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Sejam bem-vindos ao programa "A Nossa Cultura". Meu nome é Martim Madeira, estamos aqui no Teatro Viriato, na exposição "O Teatro Também é Nossa Casa", com Ângela Rocha. Passamos agora para a fachada do lado esquerdo, onde temos três janelinhas que compõem um só universo, que é as mãos do teatro. Os fazedores, quem faz, por exemplo, os cenários. Nas janelas de baixo, vemos um escritório com escadotes, vários utensílios, chaves de fendas, ou seja, quem constrói estes cenários. Na parte de cima, que é conectada com uma escada em espiral, onde temos um escritório mais em cima, temos uma máquina de costura. Não sei se costuram as roupas, costuram também toda a parte dos figurinos, dos fatos que os atores usam. Uma homenagem a quem tem este trabalho mais de cenário e de costurar as roupas, fazer o cenário, que dá também uma magia mais visual ao teatro e que transporta também as pessoas, porque os cenários e as roupas geralmente transportam as pessoas para a peça.
Exatamente. Eu fiz este exercício pensando que um teatro era um corpo, o que seria cada parte. Ou seja, tentar associar as profissões a partes do corpo e pareceu-me evidente que as mãos do teatro seriam dedicadas aos fazedores do teatro, ou seja, a quem materializa aquilo que visualmente é visto no palco, seja cenário, adereços, figurinos. Haver aqui um lugar e uma homenagem de destaque a esses fazedores. Nas janelas de baixo, temos acesso a um ateliê de construção, onde podemos ver um ambiente clássico de ateliê, com as suas latas de tinta, as suas muitas papeladas, os instrumentos que são utilizados na construção, relembrando sempre que foram apropriações de antigos materiais do Teatro Viriato, houve essa ressignificação do lugar e dos materiais. Na parte de cima, temos o ateliê de costura, onde serão feitas as partes, seja dos figurinos, seja do confeccionamento de panejamento, tudo que envolva tecidos e costura, que pode ser apresentado de 1001 formas, mas haver esta escada em caracol que une estas duas vertentes, porque muitas vezes eles funcionam como um conjunto. Fazem parte da mesma componente visual de um espetáculo e é importante que a sua ligação seja fluida. Muitas vezes há muitos cenógrafos que fazem também os figurinos e vice-versa, haver esta ligação muito forte da parte plástica de um espetáculo.
Queríamos agora passar, porque há duas partes que estão ligadas. Passamos desta parte das mãos do teatro para a produção. Damos uma volta à maquete, passamos por detrás desta maquete grande, tem cerca de um metro de largura. Passamos aqui à parte da produção e de escritórios. Uma parte, para já, que tem um elemento visual bastante apelativo, que é a parte da luz ultravioleta. Faz aqui uma espécie de neon e vemos aqui, acho que é melhor a Ângela explicar, porque parecem-me ser ramificações. O que isto significa? Por que esta luz e por que esta construção para a parte da produção e dos escritórios?
Aqui é uma componente do trabalho que muitas vezes é invisível ao público, que é a parte da produção. E aqui foi importante para mim, primeiro, corresponder precisamente nos gabinetes de produção estarem exatamente as janelas dedicadas à produção. E quando se ativa esta janela, temos acesso a uns pulmões. Neste caso, pensando no corpo do teatro, a produção será os pulmões do teatro, que fazem com que todo o processo seja mais fácil de ser vivido, que exista uma respiração constante em todo o processo e são fundamentais para a vida do teatro e essa homenagem de que são eles que nos dão o ar para que nós consigamos, de fato, depois desenvolver cada um a sua atividade e que quanto melhor funcionam, mais invisíveis são.
Só dizer, Ângela, que estas ramificações que eu falava há pouco, é como se fossem uma espécie de brônquios. Eu também queria perguntar por que este aspecto mais fechado, esta luz neon. É porque estão no backstage, é isso? É porque a produção trata muitas vezes também da parte da luz, do som. É por isso que eles estão numa janelinha, diria, mais fechada do que as outras?
Porque as janelas da produção no edifício são mais pequenas, há esse lado muito prático e objetivo. A utilização da luz negra tinha a ver realmente com o realce de uma coisa que é mais invisível. Muitas vezes os brancos são mais marcados com a luz negra e haver este brilho a transmitir esta vida, este pulsar maior aos pulmões, que foram feitos a partir de papel, todas estas ramificações, de homenagear a produção e todo o seu trabalho invisível, mas fundamental na feitura do teatro.
Temos então esse contraste para mostrar esta dimensão do trabalho da produção, que como a Ângela dizia, é os pulmões do teatro, são eles que fazem respirar o teatro. E tivemos aqui, neste conjunto, duas janelas diferentes, a da produção e a dos fazedores. Vamos continuar depois a ver mais algumas janelas desta exposição, "O Teatro Também é Nossa Casa", aqui no Teatro Viriato.