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Ora agora.

Parece.

Ora.

Muito bom dia a todos os ouvintes. Aqui estamos nós para a habitual triangulatura do Paralelepípedo, o debate mais fraturante da rádio portuguesa. Não temos Pacheco Pereira, não temos Alexandra Leitão, nem Lobo Xavier, mas temos os inigualáveis Januário Canutilho e Arménio Paulo. Olá aos dois.

Olá ao coletivo de ouvintes, olá também aos meus camaradas de programa e, já agora, saudações para o programa da concorrência de que falaste, João, do qual sou um admirador convicto, desde a quadratura até à circulatura. Eu gosto desses programas com nomes tirados da geometria da Grécia Clássica. Acho até que na Sic Notícias deviam fazer o teorema de Rogeiro para os comentários do Nuno Rogeiro. Acho que fica engraçado.

Eu, por acaso, pensei que fosse falar do problema de Milhazes. É que o Milhazes é um problema para os cardalhos, que se veem gregos com ele.

Trocadilho estapafúrdio, típico de um direitolas. Por acaso, esse problema do Milhazes eu resolvia bem com uma simples subtração. Subtraía o Milhazes e o resultado era positivo no fim. Bem positivo, aliás.

Este era o teorema do Estaline, não é bem grego. Quando alguém irritava o Estaline, ele fazia uma subtração à pessoa e normalmente os subtraídos acabavam na Sibéria ou no cemitério mais próximo.

Calma. Vocês hoje estão a dissertar sobre disciplinas nobres como geometria e a história, mas eu queria ir para terrenos mais próximos da atualidade. Posso ter uma opinião vossa sobre o caso Paddy Cosgrave, que pediu respeito pelo direito internacional e que depois teve de abandonar a liderança da Web Summit?

Eu só digo duas coisas: a liberdade de expressão ocidental em todo o seu esplendor e o poder sionista em toda a sua extensão. E mais não digo. Pronto.

Até parece que o Hamas, que o Hezbollah, o Irão e aquela pandilha toda são grandes exemplos de liberdade de expressão. Pelo amor de Deus. Se este programa fosse num desses países, já a polícia tinha entrado aqui, eu estava num calabouço, o João com certeza estaria noutro calabouço e o único que escapava era o Arménio, porque é amigo da pandilha, porque senão também lá ia parar com os restantes. Qual liberdade de expressão?

Eu só sou amigo das vítimas, nunca dos tiranos que matam e oprimem como esse Netanyahu e seus capangas americanos. Está bem?

Calma. Vá lá, tenham calma.

Primeiro, ter liberdade de expressão no Irão ou com a malta do Hamas. Além disso, você ainda é homem e é heterossexual. Se fosse mulher ou homossexual, então coisas como liberdade de expressão ou até mesmo simples existência era bem diferente, Arménio. Bem diferente. Vista um vestido, ponha uma peruca, veja se alguém o deixa falar num país desses. A Tanas, deixa a Tanas.

Mas eu sou a Belle Dominique ou o quê? Nada contra, mas eu sou como sou e é assim que eu me apresento. Não vou pôr peruca nenhuma. Além disso, o que está em causa é o direito primordial à vida, percebeu? E você está a falar de outras coisas, de outros direitos, de outras conversas. Primeiro a vida humana e a vida do povo palestiniano. Ok? Depois o resto é outra conversa.

O que está em causa é mais uma vez vocês estarem do lado errado da história, porque é uma fatalidade. A maioria das pessoas já percebeu isso.

A maioria das pessoas comprou o disco dos Modern Talking nos anos 80 e todos achavam também que estavam certos. Hoje vemos que aquilo era azeite discográfico de má qualidade. Nem sempre a maioria está certa. Percebeu? Nem sempre a maioria está certa.

Pois, mas chama-se democracia. Democracia representativa. É o pior dos sistemas, excetuando todos os outros. Está a perceber? Não pode ser um suposto comitê central a decidir o que as pessoas querem ou não querem ouvir, Arménio.

Meus amigos, vocês hoje estão ligados à corrente. Eu queria saber, agora em poucas palavras, o que acham do caso Paddy Cosgrave, mas sem entrar em conflitos os dois. Eu não sou o António Guterres para vos tentar acalmar.

Se fosse, também não conseguia fazer grande coisa. O António Guterres faz lembrar o bardo da aldeia do Asterix. Os outros lutam, escutam, bebem, dançam e ele fica amarrado ao marco sem fazer nada, sem poder abrir o bico.

Essa agora está boa. Você quando não começa com conversas parvas, até consegue dizer uma ou outra. Essa esteve bem. Agora esteve bem. O bardo Asterix está engraçado.

Falem do Paddy, por favor. Vá lá.

Paddy disse a verdade e quilhou-se. Pronto. Ou seja, a verdade não compensa. O crime compensa. No capitalismo selvagem, agreste, nocivo que a gente vive, o crime compensa, a verdade não compensa.

Januário.

O Paddy é um idiota moderninho e já tinha dito muitos disparates até agora. Não é a primeira vez que lhe sai um disparate pela boca fora. E agora pode continuar a dizer disparates, mas é lá no pub da rua dele. Quanto ao Web Summit, eu sempre achei aquilo um meeting de wannabes ou uma espécie de Ironman para cromos. Já era tempo de acabar com aquela treta. Paddy Cosgrave não foi mais do que o Hamas da Web Summit. Deu cabo daquilo tudo. Pronto.

Bom, este tema da guerra está a fazer correr muita tinta, a dar muita conversa. Hoje deu aqui alguns nervos de parte a parte. Creio que é um tema ao qual ainda temos que voltar. Obrigado aos dois.

Adeus aos meus camaradas em geral e Palestina livre.

Shalom.

Ora agora.

Parece.

Ora.