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Mantemo-nos pela Casa da Ribeira, em Viseu, para continuar a descobrir mais um pouco da exposição "Simplesmente Casinhas", da autoria de Teresa Carreira. Já olhámos para trabalhos de pintura, trabalhos com colagem e a Teresa trabalha, sobretudo, madeira com formas e texturas diferentes. Chegamos agora à parte final. É uma parte também especial ou pelo menos mais pessoal da exposição. Temos três peças à nossa frente, a Teresa faz-me companhia, são inspiradas no Japão, estão também relacionadas com a música que ouvimos de fundo e pode ler-se no título "Homenagem à Saudosa Carolina". Quem é esta pessoa que pretende homenagear com as três peças?

Com estas três peças eu pretendo homenagear a Carolina, que era filha da minha prima, que é como se fosse minha irmã, que faleceu há três anos, no dia 25 de abril, na Suíça, onde estudava música antiga. Estas três peças, de uma maneira muito simples e modesta, querem refletir uma das paixões da Carolina, que era o Japão. Portanto, numa delas tenho feito em madeira o Monte Fuji e na outra, casinhas, passarinhos e a flor tradicional do Japão. Estas são pecinhas feitas em madeira e tenho uma tela que foi feita em maio, passados poucos dias do 25 de abril. Esta veio intitulei-a e se chama "Mundo ao Contrário", precisamente onde estão pintadas várias casinhas e onde estão também coladas as tais casinhas de madeira com pregos enferrujados, dispostas de uma maneira não uniforme, tortas, sem telhado, com telhado inclinado, com telhado mais direito. É uma das minhas peças de eleição.

Dizia-me que também está, de certo modo, relacionado com a música que ouvimos aqui de fundo. Quer explicar?

Esta música de fundo é a Carolina a cantar em coreano, porque ela falava, além de falar fluentemente o inglês, falava japonês, uma das paixões dela, e esta música é cantada em coreano. E em 2015, ela ficou em terceiro lugar no festival K-pop, que decorreu em Lisboa, o festival Anime.

Muito bem, é uma bonita homenagem, com três peças em homenagem à saudosa Carolina, como nos dá conta o título. Nós estamos a caminhar também para o final da nossa viagem e queria deixar então alguns agradecimentos. Fica à vontade, o microfone é seu.

Quero agradecer à Rádio Observador na presença do Ricardo.

O gosto é todo nosso.

Pela oportunidade que me deu. E agora queria deixar um agradecimento ao público em geral, que consta do seguinte: a todos os que vão visitar a minha exposição e nela deixam a sua presença, manifesto antecipadamente o meu profundo agradecimento. É através dessa participação que o trabalho exposto adquire pleno significado, que os meus desenhos coloridos com as pequenas e frágeis casinhas, enquanto expressão simbólica, nos recordem que a conjugação de materiais e cores nos podem levar onde a imaginação quiser chegar. Cada simples casinha representa mais do que uma forma arquitetónica. É um espaço de memória, de afeto e de identidade. Através da cor, da textura e da composição, procuro dar vida a pequenas narrativas visuais que evocam a simplicidade e a beleza do sentimento que me vai na alma. Este trabalho não é mais do que um exercício de intimidade, criado com muita emoção, onde cada detalhe procura transmitir uma sensação de pertença. Que esta exposição possa permanecer como um testemunho de encontro entre a arte e o público, onde cada olhar contribui para a sua leitura e pode, assim, dar-lhe continuidade. Que dela resulte a consciência de que a arte se renova sempre que é observada, interpretada e divulgada. Muito obrigada a todos por fazerem parte desta história e por lhe darem alma.

As palavras de Teresa Carreira, a autora, e fica também feito o convite: "Simplesmente Casinhas", uma exposição de Teresa Carreira que pode visitar aqui na Casa da Ribeira até ao dia 7 de novembro. Pode também adquirir uma peça que goste, pode consultar todo o catálogo das peças que estão aqui expostas na receção da Casa da Ribeira. Eu despeço-me, agradeço mais uma vez a disponibilidade da Teresa e agradeço a si por continuar a ouvir a Rádio Observador Viseu.