Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Olá, sejam todos muito bem-vindos. Já sabe, esta é a história das histórias e, como sempre, desfiamos aqui memórias ou conhecimentos, estas pérolas de informação que nos dá o Alberto Correia, este nosso investigador e historiador, que hoje nos vai falar do tempo do Carnaval, do entrudo. O Carnaval, o tempo e o modo. Vamos a isso. Bem-vindo, Alberto.

Como outra qualquer das cíclicas festividades do calendário, Natal, Páscoa ou Santos Populares, o Carnaval, vulgarmente designado o Entrudo, mais na voz popular, aguarda-se em cada ano e à sua maneira se celebra em vivências comunitárias mais do que familiares. Esta festa, situada à entrada da Quaresma, daí a já desusada designação de Entrudo, antecedendo as apertadas práticas quaresmais do jejum e da abstinência, assumia, por contraste e por tradição, as pantagruélicas práticas de manducação, que assentavam sobremaneira na carne de porco e se tabelavam pelos multiplicados dias da celebração, que incluía mais longe também os domingos magro e gordo, as quintas-feiras das comadres e compadres e a terça-feira gorda. O termo Carnaval, que tenta explicar-se a partir da expressão latina carne vale ou adeus à carne, não parece, no entanto, convincente para explicar o costume das práticas gastronómicas. Conotado com esta característica alimentar, ecoimado de licenciosas atitudes, associado às típicas expressões das jocosas práticas do disfarce, do escárnio e da máscara, ganhou ao longo do tempo expressões festivas que se foram alterando e há quem ainda associe algumas manifestações a antiquíssimas práticas culturais que ocorriam neste carismático momento da transição do inverno para a primavera. Não se encontra na dispersa bibliografia monográfica da nossa região particular referência ao Carnaval, exceção feita para o quadro etnográfico traçado pela literatura de Aquilino Ribeiro sobre as terras do demo ou a do seu amigo, o cónego Fonseca da Gama, no descritivo pouco amplo que faz sobre as terras do Alto Paiva, onde ainda hoje, na freguesia do Touro, o enterro do rico irmão regista ecos de ancestrais vivências comunitárias que procuravam restituir o equilíbrio que aos poucos se perdera na paróquia. Memórias da gente mais velha, pouco ultrapassam hoje a das ingénuas máscaras de madeira e cartão construídas ao serão, das burlescas deambulações do mascarados por ruas da aldeia, do escárnio como tabela de crítica e zombaria, dos atropelos acontecidos, como as leituras dos testamentos sarcásticos, que a polícia do antigo regime procurou inverter e extinguir. Crónicas de imprensa local apenas fazem referência aos divertidos bailes de máscaras de um passado fidalgo já tardio ou de um mais tardio associativismo urbano. Para além do mencionado e relevante episódio referido ao Touro, o enterro do rico irmão, do festivo entrudo de Lazarim, em Lamego, com o impressionante cortejo das artísticas máscaras dos artesãos locais, obras-primas às vezes, da divertida dança que tem lugar em cabanas de Viriato, do cortejo alegórico de Nelas e da queima do entrudo em Repeses, o Carnaval assume-se como festa consumista de alguma dispersa e difusiva paródia e dos inocentes cortejos das crianças de jardim de infância, travestidas de príncipes e princesas, tal como no Natal, em que se vestem de reis magos ou outras figuras do presépio, um impressionista quadro lúdico que deveria tornar-se base de uma pedagogia cativante.

Muito bem, aqui estão estas memórias e estas extensões do Carnaval a todas estas tradições que o Alberto menciona: a queima do entrudo em Repeses, os cortejos alegóricos de Nelas, os testamentos, o enterro do rico irmão em Touro. De facto, o nosso povo tem por toda a província também uma grande tradição nesta altura do Carnaval, de festas e da maneira de celebrar este quadro, este tempo. Marcamos então encontro para amanhã, mais uma vez. Bom dia, Alberto.

Até amanhã.