Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Neste episódio de A Nossa Cultura continuamos na Casa da Ribeira, em Viseu, onde até dia 7 de novembro é possível visitar uma exposição de Teresa Carreira, uma artista local, precisamente aqui de Viseu, que tem uma exposição com o título de "Simplesmente Casinhas". Já vimos que estas casinhas têm por base várias inspirações, muitas das vezes a natureza. E neste caso, as obras que se encontram aqui à nossa frente têm como inspiração o mar e também o céu, e é logo visível desde já, porque a cor predominante é de facto o azul.
Sim, tenho aqui alguns trabalhos que têm o céu e têm o mar. Mar, porque gosto especialmente do mar e mar picado, não mar de água calma. E o céu. Ou seja, eu não copio nada, mas quando vou na rua e olho para o céu e vejo aquelas nuvens ou o céu muito azul, é sempre uma inspiração para depois pegar nos tais bocadinhos de madeira e pintar. Os quadros que tenho aqui...
Estes aparentam ser mais finos do que alguns que tem ali.
Não.
Não são.
Não, é a mesma coisa. Portanto, o material é exatamente o mesmo. O meu objetivo não é criar um céu perfeito, uma nuvem perfeita ou, nesta parte em que é mais natureza, algo perfeito. É simplesmente criar uma harmonia que para mim faça sentido e modestamente me faça sorrir interiormente. Por exemplo, tenho aqui um, que é um retângulo, talvez de um metro e qualquer coisa por 20, em que de um lado estão estrategicamente coladas casinhas. As nuvens, aproveitei os veios que a madeira tem, que dão ideia de um espaço diferente, portanto, a tal nuvem. E dos outros lados tenho: diria o que é isto? Uma baleia, um tubarão, um cachalote? Não sei. Por cima da baleia ou do tubarão está um pássaro. E por que eu fiz estas duas figuras? Porque a própria madeira já tinha quase isto desenhado e recortado. Eu só fui colorir, mais nada. Portanto, dar-lhe um sentido diferente. Tenho aqui outro.
A base é novamente quase o gatilho para a sua criatividade.
É. Eu não penso, eu olho para aquilo e digo: "Isto parece-me um pássaro." Pronto, então vou pôr isto ou aquilo para lhe dar forma. Estes temas do mar não têm caras. Tenho aqui outro, por exemplo, na altura dos Santos Populares, pensei: "Vou fazer uma sardinha." Nada de especial, simplesmente as escamas são minúsculas casinhas. No rabo também tem duas ou três casinhas e no dorso também. Ou seja, o objetivo aqui é substituir alguma coisa desta sardinha, ou deste carapau, se é assim que se pode chamar, por casinhas. Para finalizar, tenho aqui um outro trabalho que teve a ver com as inundações do Christian. Portanto, tenho um rio cinzento, um céu também cinzento, negro, digamos, e nas margens casinhas, quase todas ao contrário. Significa, no fundo, para retratar, na minha maneira de ver, de uma maneira modesta e simples, aquilo que aconteceu.
Sim, a situação de calamidade com o comboio de tempestades Christian também aqui representado, um episódio que aconteceu ainda este ano. Perguntava-lhe por este casaco que me falava há pouco.
É uma tela. Este foi um dos primeiros trabalhos que eu fiz. Uma tela, onde a imagem é uma cara, um corpo que está colocado de lado. Tem um gorro, se é assim que se pode chamar, e no gorro tem duas minúsculas casinhas para dar ali o tal sentido de um desenho com uma casinha. E o corpo desta boneca, deste desenho, é um casacão onde estão várias dezenas de casinhas mais ou menos coloridas, mas em tons de pretos e castanhos, que foram, estas sim, todas cortadas no tico-tico e foi um trabalho mesmo muito difícil.
Tem ideia de quanto tempo é que demorou?
Não lhe consigo dizer. Sinceramente, não consigo dizer, porque eu estou a fazer uma casinha e ela prende-se numa mesa própria que eu tenho, mas de repente ela salta. Eu tenho que prender outra vez. Portanto, vou muitas horas a fazer. Independentemente da ideia, eu disse: "Vou fazer um casaco, um sobretudo". Depois é cortá-las e colocá-las estrategicamente.
Vamos até Londres, Teresa, metaforicamente falando, porque vamos nos dirigindo agora para o outro oposto da sala, onde está um quadro que foi inspirado em Londres, cidade que a Teresa me confessa, tem um grande fascínio.
Sim, vamos para Londres. Isso gostava eu, mas para já ainda não consegui arranjar tempo para ir. Portanto, Londres é uma das minhas paixões e então num bocado de madeira, este sim um bocadinho mais grosso, encontrei quatro veios de madeira e eu pensei: quatro veios fazem-me lembrar as torres da ponte. E foi por aí que eu comecei. Claro que depois tudo isto é colorido com as casinhas estrategicamente colocadas, como já referi, para formar a diferente figura que compõe a ponte.
E quando olhámos para este quadro a primeira vez, a Teresa também me dizia: "Eu não tenho grande interesse que a torre esteja 100% direita". Ou seja, não é esse pormenor, não é esse realismo que a Teresa pretende representar.
É sempre uma ideia afastada do real, mas que nos dá a ideia de alguma coisa. Este é significativo, porque as pessoas olham e dizem: "Isto é a Ponte de Londres, não é?" Mas há outros que não, que a pessoa vai imaginando aquilo que ela quiser.
E de Londres fica combinado que vamos até ao Japão no próximo episódio. Isto porque no próximo episódio a Teresa vai nos mostrar umas peças especiais inspiradas no Japão e que pretendem também ser uma homenagem a um familiar. Mantenha-se por este lado, na companhia da Rádio Observador Viseu.