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Várias mulheres de todos os cantos do mundo são reconhecidas neste que é o estilo naïf. E precisamente no Sátão, onde foi lançado este ano, 2026, o Museu de Pintura Naíf, que está uma das obras de uma das mais conceituadas artistas. É espanhola, nasceu em Barcelona, Ana Maria de Abadal, e que tem um estilo muito rico, muito próprio e muito detalhado. Comigo tenho Paula Cardoso, é responsável por este museu. É comum este estilo tão preenchido, tão minucioso nos artistas naïfs?

Esta artista destaca-se por isso mesmo. É uma artista que dedica a sua pintura aos interiores, ou seja, nós encontramos nas suas pinturas sempre representados interiores de espaços. Aqui nesta exposição de longa duração temos presentes três das suas obras, que fazem parte da coleção, mas Hermínio Ferreira, certamente, ao conhecer a obra de Ana Maria de Abadal, ficou tão sensibilizado que, para além destas três, ele adquiriu mais umas quantas, que se encontram em reserva, mas todas elas tendem para esta pintura de espaços de interior. E aqui temos uma pintura que é um pedido de casamento, que está a representar um interior de uma sala, uma sala que está aqui preenchidíssima de imensos detalhes, desde o pormenor dos cortinados, ao pormenor dos vários retratos que estão nas diferentes paredes. Mas ao centro encontramos uma mesa redonda e redondo aqui também podemos fazer a ligação à união, à unidade das pessoas. E num dos espaços mais à nossa direita encontramos efetivamente o pedido de casamento, ou seja, destaca-se ali um casal, um homem e uma mulher, o homem que está a entregar o anel de noivado à senhora, que também aqui pelo guarda-roupa que está representado nas obras, podemos remeter para um período que é anos 20 do século passado. De seguida temos uma primeira comunhão e aquilo que se destaca à primeira vista do visitante não é propriamente o momento da primeira comunhão, mas sim todo um altar de estética barroca que está aqui representado este interior desta igreja, que será certamente uma igreja em Espanha, com um detalhe, um rigor representado na pintura que parece real. E nós podemos até neste retábulo perceber que há imensas outras pinturas, ou seja, se houve o cuidado da artista em representar um retábulo da estética do barroco, tal qual ele é, também houve o enorme cuidado de representar as pinturas e as várias esculturas que preenchem esse retábulo, de forma que nós acabamos por ter aqui uma história completa da vida de Jesus, com episódios ligados a Maria e depois prolongando-se pelo nascimento de Jesus e depois pela morte e sua ressurreição. Ou seja, é uma pintura, não é de grandes dimensões, mas é de enorme conteúdo.

Há também uma terceira pintura, o "Lusitânia Express". Este já é de 2001, já é deste século, e vemos várias pessoas a sair de uma carruagem. O que é que esta pintura nos conta?

Pelo que podemos observar, são pessoas da alta sociedade. Pela forma como se vestem, pelas malas que algumas das pessoas carregam. E aqui, certamente, o que observamos são pessoas que estão a ir de férias, que têm criados, que lhes carregam as suas bagagens, e pelo modo como se vestem também, revela que seria uma elite, digamos assim, que estaria a fazer este Lusitânia Express, Lisboa-Madrid-Paris. Estão no interior de uma estação de comboio, e claro que com algumas das figuras nós também conseguimos ver que levam consigo os seus animais de estimação, ou pela trela, ou então ao colo. Até conseguimos também perceber aqui um gatinho numa pequena jaula, que está aqui também a acompanhar os seus donos nesta viagem. E se nós observarmos com atenção o interior da carruagem, conseguimos perceber que ao centro há um casal que está sentado, mas tem um criado com uma garrafa, que será certamente uma garrafa de champanhe. Estarão eventualmente a comemorar algum momento especial na sua vida.

Todas essas histórias numa só pintura. Uma das pinturas que aqui estão no Museu de Pintura Naíf, que pertencem a uma das artistas mais conceituadas, a espanhola Ana Maria de Abadal. Paula Cardoso, muito obrigada.

Muito obrigada nós e sempre que queiram, visitem-nos.