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23 graus. Jornal das 7, na Rádio Observador, com Carla Jorge de Carvalho. Os manifestantes pela habitação foram autorizados a permanecer na Praça do Rossio esta noite. A PSP obrigou à retirada das tendas e cerca de uma centena de pessoas dormiu ao relento na Praça Dom Pedro IV. Já no Porto, Carla, os manifestantes voltaram a desmobilizar-se.
Foi, por isso, mais uma noite marcada por protestos pela habitação nas duas maiores cidades do país. Em Lisboa, os manifestantes começaram a desmontar as tendas a partir da 01:00, depois de uma assembleia popular. Foi discutida a permanência ou a desmobilização. Os manifestantes acabaram por decidir ficar na Praça Dom Pedro IV, no Rossio. Os manifestantes passaram a noite no chão e sem tendas. Seguimos em direto até ao Rossio, ao encontro da repórter Beatriz Félix. Beatriz, a esta hora são ainda muitos os que resistem ao frio da noite?
São ainda muitos, seguramente perto de uma centena de manifestantes que aqui estão juntos à estátua de Dom Pedro IV, na Praça do Rossio. Este dia está a começar de forma diferente, precisamente por haver pessoas nesta praça que pernoitaram e com autorização da polícia. Isto porque durante a noite houve uma reunião entre a polícia e os representantes desta manifestação e nesse diálogo a pernoita foi permitida, mas ainda assim com algumas regras.
Essa é a minha dúvida mesmo para os próximos dias, ou seja, se nós quisermos continuar a conviver também durante a noite, mesmo depois da meia-noite e meia, se não fizermos barulho. Exatamente, a questão do barulho.
Se continuam a ter os comportamentos que caracterizam aquilo que é uma manifestação, é claro que não o devem fazer. Se vocês estiverem na via pública de forma ordeira, não fazer barulho, não usar megafones, não pôr música alta.
Certo. Podemos ficar aqui durante a noite toda.
Só houver algum comportamento que achemos inadequado, vamos falar com vocês, pedir que cessassem.
Mas, em princípio, eu sinto que a dúvida que estava a vir também deste lado era: se nós estarmos aqui, deitamo-nos, sentamo-nos, não sabemos bem o que fazer, se estamos aqui quietos, calados, deitados, se há essa legitimidade da polícia de poder vir e levar-nos daqui.
Isto dependerá da forma como vocês se comportarem. Se tiveres um comportamento ordeiro.
Os manifestantes acabaram por aceitar essas condições. Como dizia, permaneceram aqui toda a noite na praça, a dormir ao relento, com sacos-cama e colchões. Para já, não se vê presença policial aqui na praça, portanto tudo bastante calmo, mas mesmo assim, durante esta noite ainda houve alguns pequenos sustos, isto porque a certo ponto houve tumultos entre manifestantes. Um homem de nacionalidade brasileira com roupas, um paramento de padre, entrou dentro deste protesto com uma bandeira de Israel. Foi praticamente agredido por outros manifestantes, acabou por ser escoltado por membros deste movimento até uma das entradas do metro do Rossio e foi esse um dos pontos quentes desta última noite. Mas a esta hora, dizer ainda que já estão praticamente todos levantados, agora de pé, estes manifestantes, e voltaram a montar tendas. Consigo contar cinco tendas montadas aqui na Praça do Rossio, mas calmos, em silêncio e ainda não há presença das autoridades.
Beatriz Félix, em direto do Rossio, em Lisboa. O dia a amanhecer com as primeiras tendas a serem montadas, depois de cerca de uma centena de pessoas terem passado a noite ao relento. Há uma nova assembleia popular, está marcada para às 19h, e uma manifestação marcada para sábado.
No Porto, como já dissemos, a noite ficou marcada pela desmobilização dos manifestantes.
O movimento Acampada voltou a não montar tendas na Praça Dom João I, depois de um final de dia com muitas atividades, mas tanto a organização como os próprios manifestantes admitem que querem voltar a dormir na praça. O Miguel Pinheiro Correia dá mais detalhes sobre a noite de ontem no Porto.
Depois da música, da poesia e da dança, reina o silêncio aqui na Praça Dom João I. De tarde, ainda houve algumas atividades, mas desde que terminou a assembleia popular, com perto de 200 pessoas, a multidão foi desaparecendo lentamente. Deixaram aqui ainda alguns vestígios dessa passagem, desses protestos que se prolongam há mais de uma semana na cidade do Porto. Vemos tarjas e também tendas simbólicas, tendas de cartão a simular aqui pirâmides em formato de tenda, com várias mensagens. Numa delas lê-se: "Esta tenda custa €30 mil." Mas tendas verdadeiras não há na Praça Dom João I, os manifestantes voltaram a não montar tendas. Na assembleia popular desta tarde, nem sequer votaram a possibilidade de voltarem a dormir aqui. No entanto, alguns desses manifestantes expressaram essa vontade de voltarem a montar tendas. Há essa intenção também da parte da organização, mas, para já, ainda não é possível perceber quando irá acontecer. E por isso, sem essa perspectiva de pernoita na praça, acabaram por abandonar e também, já com poucas pessoas na praça, ouviram-se gritos de: "Fascismo nunca mais, 25 de abril sempre", enquanto eram distribuídos cravos, que foram entretanto colocados no centro da praça num formato de círculo, praça essa onde os manifestantes devem regressar amanhã. Há programas previstos para a próxima tarde, mas estes manifestantes estão se a guardar, principalmente, para uma maior manifestação que acontecerá no sábado.
Miguel Pinheiro Correia, que esteve a acompanhar a manifestação de ontem no Porto, que terminou cedo, deixou a Praça Dom João I deserta, ali por volta das 23h.
E perante os protestos que estão a acontecer em Lisboa e no Porto, o secretário-geral do PS volta a pedir que o primeiro-ministro deixe cair a nova lei do arrendamento.
Apelo repetido por José Luís Carneiro, que quer também que o governo se junte ao PS para viabilizar uma garantia pública que facilite o cumprimento das obrigações com as rendas e ofereça, ao mesmo tempo, uma maior segurança aos proprietários.
É o país que exige, não é o PS
Que se exija ao primeiro-ministro que deixe cair a proposta da lei das rendas que levou à Assembleia da República e, por outro lado, que depois de colocar essa lei na gaveta, aceite discutir, dialogar, construir com o PS a garantia pública que foi apresentada por nós na Assembleia da República.
O secretário-geral do Partido Socialista frisa ainda que o primeiro-ministro tem de ouvir as ruas. Caso contrário, Luís Montenegro estará a dar um sinal de insensibilidade, incompreensão e indiferença.
Estas declarações do líder do PS foram à margem do Conselho Nacional do partido ontem, em que o Partido Socialista aprovou a abstenção do Orçamento do Estado para o próximo ano.
José Luís Carneiro não encontrou oposição interna a esta decisão, já pré-anunciada, depois de uma abstenção violenta no passado, da abstenção exigente. O porta-voz do PS fala agora numa abstenção não adjetivada. Vasco Maldonado Correia.
A uma semana do debate do Orçamento do Estado, a posição do Partido Socialista está na mesma.
A Comissão Política Nacional do Partido Socialista mostrou hoje um grande consenso em torno da posição proposta pelo secretário-geral do partido, de transmitir ao grupo parlamentar o entendimento dos órgãos de que o sentido de voto do Partido Socialista no Orçamento do Estado para 2027 deve ser um voto abstencioso.
Anúncio feito pelo porta-voz do PS, André Moz Caldas, depois de uma reunião da Comissão Política Nacional, que trouxe unanimidade no rumo que está a ser seguido.
O sentimento global que resulta do conjunto das intervenções é de um consenso total em torno do sentido de voto que o partido vai ter no Parlamento.
A abstenção, reitera Moz Caldas, não mostra concordância com as políticas do governo. Acontece em nome de algo maior.
Temos a certeza que as portuguesas e os portugueses compreendem. Nenhum ou muito poucos portugueses entenderiam ser chamados a eleições, mais uma vez, a meio ou a menos de meio de uma legislatura.
O que não quer dizer que mais lá pra frente, a postura não possa mudar.
Se o governo conseguir dar respostas aos problemas dos portugueses e criar condições para que se mantenha a possibilidade de o Partido Socialista convergir na viabilização de orçamentos, muito bem. Isso pode não acontecer até o fim da legislatura e o Partido Socialista reserva-se, obviamente, a possibilidade de fazer essa avaliação a cada momento.
Noutros tempos, a abstenção do PS foi violenta, foi também exigente. E agora?
É uma abstenção não adjetivada.
Sem adjetivos, mas com unanimidade, o PS não garante a mesma postura na especialidade.
Vasco Maldonado Correia, acompanhando a reunião desta noite da Comissão Política do PS. O debate do Orçamento do Estado está marcado para a próxima semana, dias 27 e 28.
Isaltino Morais admite a criação de um novo partido ao centro e moderado. O atual presidente da Câmara de Oeiras diz que há um grande número de eleitores que não tem onde votar.
Foi a entrevista à RTP. Isaltino Morais conta que desde que falou sobre a possibilidade de liderar um partido ao centro, não parou de receber telefonemas de interessados vindos de várias orientações políticas. O autarca dá o exemplo da habitação para dizer que PS e PSD não têm conseguido fazer reformas.
Eu acho que mais cedo ou mais tarde vai nascer um novo partido.
É um projeto em que o senhor está a começar a trabalhar?
Vejo-me numa situação dessas. Quer o PS, quer o PSD, não têm sido capazes de fazer as reformas que o país precisa. A habitação é um bom exemplo.
O senhor está disponível para esse movimento, para fundar esse partido e liderar esse projeto?
Não estou a dizer que estou disponível.
Estou a perguntar.
Não, eu vou dizer. A pergunta que me está a fazer, já me fizeram noutro canal.
Está bem, mas neste canal ainda não fez. Aproveite esta oportunidade para fazer.
E eu respondi o seguinte: que estaria disponível para fazer parte de um movimento desses. O que eu fui fazer.
Porque recebe muita gente.
Recebo muita gente de todo o país. Só se está a confirmar aquilo que eu digo.
Quem são essas pessoas?
Muita gente de partidos políticos diferentes.
Isaltino Morais, em entrevista à RTP, garante que esteja ou não envolvido no processo, de certeza absoluta que vai nascer em Portugal um partido de centro moderado.
Olhamos agora para o Médio Oriente. Na Cisjordânia, há um grupo de jovens radicais mascarados que ataca palestinianos, jornalistas e também diplomatas.
São chamados Jovens das Colinas, são judeus extremistas, vivem nos colonatos na Cisjordânia. Atacam, intimidam e expulsam os palestinianos que, por exemplo, fazem a apanha da azeitona na região e o exército de Israel é, na maior parte das vezes, apenas um espectador. O enviado especial do Observador às legislativas israelitas, Pedro Jorge Castro, explica que há muitas centenas de jovens radicalizados que recebem recursos do governo israelita.
Estamos a falar de cerca de 800 jovens radicalizados que vivem nestes colonatos ilegais, dos quais cerca de 300 são suspeitos de envolvimento em atos violentos. São jovens judeus ultranacionalistas e radicais. Eles acreditam que toda a terra histórica de Israel foi dada por Deus exclusivamente ao povo judeu. Eles desconfiam e rejeitam as instituições estatais de Israel, exceto, curiosamente, para receber ajudas materiais. O pretexto é para eles se protegerem e no fundo, para manifestarem o apoio à expansão e ao alargamento do território de Israel. Mas na verdade, estes mesmos meios, este recurso todo o terreno e estes meios de vigilância, são utilizados por eles precisamente para estes ataques.
Pedro Jorge Castro, enviado do Observador a Israel para acompanhar as legislativas do próximo dia 27.
Este é o tema da história do dia de hoje, que já pode ouvir no nosso site e também nas plataformas de podcast. São agora 7h11, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?
O primeiro-ministro francês reúne-se hoje com os partidos para discutir a segurança da campanha para as presidenciais da primavera do próximo ano. O governo francês recebe hoje também representantes das forças de segurança, no momento em que estão previstas novas manifestações para sábado. No futebol, o Sporting perdeu ontem em casa 3x2 contra o LASK para a Liga dos Campeões. Os Leões tomam assim a primeira derrota da temporada. Têm seis pontos nesta fase de liga da competição. Esta noite para a Liga Europa, o Benfica visita a casa do Omonia, em Chipre. O jogo começa às 20h e vai contar com o relato aqui na Rádio Observador. Antes joga o Torreense frente ao Ferencváros. O Sporting de Braga vai estrear o novo treinador, Franklin Carvalho, esta noite frente ao Gent para a Liga Conferência.