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Ora, ora.
Parece.
Ora, ora.
Bom dia a todos os ouvintes da Rádio Observador e também um bom dia para os fãs da triangulação do paralelepípedo, que os há. Bom dia ao Arménio Paulo e ao Januário Canutilho, os meus lendários companheiros de programa. Olá.
Olá ao coletivo de ouvintes, olá também aos meus camaradas de programa. Mais um domingo que começa bem, porque começa na vossa companhia. Eu considero que vocês são amigos, camaradas, independentemente dos desvios político-ideológicos. É assim que eu vos vejo.
Ora viva a todos os ouvintes. Bem-hajam por ouvirem a triangulação do paralelepípedo e cumprimento também os meus amigos. Amigos, sim, Arménio e João. Obrigado pelas palavras do Arménio, com as quais me identifico totalmente. Vamos a isto.
Eu hoje gostava de começar por falar das últimas ações dos activistas da Climáximo. Acham que acertaram no alvo ou nem por isso?
Acho que sim, eu estou com eles. Tinta verde numa dina, eu acho que é bem feito. Até devia ter levado uma segunda mão.
Segunda mão e acabamento em verniz.
É isso mesmo. E partir montras de marcas de luxo também acho que está bem. Ou atrasar aviões. São também coisas que me parecem bastante aceitáveis para exigir um futuro melhor. Só tenho pena que não haja tinta também pro Costa, que bem precisa de um pouco de tinta pra ver se perde um bocado esta arrogância da maioria absoluta. E até pra Marcelo, pra ver se ele deixa de ser um espaveirado e andar sempre com a cabeça no ar. Porque eu acho que só quando a conta da lavandaria começar a ser pesada pra certos camaradas é que eles se vão dignar a pensar nos assuntos. E é assim.
Januário, estas ações acertaram no alvo? São eficazes?
Honestamente, eu acho que falham quase sempre. Uma bisnaga com dirup num ministro ou num CEO, eu ainda admito que tenha algum efeito. Agora, cortar estradas ou atrasar aviões é um tiro no pé desta rapaziada e leva à irritação do país real, que vê a sua vida atrasada por uma questão que também não pode fazer nada para resolver. Além disso, o direito à manifestação é reconhecido, mas tem as suas regras. Não é uma república das bananas.
Mas parece.
Parece que é, mas não é. A ser uma república de caráter frutífero, seria então uma república da uva, porque é uma coisa bem mais portuguesa do que a banana.
Muito bem. Eleições na Argentina. Massa surpreende e fica à frente de Milei na primeira volta. O que é que esperam da segunda volta?
Eu espero que aconteça o mesmo, que esse fascizóide ultraliberal do Milei perca e vá pentear iguanas lá pro buraco de onde saiu. Aliás, pensa-se que tem algum cuidado com os penteados. No entanto, creio que já é uma vitória ver que esse grunho não ganhou na primeira volta. Parabéns à Argentina e parabéns ao mundo, que não está totalmente louco.
Eu não me identifico muito com nenhum dos candidatos. Como se sabe, eu defendo o liberalismo, mas estou um pouco farto de ver candidatos da direita que eu considero que são candidatos Vidal Sassoon.
Candidatos Vidal Sassoon?
Sim, candidatos com penteados meio estrambólicos. Foi o Trump, depois é o Nuno Melo do CDS, agora este Milei. O que se passa com a direita? Onde é que estão os cortes conservadores, tipo Manuel Monteiro, Paulo Portas? Por que que agora a direita parece que tem os mesmos cabeleireiros da Moda Lisboa? Para mim, começa a chatear-me. Eu gosto de pessoas com cabelos mais clássicos, mais certinhos.
Muito bem, por falar em coisas esquisitas e fugindo um pouco à política, o que me dizem da polémica Cybertruck da Tesla? O próprio Elon Musk parece não estar muito contente com aquilo, pois não?
Vale-me chão, Fidel. Ainda diziam mal do lado soviético. O lado pé desse frigorífico com pneus, que é o Cybertruck, é um "roiz, roiz" autêntico. E isto só prova que o capitalismo acéfalo não significa, nem traz qualidade, nem bom gosto. E o Elon Musk não passa de um pato bravo e de um azeiteiro medonho made in States. Esse carro parece ter sido feito, na minha opinião, mais num lagar do que numa fábrica. Daí o Elon Musk ser um azeiteiro de primeira, que eu acho que esse carro é um crime de lesa-vista, na minha opinião.
Januário, o Cybertruck é um crime?
Não é um carro bonito.
É feio como a noite.
Nem parece ter grande qualidade, a verdade é essa.
O que sai é um chaço.
Mas uma coisa é certa: a Tesla tem o condão de irritar algumas pessoas. Por quê? Porque há ali um ADN de origem e de destino que deixa algumas pessoas a espumar da boca.
O quê? Por ser americano? Eu não fico a espumar da boca por ser americano ou por ser um carro para endinheirados com mau gosto, mas fico a chorar dos olhos de ver aquilo Até o Steve Wonder consegue ver que o carro é miserável. E não é só o Cybertruck que parece um frigorífico. O Tesla em geral, principalmente os brancos, parecem-me eletrodomésticos da Comfort. Não sei quem é o designer, mas deve ser o mesmo designer da Comfort. Parece aquela marca branca. Não é assim?
Eu até gosto. Acho sóbrios e futuristas. Gostos não se discutem. Sai um Lada para o Arménio e sai um Tesla bem passado para mim e toda a gente fica feliz aqui.
Estamos quase no fim. Rosa Mota, numa frase: continua a bater recordes aos 65 anos. O que dizem da Menina da Foz?
Incrível. Uma mulher do norte, dá gosto ver a camarada Rosa Mota a correr e a bater recordes aos 65. Fico muito contente, muito orgulhoso.
Os portugueses estão a tornar-se casos notáveis de longevidade. Ronaldo é o melhor marcador quase aos 40 anos. Rosa Mota bate recordes aos 65. Com 95 anos, o Rui de Carvalho ainda esgota salas e o Eça de Queiroz, mesmo depois de morto, continua em turné nacional.
Como assim em turné?
Em 1900, foi sepultado no Cemitério de Alto São João, em Lisboa. Depois, em 1989, foi para o Cemitério de Santa Cruz do Douro, em Baião. E agora, 2023, vai para o Panteão Nacional da Igreja de Santa Engrácia. Vamos ver se acaba aqui a tour. Mas é um caso notável, já depois de falecer, continuar em tour pelo país todo.
Sim, nesse caso, se calhar, já chega. Já deixava o homem descansar em paz, digo eu. Não sei, às vezes já preferia estar calado.
Sim, também concordo. Adeus a todos e bom domingo.
Ora, agora.
Desapareça!