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Sejam bem-vindos ao programa "A Nossa Cultura". Meu nome é Martim Madeira e continuamos aqui no Teatro Viriato, espaço onde também estivemos no outro dia, ou na outra exposição. Desta vez, estamos na exposição "O Teatro Também é Nossa Casa" e estamos com Ângela Rocha, a autora desta exposição. Antes de analisarmos a maquete que ali está, uma maquete grande, muito bonita, vamos primeiro ao caderno de apontamentos do processo de trabalho. Temos aqui uma folha, que a Ângela abriu, que é o convite. Eu vou ler o que está aqui escrito. Aqui diz: "E se o teatro saísse à rua e chegasse a cada casa? Ou e se o teatro batesse à porta para irem comemorar juntos? Por que não começar com um convite? E se o teatro, num gesto simbólico e significante, desse a sua chave-mestra a cada casa da cidade?" Há bocado explicávamos este conceito da chave-mestra. Aqui temos o convite, numa forma bastante bonita, em que temos uma espécie de miniatura do teatro desenhada e depois vários fios que devem simbolizar, acredito eu, toda a cidade de Viseu e todos os lugares onde as chaves podem chegar.
Exatamente. Foi uma grande empreitada esta ideia simbólica de conseguir distribuir a chave-mestra para todas as casas da cidade. Este processo começou em 2023. Foram quase oito meses de construção para inaugurar, para a festa estar pronta em fevereiro de 2025, quando o teatro celebrou os seus 25 anos de cultura, e tem estado desde então em exposição aqui no átrio do Teatro Viriato. Já faz quase dois anos e estamos muito contentes de continuar a ser visitados e de podermos reinventar este lugar coletivamente. Uma característica que eu achei que era importante também nesta tentativa de aproximar o público dos criadores foi partilhar o caderno de criação desta instalação.
Um caderno bem grande, tenho a dizer. Para quem não está a ver, é um caderno cheio de apontamentos.
Exatamente. Ele tem a forma da silhueta do próprio edifício do teatro, que eu achei que, visto que é esta maquete do teatro, deveria ser uma característica transversal de todo o projeto. Cada face do teatro representa um capítulo específico deste processo. Temos uma fase inicial que foi: "Ok, como é que convidamos estas pessoas para a festa? E como foi materializado na ideia da chave, como é que isso seria possível?" É um processo que começa sempre com muitas interrogações. Isto porque eu acho que é importante desmistificar um bocadinho o processo do artista e saber que temos as nossas dúvidas, cometemos os nossos erros, temos as nossas falhas e é todo um longo processo até chegarmos ao objeto final, que por vezes parece muito limpo e claro, mas há todo um turbilhão de coisas que acontecem. Neste primeiro momento, temos o pensamento em torno da chave e da fechadura, todo esse processo, o que é que representa a materialização da chave e esta ligação. A chave só é completada quando da sua fechadura e este convite às pessoas para descobrir.
Eu queria só dizer, Ângela, que de facto vi ali um apontamento interessante. Que há uma frase embaixo, para além de todo o simbolismo da chave, o sentido de pertença, responsabilidade, independência. Há um apontamento interessante no final, que é o pedido de apoio aos CTT. Aqui está a ideia de como é que vamos entregar esta chave.
Sim. Nós gostávamos que este projeto, sendo de celebração da cultura, envolvesse também entidades locais. Uma delas os CTT, que foi uma tentativa de pedir essa parceria. Depois também houve da Moveco, que é mecenas do teatro e também nos fez sentido envolvê-la na própria construção, porque eticamente a construção também tem que fazer sentido no seu lugar e tentarmos ao máximo corresponder a uma verdade na feitura também.
Aqui tivemos a explicação do processo criativo, o processo de trabalho, um processo de trabalho longo e que teve muita tentativa e erro. Continuaremos no próximo episódio e vamos analisar esta maquete mais detalhadamente com todas as janelas que abrem novos universos e novos mundos, que podem verificar aqui no Teatro Viriato.