poder seguir estudos superiores, emocional viagem que alterou à última hora, seguindo antes para o seminário de Beja, onde teve curta demora, conta ele, no seu póstumo livro de memórias, "Um Escritor Confessa-se". Viseu tornar-se-á ponto de passagem obrigatória entre essas geografias que habitou e a sua terra de adolescente, a Soutosa, esse umbilical polo a partir do qual estabelece as coordenadas desta pátria de exilado a que deu o nome Terras do Demo. Tempo houve, sempre, para conhecer a cidade, o matricial núcleo que em seu tempo ainda se guardava, original a seu modo, dentro da linha de muralhas. E Aquilino, no silêncio das madrugadas ou nas buliçosas horas do dia pleno, sentiu como ninguém o pulsar da cidade mesteiral, de fanqueiros, chumecos e palheirinhas, de fidalgotas em decadência e de senhores cónegos respeitados, como pressentiu mais tarde a força de ânimo que levava a cidade a crescer, com esse reticulado promissor das avenidas, que careciam ainda de modernas estradas de macadame e do caminho de ferro de via larga, para que pudesse se largar para mais longe. Aquilino tornou-se cidadão desta cidade. Tornaram-se-lhe familiares ruas e praças. Entrou em todos os templos, da Catedral a São Miguel, celebrou os imortais dos monumentos, D. Duarte ou Alves Martins, tornou-se-lhe familiar o seu museu, conheceu a Feira Franca e teve ali amigos sem conta. Residências em morada foram curtas. Para além da epocal residência de estudante, ocupou transitória casa em Abravezes com sua mulher, dona Jerónima, e seu filho mais novo, ainda criança, de agosto a meados de outubro de 1932. Pouco antes, em 1928, estanciara por curto tempo, prisioneiro, no presídio do Fontelo, velho paço dos senhores bispos. Viseu, o nome da cidade, ficou gravado em letras de ouro em muitos dos seus livros. Nesse de memórias atrás registado, nas infamulações de "O Homem que Matou o Diabo", n'O Volfrâmio, nas pinturescas descrições de Andam Faunos pelos Bosques, no descritivo de Arcas Encoiradas, onde perpassa em comovidas páginas a sua afeição pela cidade, na geografia sentimental, na Arca de Noé: Terceira Classe, com a história do burro com rabo de légua e meia, na Mina de Diamantes, nos Caminhos Errados, novelas Salamaleque e Chumbo. Em Viseu, o Parque Aquilino Ribeiro, a rua que também honra o seu nome, o monumento em bronze que na Rua Formosa perpetua uma presença, constituem-se como sentida homenagem ao escritor das Terras do Demo, que hoje demora no Panteão Nacional e agora pertence ao mundo.
Muito bem, assim fica aqui uma breve homenagem ao Aquilino Ribeiro, esse escritor das letras de ouro. Alberto, marcamos encontro pra semana. Muito obrigado por mais esta bonita homenagem que presta a este grande vulto da cidade, que imortalizou também a cidade de Viseu pela sua pena. Bem-haja e até pra semana.
Então, até pra semana.