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Ora, ora.
Parece.
Ora, ora.
Bom dia a todos os ouvintes. Sejam bem-vindos a mais uma triangulação do Paralelípipedo. Comigo, a comentar a efervescente atualidade, tenho os igualmente efervescentes Arménio Paulo e Januário Canutilho. Olá aos dois. Viva!
Viva a todos os ouvintes. Também aos meus companheiros de programa. Gosto de ser tratado como uma pessoa efervescente. Obrigado pela atenção, João.
Ora essa, não tem que agradecer, foi de boa vontade. Arménio, tudo bem consigo?
Olá ao coletivo de ouvintes. Olá também aos meus camaradas de programa. Concordo com isto da efervescência. Não sei se agora temos algum patrocínio da Gorozá ou da Água de Castelo. Enfim, hoje o capitalismo espreita por todas as franjas, mas tudo bem. As revoluções também não se fazem sem a malta estar efervescente, portanto, tudo bem.
Fantástico. E hoje o assunto é inevitavelmente o terramoto político provocado pela demissão de António Costa, por causa das suspeitas de corrupção em negócios milionários. Meus senhores, que grande bomba, não acham?
Eu acho que o José Sócrates deve estar a pensar que finalmente tem companhia para o seu jogging matinal na Ericeira. E é logo um pelotão inteiro. Costa, Galamba, Lacerda Machado, Vitor Escária. São todos grandes atletas, meio-fundo. Se bem que com esta enxurrada de casos no PS, aquilo é mais um poço sem fundo do que meio-fundo.
O problema com o PS é que o PS é aquilo a que se chama um partido travesti. Veste-se como se fosse uma dama de esquerda, maquilha-se como uma senhora progressista e esquerdista, mas quando tira a maquiagem e a roupa, vemos que, na verdade, é apenas um capitalista ignaro e repolhudo que ali está.
Caramba, você a adjetivar o capitalismo é um autêntico Camilo Castelo Branco.
Com muito gosto. E só não vou para o vernáculo porque estamos na Rádio Observador, que é uma rádio séria e há famílias inteiras a ouvir isto. Caso contrário, eu soltava aqui a minha veia do norte.
Não vale a pena, nós imaginamos. E agora, o que é que podemos esperar do que aí vem?
Se o PS for para a solução Pedro Nuno Santos, pode ser que tenhamos aqui uma geringonça 2.0 e o país ainda tem pernas para andar. Caso contrário, olha, há também quem fale na solução Fernando Medina, mas eu o Medina não o queria nem pintado.
Ou melhor, o Medina você não queria nem pintado de verde.
Isso mesmo. Nem pintado de verde. Quando há esse entrepassos ou moedas, venha o Diabo e escolha. Ele diz que tinha o Diabo, se calhar é ele próprio que é o Diabo. O Montenegro eu nem estou a considerar, porque o homem tem o carisma de um cato, até parece que pica o eleitorado, é tudo a fugir.
Januário, cenários possíveis, o que é que a gente vê?
Eu creio que o PSD só ganha caso tenha um candidato forte e eu acho que o Moedas seria um bom candidato, mas para isso teria de ser já neste momento eleito em congresso. A escolha não pode ser por moeda ao ar. Moedas ao ar, neste caso. Quanto ao Montenegro, não descola nas sondagens, ou melhor, ele até descola, mas é para baixo.
Muito bem. Peço-vos um prognóstico para os partidos das franjas que podem ajudar na formação de possíveis coligações.
A Iniciativa Liberal e o Chega podem crescer, mas parece que podem crescer pouco. O CDS não deverá sair do sarcófago. Por isso, o PSD tem que estar forte para não precisar de coligações, ou seja, tem que pensar mais vale só que mal acompanhado. Quanto à esquerda, Deus nos livre de uma nova geringonça ou pior, de uma nova maioria absoluta do PS. Isso não seria um governo, seriam comissões liquidatárias. O país precisa agora é de alternância, credibilidade e estabilidade. Já!
Olhe, o Chega faz cá tanta falta como a morte. A Iniciativa Liberal é uma nota de louros, só que em vez da loira, mete-se lá um Beto da Iniciativa Liberal e fica igual. Só na esquerda é que temos partidos que podem fazer a diferença e dizer ao PS que assuma, que se assuma, que saia do armário e que deixe de ser sonso ou travesti.
Muito bem. Agradeço aos dois estarem em mais uma edição da Triangulação.
Só mais uma coisa. Eu no primeiro programa disse aqui que o Galamba, Galamba, em húngaro, era pombo. Galamba, em húngaro, é pombo. Pois hoje posso acrescentar que o Galamba pode acabar na K37. K37. Ou seja, em húngaro, o pombo pode acabar na gaiola. Enfim, um apontamento de humor, não é só o Januário que sabe fazer o humorismo. Eu também gosto de vez em quando mandar a minha laracha.
Essa foi boa. Admito que você agora me superou.
Ok. Então agora assim, cumprimentos aos ouvintes e aos dois. Até quarta.
Ora, ora.
Parece.